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Luís Amado: "Vivemos uma situação aberrante"

"É preciso ser sério e perceber que esta crise está para lá de nós". E é assim que Luís Amado olha para a perigosa situação política portuguesa. Em entrevista ao Expresso (versão integral), o ministro dos Negócios Estrangeiros pede uma grande coligação, já. E entrega o seu lugar a quem o quiser.
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Luís Amado na sua cadeira do Palácio das Necessidades. Se a oposição quiser ajudar, pode sentar-se à vontade...
Luís Amado na sua cadeira do Palácio das Necessidades. Se a oposição quiser ajudar, pode sentar-se à vontade... / Alberto Frias

Hoje Portugal emitiu dívida soberana a um valor médio de 6,8%, perigosamente alto, inimaginável há uns meses. É uma situação insustentável?
É situação difícil, que exige grande responsabilidade de todos os agentes políticos económicos, institucionais. Os mercados estão a indicar-nos que há uma situação de ajustamento que nos é exigido pelos problemas específicos da nossa economia, a nossa situação financeira e orçamental, mas também num contexto que agrava as dificuldades de grande tensão na zona euro. Tensão que, por sua vez, é resultado de um ajustamento macroeconómico global muito complexo, que está em curso, e é objeto central da agenda do G20 este fim de semana em Seul. A complexidade deste processo de ajustamento numa economia de pequena dimensão como a nossa, mas com grandes fragilidades no domínio da competitividade e produtividade, num contexto de construção da União Económica Monetária (UEM) e num processo de reconfiguração da geopolítica mundial - que se faz por reposição de equilíbrios macroeconómicos entre as principais economias regionais do mundo - tem de ser gerida com particular atenção por todos responsáveis políticos. Estamos no meio de uma tempestade perigosíssima e a por isso a atitude, ação e decisões de cada ator político estão a ser escrutinadas muito de perto por todos principais atores financeiros dos mercados internacionais.

Como é possível ultrapassar a situação? Nem o acordo sobre orçamento nem o mecanismo aprovado pelo Conselho Europeu ajudaram...
Exige muito bom senso a vários níveis. Numa economia muito fragilizada e dependente dos mercados financeiros com problemas estruturais sérios, exige muito bom senso em termos internos, exige forte capacidade de articulação com as instâncias europeias e ao nível de altas instâncias. Os sinais dados no último fim de semana depois das decisões relativas ao mecanismo europeu de resposta às crises evidenciaram grande inquietação nos mercados em relação às futuras decisões de sustentabilidade do euro a assumir pelo Conselho Europeu. E não foi feliz a forma como alguns Estados e governos lidaram com esta questão. O próprio governador do BCE criticou a forma como este debate foi enquadrado no Conselho Europeu.

Alberto Frias «Acho absolutamente indispensável que os principais responsáveis políticos tenham a clara noção da gravidade e da complexidade da crise»

Está a referir-se à Alemanha?
Não apenas à Alemanha, mas a orientação de abrir um debate durante um período longo (a decisão só irá ser tomada provavelmente em junho de 2011) gera certa insegurança relativamente à forma como o mecanismo vai ser estabelecido. Essa insegurança não gera a confiança necessária para garantir que o euro seja uma moeda estável.

Angela Merkel devia assumir uma posição mais clara neste momento para fazer diminuir a tensão?
A matéria financeira é de grande sensibilidade para os mercados e as decisões têm de ser tomadas com discrição e rapidamente. Essa decisão não deixou de precipitar alguma inquietação nos centros financeiros e a valorização das yield das obrigações do Tesouro de todos os Estados europeus, incluindo do Governo alemão. Houve má gestão de uma proposta que tem de ser discutida para o próximo mecanismo financeiro, o que revela que a União Europeia está numa situação de indefinição quanto à forma como tem de acompanhar a crise do euro. A circunstância da crise financeira internacional ter precipitado situações novas que os principais responsáveis europeus nunca imaginaram justifica de alguma forma a atitude nem sempre clarividente com que as decisões têm sido tomadas ao nível do Conselho Europeu.

Como pode Portugal sair desta situação com os mecanismos que temos?
Temos que criar as condições de confiança na nossa capacidade para resolver este problema de grande complexidade.

E isso faz-se no atual quadro político?
Quero acreditar que não se pode fazer com outro quadro político e por isso mesmo acho absolutamente indispensável que os principais responsáveis políticos tenham a clara noção da gravidade e da complexidade da crise que o pais está a viver. É um contexto absolutamente extraordinário, excecional, como nunca vivemos, que exige por isso uma disponibilidade de diálogo, cooperação e de concertação que permitam ultrapassar este período difícil, que se vai prolongar ainda por algum tempo. Exige sinais de estabilidade, governabilidade e de confiança, sem os quais os mercados nos castigarão de forma absolutamente impiedosa. Acredito que a tradição do sistema político português integra boas experiências de cooperação, que foram possíveis em momentos de particular dificuldade. Em 1983-85 tivemos uma crise profunda num contexto completamente diferente e uma crise nacional sem a complexidade da de hoje, mas os principais partidos e responsáveis políticos souberam dialogar e cooperar para que o país tivesse um rumo e garantisse a entrada, na altura na Comunidade Económica Europeia, que era um objetivo estratégico. Acredito que os principais partidos que tem como objetivo estratégico a preservação da posição do pais na zona euro e no processo de construção europeia entendem que a alternativa que temos para a situação em que nos confrontamos é, a prazo, uma saída do euro. Uma situação que, se não for objeto de uma ação responsável da parte de outros, não deixará de se perspetivar como uma opção que os próprios mercados nos obrigarão a considerar.

