O líder do BE, Francisco Louçã
, desafiou hoje o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho
, a anunciar na abertura do debate quinzenal de quarta-feira os resultados da auditoria às contas da Madeira e o respetivo programa de ajustamento orçamental.
No final da Mesa Nacional do BE, órgão máximo entre convenções, Louçã assinalou que no debate quinzenal da próxima quarta-feira caberá a Passos Coelho "a iniciativa de escolher o tema e de fazer a intervenção introdutória".
"O país não poderia compreender que, perante a gravidade da crise financeira que estamos a viver e perante a dimensão colossal daquilo a que Alberto João Jardim chama um buraquinho na Madeira e com o qual já comprometeu um dívida de 40 mil euros por cada homem e mulher na Madeira, o primeiro-ministro, conhecendo as contas da dívida e tendo desenhado o programa macroeconómico para lhe responder, não o apresentasse ao país de uma forma clara", declarou.
"Fraude eleitoral"
Neste contexto, o coordenador da comissão política do BE lembrou as palavras do chefe do Governo no último debate quinzenal - a 14 de setembro - e fez até uso de um vídeo com esse momento passado no Parlamento.
"Perguntado, o primeiro-ministro veio responder que no fim do mês, ou seja, esta semana que entra, o Governo disporia não só de uma auditoria completa às contas da Madeira, como também de um programa de resposta económica a essa dívida imensa", assinalou Louçã, defendendo que revelar este plano de consolidação é uma "exigência democrática" e que não o fazer até às eleições na Madeira, a 9 de outubro, representaria "uma fraude eleitoral".
"Eu sei que uma fonte anónima do gabinete do primeiro-ministro disse que iria esconder esse programa macroeconómico até meados de outubro, para que os eleitores não o conhecessem na altura em que vão a votos, eu creio que esse subterfúgio seria inaceitável, seria mesmo uma fraude
eleitoral e até política baixa, garantir ao Parlamento que o programa é conhecido pelo Governo em setembro, mas que não é comunicado ao país nem aos madeirenses", referiu.
Aumento de impostos e do desemprego
Questionado se a complexidade da definição desse plano para aquela região autónoma não poderá atrasar a sua divulgação pública, o líder do BE rejeitou essa visão e disse que a auditoria e a preparação do plano são "duas coisas inteiramente paralelas".
"O primeiro-ministro vai no dia 28 ao Parlamento, ele poderá dizer que só dois dias depois é que tem o programa macroeconómico e a auditoria, mas eu não acredito que tenha todos os elementos essenciais", acrescentou Francisco Louçã.
O dirigente bloquista salientou que será o Governo PSD/CDS-PP a propor "um programa de ajustamento que passará seguramente por aumentos de impostos e do desemprego e a solução para estas dificuldades tem de ser decidida, em primeiro lugar, pelos madeirenses", que, antes das eleições devem saber se "o IVA vai aumentar ou não, o que é que vai acontecer nos salários, no emprego, como vão funcionar os hospitais, qual o regime das taxas moderadoras".