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Madeira: Às ordens da natureza

Muitas coisas foram mal feitas na Madeira. Umas porque sim, outras porque tinha de ser. Mas é bom recordar que às vezes é mesmo a natureza quem mais ordena.
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Claro que a tragédia da Madeira poderia ser menor se não se tivesse esburacado cada canto para fazer túneis que levam estradas a pequenos lugarejos. Claro que podia ser menos mau se não houvesse construção em leito de cheia. Claro que não teria estas proporções se durante tanto tempo não se tivesse desflorestado quase toda a ilha. Claro que se não se tivesse construindo tanto e de forma tão desordenada no subsolo do Funchal talvez as coisas tivessem sido bem menos graves. Claro que um novo Plano Oudinot, como defendem vários peritos, poderia ter minorado os efeitos das chuvadas na capital madeirense.

Mas ainda assim, no fim de tudo, temos de aceitar a inevitabilidade. Quem conheça bem a Madeira sabe que a construção humana, ali, é uma aventura digna de admiração. Sabe que as suas características topográficas e orográficas fazem tudo parecer instável. Em muitos lugares, vive-se literalmente à beira do abismo. Quem conheça a Madeira sabe que a densidade populacional de uma ilha quase sem áreas planas (alguém se oferece para viver no Paúl de Serra?) não ajuda. Que  ela, associada ao relevo, leva à dispersão no território (pelo menos em toda a costa sul), onde há casas e casinhas em todo o lado, mesmo nos lugares aparentemente menos recomendáveis. Que ela contribuiu para desflorestação da ilha. Que os acessos modernos seriam difíceis de garantir sem esventrar a terra e assim criar barreiras à chegada da água ao mar. Que o Funchal cresceu para onde podia crescer.
 
Quem saiba isto tudo saberá que mesmo com todos os cuidados, os que nunca existiram ou os que não podiam existir, a tragédia na Madeira seria inevitável. Talvez com um pouco menos de vítimas, mas era inevitável. Porque nós, os humanos, vivemos em lugares hostis. Em que a natureza nos diz que ali não vai poder ser. E nós insistimos. A Madeira é um desses lugares. Lindos, férteis, mas improváveis para fazer cidades. Como muitos outros no planeta. De vez enquanto a natureza vai lembrar-nos de novo quem manda. Podemos melhorar as coisas. Mas às vezes não podemos mesmo resistir-lhe.

Opinião


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Mas que ele tem feito obra é uma realidade, e o resto é conversa da treta.
Madeira às ordens da natureza
Diz o povo e tem razão que depois de casa roubada trancas à porta, ou ainda que depois de cavalo morto cevada ao rabo. Ninguém tem duvidas que há erros grosseiros e não me estou a referir em particular à Madeira mas também às inundações em Loures em tempos que já lá vão. Depois dessa catástrofe o que aprendemos com ela? Nada, digo eu porque continuamos a construir mal e porcamente nos mesmos locais em cima de ribeiras e riachos. Somos assim e não há nada a fazer ou haverá muito pouco, porque o dinheiro fala e sempre falará mais alto. Infelizmente quem acaba sempre por pagar estes erros são as pessoas de menores recursos.
Solidariedade,sempre
O Oudinout foi há cem anos,hoje os meios são outros e a análise da Madeira não pode ser feita com o Jardim na cabeça:esse é o vício já sem cura de muita gente.Com núvens de 12km e um dilúvio daqueles muito as infraestruturas aguentaram.E não podemos esquecer que a Madeira tem uma obra de referência na Engenharia,o seu aeroporto,construído em cima do mar.A Natureza não pode ser é politizada,tem é que ser respeitada naquilo que é o seu espaço e o seu equilíbrio no Universo.A natureza é amiga do homem e também sabe que a solidariedade é um bem universal que é preciso não esquecer e praticar no dia a dia.
Re: Solidariedade,sempre
Relatório Tuga - DO surpreende o país
Quando todos aguardávamos mais uma "opinação" acerca do PM, não é que DO surpreende tudo e todos e trata finalmente outro tema!