Alberto Frias «As eleições neste momento são inviáveis num horizonte excessivamente longo»

Em 1983, refere-se ao bloco central. Está a dizer que ou se encontra uma situação política mais estável, ou a saída do euro pode ser uma realidade?
Digo isso há muito tempo, desde que o Governo tomou posse. O país precisa de uma grande coligação que lhe permita ultrapassar a situação difícil em que vive.

Caso contrário podemos sair do euro?
Poderemos ser confrontados, a prazo, com uma situação absolutamente dramática e temos de ter todos a noção disso, se não formos capazes de garantir as condições de confiança e de governabilidade do país. Os sinais que os mercados nos têm vindo a dar são exemplo da gravidade da situação que temos de gerir. É preciso que a oposição compreenda também o papel de responsabilidade que tem nesta matéria. Porque o taticismo oportunista (que se compreende num debate político normal de aproveitar a situação difícil do Governo e do primeiro-ministro para os desgastar), neste caso significa desgastar o país. O que temos estado a assistir nos últimos meses é uma situação de desgaste e erosão progressiva do Governo e do primeiro-ministro, que tem um custo muito grande para o país. Este é um dos momentos em que historicamente se impunha um compromisso de responsabilidade com objetivos políticos bem definidos.

Sem eleições?
Porque as eleições neste momento são inviáveis num horizonte excessivamente longo, e porque a circunstância de estarmos em ambiente de campanha eleitoral já praticamente há dois anos nos limita muito a capacidade de gerar confiança e estabilidade em relação aos objetivos que o próprio Governo define. Como Governo minoritário que é, de representação parlamentar minoritária, e como caso único que hoje temos na Europa. Por isso, se não há disponibilidade para uma coligação, tem de haver disponibilidade para um acordo sério que permita gerar confiança para a economia portuguesa e na ação do Governo - e dos responsáveis do sistema político português - para garantir aos mercados a governabilidade necessária para que a pressão sobre a nossa economia e finanças públicas seja contida. Se o ambiente que vivemos no debate orçamental, depois de um acordo sobre a viabilidade de um orçamento se projetar na execução orçamental, acredito que será muito difícil estabelecer as condições de confiança que os mercados hoje nos exigem. Temos de recorrer aos mercados no próximo ano em valor muito significativo, o Estado e o setor bancário, o país precisava de um ano de estabilidade. Se é possível ou não no quadro do atual sistema político garanti-lo, depende apenas dos atores e personalidades que nos diferentes partidos assumem essas funções.

Acha que o Governo tem ajudado? Quando se olha para os debates nota-se também muita crispação por parte do Governo.
Não isento o Governo de culpas e de ter aqui e ali cometido os seus erros, as coisas poderiam ter sido de forma diferente. Mas, no essencial, o que é muito criticável neste momento é um certo taticismo oportunista da oposição que, de depois de uma longa campanha negra contra a personalidade do primeiro-ministro, uma tentativa de decapitação do primeiro-ministro por via paralela, que comprometeu a imagem do pais, depois desse período, continuar num taticismo oportunista de explorar uma situação tão grave como a que vivem a economia mundial, europeia e portuguesa. Este é um momento da história de um pais em que é preciso pensar nele, colocar os seus interesses acima dos partidários e pessoais. É tão grave pessoalizar as questões políticas, como politizar as questões pessoais. Infelizmente, a nossa vida pública tem estado muito marcada por esta relação perversa e negativa. A politiquice justifica-se em momentos da vida pública normal. O momento que vivemos é absolutamente extraordinário e exige por isso um esforço de todos no sentido de estabelecer condições de cooperação e de diálogo indispensáveis para a governabilidade. É o único país na Europa onde temos a situação aberrante em que a oposição e o partido maioritário não conseguiram tão pouco iniciar um diálogo com vista à constituição de uma plataforma de Governo. A primeira coisa que acontece na democracia europeia, em qualquer Estado da Europa, a seguir a um ato eleitoral, é um momento de dialogo e concertação com vista a uma plataforma de governo maioritário. Isso não foi possível fazer em Portugal porque houve uma rejeição do partido do primeiro-ministro que tinha acabado de ganhar as eleições. É muito negativo para a vida política portuguesa, precisamente porque acontece num momento em que o mundo, Portugal e a Europa vivem a crise mais grave das últimas décadas. O país está ensimesmado em torno de querelas puramente partidárias e sem a perspetiva dos problemas sérios com que o pais se confronta.

