Luiz Inácio Lula da Silva está em Portugal. O ex-Presidente brasileiro - que neste momento está reunido com o Presidente Cavaco Silva em Belém -, defendeu ontem em Lisboa, numa palestra para mais de 300 pessoas, que "sem consumo não há emprego, sem emprego não há comércio e sem comércio a economia não cresce".
Segundo Lula da Silva, "não é com arrocho [aperto fiscal] que vamos enfrentar a crise". E recordou que ele próprio, ainda Presidente do Brasil, foi à televisão apelar a que os brasileiros consumissem. Numa palestra que se pode dizer cheia de "recados" ao Governo português, disse ainda que aumentar o salário mínimo não produz inflação. Esse foi, aliás, um dos tabus económicos quebrados durante o seu governo.
Lula da Silva veio a Lisboa a convite da InterCement para proferir a palestra "Um Mundo em Crise ou um Mundo de Oportunidades", evento que decorreu ontem em Lisboa, destinado a autoridades e empresários, e que foi fechado à comunicação social. É a segunda visita a Portugal do ex-Presidente brasileiro desde que passou o cargo a Dilma Rousseff.
À noite, Lula da Silva foi convidado por Pedro Passos Coelho para um jantar, também privado, do qual participaram também Paulo Portas e Miguel Relvas. O ex-Presidente do Brasil fica no país até sexta-feira, e amanhã almoça com os jogadores do Sport Benfica e Lisboa, equipa que integra dois brasileiros, Luisão e Bruno César.
A InterCement, empresa que convidou Lula da Silva para falar aos portugueses sobre os desafios e oportunidades gerados pela turbulência global, pertence ao grupo Camargo Corrêa que detém um terço das ações da cimenteira portuguesa Cimpor.
No passado mês de março, o ex-Presidente do Brasil veio a Portugal para receber o título de doutor honoris causa da Universidade de Coimbra.
Palestras e articulação política
Desde que deixou o Palácio do Planalto após passar o cargo a Dilma Rousseff em janeiro, Lula da Silva cumpre uma agenda intensiva de viagens nacionais e internacionais. Nos últimos meses, foi contratado por algumas das principais empresas internacionais e falou em vários países tais como a Espanha, Inglaterra, México, EUA e Qatar.
Entre finais de agosto e início deste mês, esteve em Bogotá, onde falou na abertura do I Fórum Empresarial Brasil-Colômbia. Em julho, esteve no Chile, onde participou nas comemorações do bicentenário do Congresso Nacional, tendo sido recebido pelo Presidente Sebastián Piñera, com direito a fotografia ao lado dos mineiros que sobreviveram ao acidente na mina San José.
Esteve também em Luanda, onde falou sobre o modelo de desenvolvimento brasileiro e as possibilidades de ser copiado em África, tendo almoçado com o Presidente José Eduardo dos Santos.
Passou pela Guiné Equatorial, onde discursou na 17ª sessão da Assembleia Geral da União Africana, e ainda, pela Guiné-Conacry e Senegal.
Na Europa, as suas visitas dividiram-se entre receber homenagens - o caso de Portugal e Espanha - ou procurar atrair investimentos para o Brasil, em palestras a investidores e banqueiros, como fez em Londres.
Em Portugal, além de ter sido homenageado pela Universidade de Coimbra, numa cerimónia que contou com a presença dos Presidentes Cavaco Silva e Dilma Rousseff, recebeu o prémio Norte-Sul de Direitos Humanos concedido pelo Conselho da Europa.
No Brasil, o ex-Presidente tem liderado as discussões no seu partido, PT, para definir os candidatos que vão disputar as eleições municipais em 2012.
A eventual volta de Lula da Silva nas eleições brasileiras em 2014, para Presidente e Governador de Estado, está a dividir opiniões no Brasil.