Só pelo facto, garanto-lhe que volto a ler as suas crónicas e a ver o "Expresso da meia-noite", que bela surpresa para os opinadores de segunda categoria como eu próprio!
Re: Relatório Tuga - DO surpreende o país
Uma opinião válida
Ora finalmente uma vertente realista da Madeira. Diria mais, que as soluções não são muitas, com o crescimento da população, não só na Madeira mas no Mundo. O que se tenta fazer é minimizar os riscos, mas opções para a Madeira não são muitas, e as exigências das populações para melhorar a qualidade de vida são fortes e também naturais, hoje são poucos que gostam de viver numa cabana sem gás, sem electricidade, sem água, sem estradas, sem centros comerciais, ou seja, um modo de vida dos nossos dias. Na Madeira para se ter tudo isso, há que recorrer à imaginação do homem, às capacidades destes para pensar como resolver, correndo os riscos mínimos. E consegue-se, até que a Natureza, trepa todos os conceitos, todos os pensamentos, todas as técnicas e zás, aplica a sua força, e nada podemos fazer. Já pensaram na massa de água que caiu e na massa de água que correu em tão pouco tempo, e já pensaram, que desde de Novembro não para de chover na Madeira, carregando os solos de água. Os solos já estavam esgotados, para facilitar a vida registou-se a maior corrente de chuva de sempre. Penso eu, que não há calculo possível. Quantas tempestades e tornados há nos País da América? Quando há, alguém consegue evitar uma desgraça? Fica agora uma série de interrogações, que podem levar a pensar de uma outra forma, não sei se haverá muitas soluções para a Madeira, só os técnicos poderão resolver, mas não estou haver e com a população a crescer, resolver o problema da construção.
IGNORANTE
Dizer que a ilha foi quase toda desflorestada e de uma ignorância atroz. Mais, túneis que levam estradas a pequenos lugarejos - nao sabem mesmo o que e ser ilhéu...
Re: IGNORANTE
Re: IGNORANTE
A natureza
Lá vem os bota-abaixo, concerteza que a Madeira não foge à regra, em todo o nosso continente, tambem se verificam, autênticas aberrações à natureza, como, construções em cima de linhas de àgua, a desflorestação contínua, etc. Muitas vezes, constroem-se em locais adversos, quando se poderia optar por locais, com maior segurança e menos prejudicial para o ambiente, porque, ainda vai existindo espaço para opções válidas e mesmo assim, nada se faz nesse sentido, por parte das autarquias .
Porquê? Porque as autarquias precisam de dinheiro, para sobreviverem e o dinheiro continua a ter muita força, seja qual fôr a sociedade em que se viva, democrática ou não. É um círculo vicioso, que ninguem tem coragem de interromper.
A Natureza rebela-se.

Dr. Daniele,

As forças da Natureza são tais que ninguém pode controlá-las nem sequer prevê-las.

De repente desencadeiam e causam danos imensos: terramotos, inundações, improvisos desbastamentos, frequentemente devidos aos desflorestamentos insensatos.
E por vezes o homem é tão estúpido que constrói a sua casa nas beiras dos abismos sem licencia de construção, especialmente nas localidades VIP porque isto é giro.

Mas se nós não tivermos respeito pela Natureza, antes ou depois ela dá-nos a sua resposta. Destruímos o ambiente? Poluímos mares, rios, o ar...por sede de dinheiro? Criamos os animais pelo nosso nutrimento em lugares restritos inchando-os com injeções de hormonas? etc. , etc.

E agora vamos pagar as consequências dos nossos erros com eventos nunca sucedidos antes, todos juntos como se estes tivessem marcado um encontro.

A Natureza rebela-se.

António
madeira
claro que é a força da natureza, como foi o terramoto no haiti ou o tsunami na asia.
O funchal tem 3 ribeiras principatis que trazem agua das montanhas, mas a agua era tanta que as proprias ruas se transformaram em ribeiras furiosas.
erros urbanisticos? pois sim, em todo o lado, mas muitos menos no Funchal que em Lisboa, p ex.
Mas aqui foi de facto a natureza com a sua força e furia.
O mesmo aconteceu 2 semanas antes nas Canárias e há meses na Sicília.
Re: madeira
Indubitavelmente....
A Natureza é MESMO quem mais ordena.... por melhor ordenação territorial que tentem... se ela agir... ela ganha...
Madeira
Analise isenta e correcta do cronista ,em relação à tragédia que se abateu sobre a bonita e peculiar ilha.
Ninguem em lado nenhum do mundo projecta sistemas de drenagem para os caudais de agua verificados. Nem para metade. Quem nas primeiras declarações sobre a tragédia teve a imbecilidade de se atirar aos erros urbanisticos - o clube de sempre, pcp, verdes e similares - tentando politizar a calamidade, naquela hora de amargura , apenas validou o que sempre se soube. O modernismo bacoco dos pseudo intelectuais verdes agarrados às questões ambientais por mero oportunismo e ansia de visibilidade.
Alguem disse que não se deve temer a sabedoria mas sim a ignorancia pq esta é imensa. Não podia concordar mais.
Cumprimentos
Incrivel! O D.O. não disse mal de Sócrates!
Qual será a sua opinião e já agora a do dr. Louçã sobre a morte de Zapata Tamayo num hospital de Havana, após 85 dias de greve de fome?!
Porque?
A 13 de Janeiro de 2010 a RTP-M emitia o programa EM REPORTAGEM, da jornalista Bruna Melim, sobre as catástrofes da Madeira. Vale a pena ver com atenção para se perceber o que aconteceu agora.
http://www.youtube.com/wa... ynext=1

PS. Biosfera 2008
http://www.youtube.com/wa...
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