Disse que a alternativa com que estamos confrontados é a saída do euro. Está a dar de barato que não é preciso, ou que vamos recorrer ao mecanismo europeu e ao FMI?
Essa situação é extrema. Se não formos capazes de fazer o que temos de fazer, teremos de lidar com esse cenário. Não tenhamos dúvidas que estamos numa fase de reconstituição do projeto europeu. Depois da crise internacional e dos seus efeitos sobre a Europa, este projeto vai conhecer uma dinâmica nova e independentemente do Tratado de Lisboa. A reconstituição da relação de forças no contexto da União Europeia é uma realidade incontornável. Se olharmos para as decisões de alguns Estados nos últimos anos, em particular dois que a Alemanha tomou no ano passado, damos bem conta da dinâmica de mudança que o projeto europeu vai conhecer. A decisão do Tribunal Constitucional Alemão sobre o Tratado de Lisboa e a leitura que faz do interesse estratégico alemão e europeu, bem como a decisão de constitucionalizar um limite para a divida e o défice do Governo federal e dos Estados, são duas decisões que só por si impõem uma dinâmica de reconfiguração das relações no quadro da União Económica Monetária e da União Europeia que não podemos ignorar. Com orientações a médio e longo prazo que vão condicionar o projeto europeu. É nessa perspetiva que um país como o nosso se tem de posicionar, no sentido de antecipar as tendências de reconfiguração do projeto, que permitam salvaguardar as posições e objetivos do país, nomeadamente de participar no núcleo estruturado do desenvolvimento e aprofundamento do projeto europeu, o que temos conseguido.

Alberto Frias «Um dos nossos problemas desde que esta crise explodiu foi a excessiva orientação para o mercado europeu e americano das nossas exportações»

Está a pensar numa Europa sem euro, ou eventualmente com euro mas sem Portugal?
Estou a reconfigurar uma Europa em que a problemática do euro se tornou central e determinante para as dinâmicas de aliança. Nessa perspetiva, Portugal tem de ter em consideração esses factos. Depois da crise financeira, Portugal tem de integrar essas variáveis na equação dos problemas, porque elas não deixarão de condicionar as nossas opções no curto, médio e longo prazo.

E qual é a margem de Portugal, remetido como está para a periferia económica e política?
Por isso mesmo tem de dar particular atenção aos seus problemas de sustentabilidade na zona euro. Se não o fizer, face à dinâmica imposta pela crise e as medidas de reação de alguns Estados como a Alemanha, Portugal tem de refletir sobre as condições em que procura inserir-se na UE e nas condições de sustentabilidade no projeto da União Monetária.


Quando vai a Bruxelas sente-se ministro de um país em declínio?
Não, de um pais sob pressão, da mesma forma que outros Estados estão em situação de tensão com as suas economias.

Os seus colegas estranham a situação política que se vive em P?
Estranham por ser um Governo minoritário no contexto de uma crise tão seria. Mas essa condicionante não limita a capacidade de atuação e ação do Governo.

A partir das decisões do último Conselho, os países devem ter que cumprir determinados objetivos de dívida, défice, crescimento, sob pena de penalidades e sanções. Estamos a discutir o orçamento, não deveríamos também estar a discutir um plano de crescimento para apresentar à União Europeia?
Há um equívoco. Pacto de Estabilidade e Crescimento, aprovado pelo Tratado de Maastrich e pilar da União Económica Monetária, é o nome de referência. Depois, há os Programas de Estabilidade e Convergência que os Estados negoceiam em Bruxelas, cujo pressuposto é que tenham em consideração a estabilidade do euro e convergência necessária para que essa estabilidade se verifique. Um dos problemas do euro, hoje, resulta de divergência que se manteve durante um período longo, em particular entre as economias do centro e da periferia da Europa, sem nenhuma vigilância das instituições europeias desses fatores de desestabilização a prazo da moeda comum. Precisamente por isso, as questões que tem a ver com a vigilância das divergências macroeconómicas, designadamente da competitividade das economias entre si, estarão no centro do novo PEC. Mas é um facto que essa divergência tem de ser equacionada nas respostas que os governos tem de dar às situações de crise nas suas economias, embora este PEC esteja dominado pela emergência de responder à situação de grande desoneração do défice publico que nos propusemos. Reduzir de 7,3 para 4,6% o limite do défice no próximo ano faz com que este programa esteja muito dominado pelo objetivo da redução da despesa publica e menos orientado para os sinais necessários da retoma das condições de competitividade e para a melhoria da produtividade da nossa economia, que é o fator determinante de recuperação a prazo da nossa posição no euro.

Alberto Frias «Estou a reconfigurar uma Europa em que a problemática do euro se tornou central»

Mas Portugal não era obrigado a ter apresentado uma meta de redução do défice de 4,6% para 2011? Há quem defenda que devíamos ter colocado uma meta ligeiramente acima que nos permitisse maior margem...
Essa aérea é de debate e negociação no ECOFIN e o ministro das Finanças avaliou seguramente as condições em que devia fixar as metas no curto e médio prazo do nosso reajustamento no défice público. Teoricamente há outros Estados que negociaram condições de redução eventualmente mais bondosas. Mas esta foi a opção que foi tomada, não sei em que circunstâncias, mas exige um compromisso que é irrecusável e todos já entendemos - e a oposição também - que não há alternativa para o pais que não seja honrar esses compromissos, sob pena de termos uma crise de confiança mais grave ainda no próximo ano, se esse objetivo não for cumprido. E nós já estamos numa situação de grande constrangimento como os indicadores de reações de mercado nos tem mostrado todos os dias.

