As minhas decisões e posições políticas neste, como em todos os casos, atenderam única e exclusivamente ao interesse público.
Nunca houve nenhuma pessoa, nenhum conhecimento, nenhuma influência que interferisse naquilo que definimos ser o essencial desde o início: os serviços de informações são um garante do Estado de direito e dos direitos fundamentais dos cidadãos. São fulcrais para garantir a liberdade e a segurança dos cidadãos e do Estado.
Por isso é que entendemos que o Parlamento, depois de noticiadas alegadas perturbações ou irregularidades no funcionamento desses serviços, não podia deixar de averiguar o seu alcance e avaliar a estrutura do sistema e a sua fiscalização.
Não aceito e repudio qualquer insinuação de condicionamento do PSD e de mim próprio nesse processo. Acompanhamos os trabalhos da comissão com elevado sentido de responsabilidade e nas conclusões que formulamos e que são hoje públicas identificamos sem qualquer limitação as questões suscitadas nas reuniões.
Essas conclusões revestem-se de grande sensibilidade desde logo pela natureza secreta do trabalho dos serviços.
O PSD nunca mudou ou apagou as suas conclusões.
Não tendo participado nos trabalhos dessa comissão, quando me foram presentes as conclusões dos deputados do PSD, que assentam unicamente na informação revelada nas audições, entendi que as mesmas deviam ser apresentadas, sem qualquer alteração.
Como tivemos ocasião de esclarecer publicamente, não houve nenhum segundo relatório do PSD nem nenhuma alteração do único que apresentámos.
Em condições normais não teria de prestar mais nenhum esclarecimento.
Porém, no meio de tantas especulações e tentativas de me associarem a interesses e querelas com as quais nada, rigorosamente nada, tenho a ver ou sequer alguma vez conheci que não pelos jornais, é meu dever, a bem da transparência e do bom nome que se exigem a quem ocupa as minhas funções, deixar claro o seguinte:
Não tenho nenhuma atividade na maçonaria.
Há cerca de três anos e meio fui convidado e participei em algumas reuniões e debates com um conjunto de pessoas qualificadas e empenhadas em refletir, de forma construtiva e com seriedade, sobre questões e valores sociais.
Essa participação não teve sequência e verdadeiramente perverso não são esses debates ou ideais mas sim a campanha que me é dirigida sob anonimato imputando-me atos ou ações que refuto por completo.
Qualquer detalhe dessas reflexões é de completa irrelevância publicitar e pertence apenas à esfera privada dos participantes.
Mas é relevantíssimo garantir publicamente que nunca por essa via me confrontei com nenhum interesse particular, fosse de que natureza fosse.
Nada, rigorosamente nada me pode ligar a disputas de poder nos serviços de informação ou na comunicação social.
Nada, rigorosamente nada influenciou qualquer decisão política por mim tomada.
A manifesta independência e isenção das conclusões do PSD na Comissão de Assuntos Constitucionais, constituem a demonstração da forma como nos conduzimos e conduziremos.
Texto publicado na edição do Expresso de 7 de janeiro de 2012