Nas últimas semanas tivemos eleições no Brasil com algum discurso sobre a Europa, o Obama na Índia e, este fim de semana, os líderes chineses vieram a Portugal com um bocadinho de ajuda. Olhando este quadro sentimo-nos num continente numa das fases não muito felizes...
Sim é, por isso esta crise é demasiada complexa. Não é apenas do nosso país, mas também de ajustamento fiscal e orçamental do nosso país a um processo de ajustamento da economia europeia e da geopolítica europeia a um processo longo, complexo e perigoso de reajustamento da economia global e da geopolítica.

Não podemos pagar caro estas ajudas da China em termos de divida pública? Entramos num jogo de guerra de moedas...
Isso já está, é o tema central da agenda do G20 - relações de câmbio entre principais moedas. Numa conceção mais ortodoxa, a moeda deve refletir os fundamentos de uma economia e não ser artificialmente manipulada em função de objetivos de vantagens competitivas, designadamente comerciais. Esse debate está no centro da agenda de re-equilíbrio da economia mundial. Há regiões que têm economias muito desequilibradas, em que as funções de poupança e de consumo estão desequilibradas em relação a outras em que essas funções estão em equilíbrio. A Europa é uma região do ponto de vista macroeconómico relativamente equilibrada, mas tem desequilíbrios internos e tensões internas que a condicionam muito neste exercício. É por isso que a China e os EUA se procuram relacionar com a Europa com objetivos que não afastam uma preocupação estratégica mais ambiciosa. Sobretudo da parte da China, conhecendo as dificuldades da meda comum europeia.

Mas podemos pagar caro ou não esta ajuda?
Nós precisamos de diversificar as nossas relações. Um dos nossos problemas desde que esta crise explodiu foi a excessiva orientação para o mercado europeu e americano das nossas exportações - 80% das nossas relações económicas dão-se com a Europa e os EUA. Quando a crise rebenta, somos muito condicionados. Daí que a diversificação seja um vetor fundamental de re-equilíbrio da nossa posição no contexto europeu, e da economia europeia no conjunto da economia mundial. As relações com a China são uma prioridade para as economias europeias. Não vejo ninguém que não corra para lá: é um mercado em expansão - 1,3 biliões de consumidores, com margens de crescimento de procura interna muito relevantes, que reboca grandes economias exportadoras do mundo, designadamente a alemã, que está a ser estimulada sobretudo pelo crescimento chinês.

E não teme a acusação de relacionamento estreito com um país que não respeita os direitos humanos?
Percebo que essa questão seja suscitada pelas organizações de direitos humanos e a comunicação social, mas essa é a sua responsabilidade e esfera de ação. Do ponto de vista dos Estados, temos relações com a China e não se entenderia que por causa de questões como essas as relações fossem postas em causa. Ninguém o faz. É um erro sério que as decisões políticas sejam tomadas em função das preocupações das ONG ou da comunicação social. E seria um erro se estas fossem governamentalizadas. A responsabilidade dos governos é agir em função de um equilíbrio entre valores e princípios e interesses dos Estados e das sociedades que representam. Portugal é um país democrático, onde se respeitam os direitos humanos se respeitam. Essa é uma responsabilidade do Governo e deve assumir que esses valores são de dimensão universal e devem ir-se expandindo à medida que sociedades forem assimilando esses princípios. Mas não defendemos que a política de direitos humanos ou da democracia se ideologizem no sentido de as pretender impor pela força como alguns sugerem em outras regiões e sociedades. Lançaríamos o mundo numa enorme confrontação, como exemplos recentes evidenciaram. A nossa política é equilibrada, acreditamos que a UE deve assumir a promoção da democracia e dos direitos humanos com mais ênfase na sua ação externa, tem peso geopolítico para poder influenciar, mas um pequeno Estado como Portugal tem de sentir realisticamente os limites da sua capacidade de ação em promover os direitos humanos e a democracia isoladamente e por si só. Se assim fosse, seria incapaz de estabelecer relações de convivência com muitas regiões e países do mundo. É uma linha de equilíbrio, razoável, e creio que os portugueses têm entendido bem esta política.

NATO. Que espera em concreto? Há um novo ciclo na organização?
A cimeira será importante na história da NATO. Há a possibilidade de aprovar um novo conceito estratégico para a Aliança, que a reajusta à situação de multipolaridade que o mundo conhece, partindo do princípio que o conceito aprovado em 1999 projetava uma visão unipolar ocidental do sistema internacional. É a adaptação a um conjunto de mudanças muito significativas no ambiente estratégico na última década. Tem-se a noção de que a Aliança tem de ajustar-se a esta nova realidade, em que a ideia de um mundo centrado na unipolaridade americana se desvaneceu e em que emerge um mundo multipolar por força da última crise financeira e económica. Um mundo multipolar sim, mas também com novas ameaças e por isso mesmo com necessidade de ajustamento nos sistemas de defesa e de segurança coletivos.

Esse mundo multipolar traduz-se numa Aliança com parcerias?
Esbate-se a ideia que havia em finais de 90, em que a supremacia do Ocidente e do "fim da história" permitia à Aliança perspetivar-se como o principal ator de segurança e de defesa do mundo, podendo atribuir-se responsabilidades de polícia do mundo, sempre e também em diálogo com as Nações Unidas e o Conselho de Segurança. Depois dos acontecimentos impressionantes da última década - ataques terroristas de uma organização extremista de uma nova ideologia, de um novo radicalismo, duas guerras, Afeganistão e Iraque, uma guerra na Geórgia - e depois da crise que atingiu o coração do sistema capitalista e financeiro que debilitou de forma flagrante a economia americana, podemos perceber que a relação do Ocidente com o mundo se estabelece numa relação de forças muito diferente.

A NATO já não é o que era. Mas quais são os novos desafios com que se defronta?
A NATO é o que era, porque é a principal organização de segurança e defesa do Ocidente. Mas tem de se recentrar de novo nos seus objetivos mais importantes - defesa coletiva, resposta às novas ameaças, gestão de crises de vária natureza no seu espaço. Tem de se adaptar à nova natureza de um mundo em transfiguração. Por isso a valorização das parcerias que este conceito acolhe vem muito de encontro a essa perspetiva. A NATO, se quiser manter alguma influência e presença no sistema internacional, tem de o fazer, não por via da ação direta, fora da sua área, mas da ação indireta, que resulta cada vez mais da capacidade para transmitir os seus conceitos, valores e princípios para organizações de segurança e defesa regionais e outros atores que venham a afirmar-se como polos de estabilização de segurança e defesa coletivas nessas regiões. A ideia de que em torno da unipolaridade americana, ocidental, cujo braço de segurança era a NATO, se podia garantir a estabilidade do sistema internacional - como há uma década ainda admitíamos com alguma utopia - essa visão tem de ser substituída por outra mais realista, mais ajustada à relação de forças entre Ocidente, polos e outros espaços civilizacionais do sistema internacional. Tem de ajustar-se também à forma como o Ocidente pretende continuar a garantir a defesa dos seus valores e princípios, desde logo no espaço do território que se identifica com o espaço ocidental. Nessa perspetiva, a segurança que a NATO representa (e nem sempre se dá por isso) é fundamental para a preservação desses valores. Sem essa dimensão de segurança, seria difícil no mundo atribulado de hoje garantir esses valores. Sem essa garantia de segurança, não há liberdade, não há valores que decorrem da liberdade, núcleo da sociedade ocidental. Como não há sociedade sem segurança e não há segurança sem sistema de segurança (e não há sociedade ocidental sem sistema de segurança), o aperfeiçoamento deste sistema parece-me que está muito bem equilibrado neste novo conceito. Projeta uma Aliança para o futuro muito mais consolidada

Porque é tão importante para Portugal ter uma bandeira da NATO aqui, ao ponto do sr. ministro ter dito que não ratificaria nenhuma nova estrutura que não o garantisse?
Porque nos têm que provar que há outras opções melhores e não nos provaram ainda isso.

Portugal está convencido que a vai manter?
É um processo negocial, não vejo razão para que não se mantenha uma vontade política forte de preservar uma estrutura em solo português da Aliança.

É um ponto fundamental?
Não direi isso, mas creio que um Governo minoritário - tem sido esse o argumento principal que tenho usado - não deve tomar uma decisão que possa levar a uma opção desse tipo. Minaria o consenso nesta matéria que temos mantido sempre sobre as grandes questões da relação transatlântica. É um dos pontos que temos apresentado para defender os nossos pontos de vista. Provavelmente Portugal é o país com indicadores de apoio à Aliança mais significativos, de acordo com sondagens efetuadas.

Mas isso pode mudar rapidamente, se houver um azar no Afeganistão, por exemplo...
Já tivemos e nem por isso foi percetível qualquer mudança de atitude. Os portugueses têm percebido bem a importância que representa o chapéu de segurança da Aliança para o equilíbrio da relação entre a Europa e os EUA.

O nosso comando em Oeiras fazia sentido anteriormente. Hoje, o Atlântico Sul não é uma prioridade para esta nova Aliança, é um comando de projeção de forças que se faz em qualquer lado, porquê a insistência nesta bandeira?
Não se faz nenhuma insistência em particular. Há uma reforma em curso, há negociações e todos procuram preservar os seus interesses. Nós admitimos que tem de haver reforma na estrutura de comandos, dissemo-lo, mas isso não quer dizer que não se negoceie.

O sistema de defesa antimíssil que vai ser aprovado vai ser geral ou mais virado para Irão/Síria. Ele é necessário?
Não entro em detalhes técnicos. É um passo significativo que a Aliança dá identificar uma ameaça de desenvolvimento acelerado em algumas regiões com mísseis balísticos de médio e longo alcance que podem vir a ser preocupantes e desenvolver um sistema de segurança que santuarize o território da Europa e EUA de qualquer agressão desse tipo. Vem reforçar a cooperação em matéria de defesa entre os países da Europa e os EUA, além de que a natureza da sua negociação com a Rússia é outro elemento positivo. Essa negociação e cooperação podem ser fundamentais para que a cooperação entre a NATO e a Rússia se estabilize definitivamente e se encerre o período de tensão que prolongou a guerra fria durante alguns anos. Nessa perspetiva, o reforço do sistema de segurança coletivo na Europa é garantido pelo sistema de defesa antimísseis, assegurando que as fraquezas que o Ocidente evidencia noutros domínios não devem antecipar qualquer declínio ou debilidade estratégica a prazo em relação a outros polos emergentes no sistema mundial.

A maior parte dos jornalistas políticos olham para si nos últimos tempos dizendo que está cansado e desiludido
Não é cansado. Eu tenho 12 anos de atividade governativa, o que é, só por si, justificativo de alguma saturação, não direi cansaço. Aceitei vir para o Governo tendo em consideração também que podia trabalhar para garantir um lugar no Conselho de Segurança com a equipa que tinha. Achei que era muito negativo substituir essa equipa por alguém que não tivesse os laços de relação pessoal e política que pude construir e que foram muito importantes, reconheça-se, na bem-sucedida campanha para o Conselho. A entrada no Conselho dá grande visibilidade ao país. Foi um resultado muito expressivo, uma manifestação de apoio significativo. A circunstância de estarmos num período de grandes tensões internacionais, de estamos a sair de um período muito difícil, não estando garantida a plena recuperação da atividade económica a nível mundial, e havendo fatores de tensão preocupantes e sobretudo tensões geopolíticas muito sérias, dá ao papel dos Estados no Conselho de Segurança uma visibilidade muito grande.

Agora que conseguiu isso, já pode sair?
Não, eu já o disse, tenho sempre o lugar à disposição. O primeiro-ministro convidou-me para ministro dos Negócios Estrangeiros, no dia em que entender fazer uma remodelação, se o entender, este lugar está sempre à disposição. Não tenho nenhum apego particular aos lugares que desempenho. Faço-o sempre com sentido de serviço público.

Estava disposto a entrar num Governo de grande coligação?
Estava disposto a ceder o meu lugar para mais facilmente se conferir uma solução de estabilidade governativa. Aliás, sempre estive disponível para que isso fosse possível. Em governos de coligação, normalmente até o lugar de ministro dos Negócios E$strangeiros é de equilíbrio na repartição de funções ministeriais.

O primeiro-ministro já chegou a tentar isso com o CDS aqui há uns meses.
É provável.

Diz-se que Paulo Portas gostaria de estar no seu lugar.
Ele terá que responder por isso.

Olhando para a frente, na atual situação que o país vive, era a altura de se tentar um Governo de grande coligação ou de grande entendimento mais lato?
É sempre necessário isso, mas não sei se as circunstâncias o permitirão. Mas é importante que haja um acordo de estabilidade, um compromisso de boas maneiras, de respeito pelas dificuldades que o país conhece e por todos aqueles que procuram dar o seu melhor, mesmo cometendo erros aqui e ali. A democracia tem as suas regras, temos um primeiro-ministro eleito, com o apoio de uma maioria dos portugueses, há um calendário eleitoral, estamos até num momento em que não há condições para haver eleições, precipitar uma crise política ou manter latente, num taticismo mais ou menos oportunista, o desgaste do primeiro-ministro, do Governo, do PS, perante as dificuldades que o país vive num contexto absolutamente extraordinário. Podem imputar responsabilidades ao Governo, aqui e ali, mas é preciso ser sério e perceber que esta crise não é só nossa, está para lá de nós.

Só se resolve como, com um acordo?
Devia haver necessariamente um acordo que permitisse garantir condições de estabilidade que garantissem condições de confiança por parte dos mercados em relação À exequibilidade dos objetivos com que nos comprometemos. Não vejo como em 2011, com este ambiente permanente de campanha eleitoral, de disputa partidária, de confrontos muitas vezes oportunistas, como se podem os gerar as condições de confiança de que os portugueses precisam. Desde logo para acreditar no seu país e nas suas empresas, que os problemas vão ser ultrapassados e em todos aqueles que tem compromissos e com quem temos compromissos, designadamente os nossos credores, que nos emprestam dinheiro. Não perceber isto é pouco racional. Em política há momentos em que as emoções e questões pessoais e até os afetos se sobrepõem à razão, mas há momentos em que a razão tem de imperar. Tem de haver um esforço da parte de todos os principais atores políticos, das instituições, para compreender a gravidade da situação que temos pela frente, o esforço de coesão que é preciso garantir, o apoio que é necessário darmos uns aos outros, nas famílias, empresas e principais instituições, para que o país recupere as condições de dignidade, competitividade sem as quais ficaremos muito aquém do que representa a história deste país. Pela minha experiência internacional, pude recolher muitos sinais de respeito e consideração pela História do nosso país. Nunca teríamos tido o resultado que tivemos na votação para o Conselho de Segurança se não tivéssemos a memória histórica que o nosso país preserva em muitas das regiões que estão a afirmar-se como as mais importantes no mundo que aí vem. Se fôssemos capazes de reconstituir a relação histórica que temos com muitas dessas regiões, povos e economias, estaríamos seguramente em condições de poder garantir um futuro de independência e personalidade própria na Europa que estamos a construir. Mas, para isso, precisamos de arrumar a casa e ultrapassar as dificuldades que este difícil processo de ajustamento a uma zona de união monetária forte nos exige e isso exige também cooperação da parte de todos.

Versão integral da entrevista publicada na edição do Expresso de 13 de novembro de 2010, 1.º Caderno, páginas 4 e 5.

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O novo salário mínimo entrou em vigor. São mais €20 brutos para cerca de 350 mil portugueses (números do Ministério da Segurança Social, porque os sindicatos falam em 500 mil trabalhadores). Mudou o valor, mas também os descontos que as empresas fazem para a Segurança Social. Porque se trata de uma medida que afeta a vida de muitos portugueses, queremos explicar o que se perde e o que se ganha, o que se altera e o que se mantém.

Music fighter: temos Marco Paulo e Bruno Nogueira numa batalha épica

Está preparado para um dos encontros mais improváveis na história da música portuguesa? O humorista Bruno Nogueira e a cantora Manuela Azevedo, dos Clã, pegaram em várias músicas consideradas "pimba" - daquelas que ninguém admite ouvir mas que, no fundo, todos vão dançar assim que começam a tocar - e deram-lhe novos arranjos, num projeto que chegou aos coliseus de Lisboa e do Porto.  "Ninguém, ninguém", de Marco Paulo, tem possivelmente a introdução mais acelerada e frenética do panorama musical português. Mas, no frente-a-frente, quem é o mais rápido? Vai um tira-teimas à antiga?

Dez verdades assustadoras sobre filmes de terror

Este vídeo é como o monstro de "Frankenstein": ganhou vida graças à colagem de partes de alguns dos filmes mais aterrorizantes de sempre. Com uma ratazana mutante e os organizadores do festival de cinema de terror MotelX pelo meio. O Expresso foi à procura das razões que explicam o fascínio pelo terror, com muito sangue (feito de corante alimentar) à mistura. 

A paixão do vinil

Se para muitos o vinil é apenas uma moda que faz parte da cultura do revivalismo vintage, para outros ver o disco girar nunca deixou de ser algo habitual.

Portugal foi herdado, comprado ou conquistado?

Era agosto em Lisboa e, às portas de Alcântara, milhares de homens lutavam por dois reis, participando numa batalha decisiva para os espanhóis e ainda hoje maldita. Aconteceu em agosto de 1580. Mais de 400 anos depois, o Expresso deu-lhe vida, fazendo uma reconstituição do confronto através do recorte e animação digital de uma gravura anónima da época.

O Maradona dos bancos centrais

Dizer que Mario Draghi está a ser uma espécie de Maradona dos bancos centrais pode parecer estranho. Mas não é exagerado. Os jornalistas João Silvestre e Jorge Nascimento Rodrigues explicaram porquê num conjunto de artigos publicado no Expresso em Novembro de 2013 e que venceu em junho deste ano o prémio de jornalismo económico do Santander e da Universidade Nova. O trabalho observa ainda o desempenho de Ben Bernanke no combate à crise, revisita a situação em Portugal e arrisca um ranking dos 25 principais governadores de bancos centrais. Republicamos os artigos num formato especial desenvolvido para a web.

Com Deus na alma e o diabo no corpo

Quem os vê de fora pode pensar que estão possuídos. Eles preferem sublinhar o lado espiritual e terapêutico desta dança - chamam-lhe "krump" e nasceu nos bairros pobres dos Estados Unidos. De Los Angeles para Chelas, em Lisboa, já ajudou a tirar jovens do crime. Ligue o som bem alto e entre com o Expresso no bairro. E faça o teste: veja se consegue ficar quieto.

O Cabo da Roca depois da tragédia que matou casal polaco

Os turistas portugueses e estrangeiros que visitam o Cabo da Roca, em Sintra, continuam a desafiar a vida nas falésias, mesmo depois da tragédia que resultou na morte de um casal polaco, cujos filhos menores estavam também no local. Durante a visita do Expresso, um segurança tentou alertar os turistas para o perigo e refere a morte do casal polaco. O apelo não teve grande efeito. Veja as imagens.


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Aberrante,é o Ministro e no tapete está Sócrates
Se há uma qualidade que se exige a um Ministro dos Negócios Estrangeiros é a de ser discreto. E se ser discreto lá for,"no estrangeiro" é uma condição para se ser respeitado e ouvido,, cá "dentro" falar alto e bom som da fragilidade do governo e que se quer ir embora, é uma asneira grossa e a precisar de umas reguadas.
Sócrates,infelizmente.não está em condições de lhas dar e Luis Amado, acaba por dar do Governo, uma fotografia do estado a que isto chegou.
"Vivemos uma situação aberrante"
Um Governo,um lºMinistro, um Ministro.
Sócrates
A rua como destino: Sócrates
Re: Sócrates
Re: Sócrates
Re: Sócrates
Re: Sócrates
Re:
Re:
Errata
SÓ AGORA QUER COLIGAÇÃO????
Nos 4 ANOS DE MAIORIA ABSOLUTA do PS Sócrates DESGovernou esse País como um tirano. Agora com o País em ruína fala em coligação???

NUNCA se dignou a ouvir a oposição e agora que o navio afunda quer dividi-lo com a oposição? SÓCRATES e seus asseclas DEVIAM TER O MÍNIMO DE DIGNIDADE E ENTREGAR SEUS CARGOS, isso sim. Aqui temos 2 problemas: Sócrates quer continuar e a oposição não parece querer assumir o Governo... o que pode resultar em mais Sócrates no Poder e Portugal a acabar-se de vez.

A esperança: ELEIÇÕES EM MAIO/JUNHO 2011!
Ao aberrante Amado que já devia estar na RUA!
bocage
Um mono, vendo-se um dia
Entre brutal multidão,
Dizem que lhe deu na cabeça
Fazer uma pregação.

Creio que seria o tema
Indigno de se tratar;
Mas isto pouco importava,
Porque o ponto era gritar.

Teve mil vivas, mil palmas,
Proferindo à boca cheia
Sentenças de quinze arrobas,
Palavras de légua e meia.

Isto acontece ao poeta,
Orador, e outros que tais;
Néscios o que entendem menos
É o que celebram mais.

Luís Amado
Compreendo a sua desilusão, mas a atitude mais sensata era pedir a sua demissão após estas declarações.
Por um Portugal melhor
Ora até que enfim se encontra um politico intelegente e competente.
E esse o caminho a seguir uma coligaçao forte com todos os partidos todos a puxar para o mesmo lado poupa-se tempo muito milhões de Euros não é preciso campanhas elei torais e portugal sai a ganhar.
A propria Uniao Europeia têm de mudar suas politicas pois ja se viu são drasticamente erradas e se não as mudar a União Europeia vai-se partir aos bocados
Aberrante....
... aberrante mesmo é um Ministro das uma entrevistas destas...
"Óh Ricardo Costa", vá lá... com sinceridade, o que é que puseram na bebida do sr. Misnistro da Defesa para ele dizer estes disparates todos de uma só vez...
Parafraseando o CR7, será que também o sr. Ministro é como o ketchup? Quando começa a falar não para mais e os disparates saem todos cá para fora?
Enfim, mais um evidente sinal da desorientação do Governo, agora mais visivel que nunca.
Que lhe puseram na bebida?
Re: Que lhe puseram na bebida?
Governo em estilhaços
Segundo li noutro site o ambiente nos gabinetes governamentais soa a "um fim de ciclo"
Pode ler-se mais:
As querelas entre ministros e secretários de estado são o pão nossso de cada dia.
Sócrates comentou de que Teixeira dos Santos esteve mais próximo das posições de Cavaco Silva das do P. M..na elaboração do orçamento.
Ana Jorge e Luís Amado já manifestaram vontade de sair.
Meio governo está incompatibilizado com Teixeira dos Santos
Alberto Martins e João Correia, na Justiça, estão de costas voltadas há meses .
As relações no Ministério das Obras Públicas também já fôram melhores!
Palavras minhas: O Governo está em farrapos.
Sócrates já não REINA!
O fim de ciclo, só não terminou porque esta constituíção não o permite !
Perante tudo isto e o que mais não se sabe, como é que queremos debelar a crise ?
O que nos vai valer é a China e Timor e porque não Hugo Chavez ?
Re: Governo em estilhaços
Jura isso tudo, Sr Mosca?
Re: Jura isso tudo, Sr Mosca?
Uma equipa em que cada um joga para si.
O ministro dos negócios estrangeiros diz que isto está mau . Só agora viu ? Porque só agora fala? Isto etá péssimo há mais de 4 anos e o senhor andava destraido e agora , rapidamente viu o barco a ir ao fundo e lembrou-se que uma ajudazinha da oposição até dava geito .Então , digo ao seu arrogante e mentiroaso patrão que , primeiro se vá embora e depois o PS escolha um novo 1º . O ministro das obras públicas , que pertenceu á mesma fornada que o anterior é ainda mais BURRO que o seu anterior amigo . Cada vez que abre a boca é só bacoradas. O ministro das finanças , alinha noutra equipa , e fala de outra coisa que não de Portugal . Pensem bem o que era o presidente MADAIL , promover o CASCALHEIRA À 1ª DIVISÃO , devia jogar tão bem como estes ministros nos desgovernam . Nunca desejei que o tempo andasse tão depressa , para ver se chega MARÇO OU ABRIL e nos vermos livres quele Been Laden para o seu próprio país.
Falseis
Aberração, foi tomar atitudes sem as pensar primeiro.
Aberração, é não pesar bem todas as consequências daquilo que fazeis ou dizeis.
Aberração, é viverem numa liberdade sem responsabilidades.
Aberração, é o vosso comportamento baseado na retórica, na falsidade, nas promessas recorrentemente incumpridas.
Mas a maior Aberração, é não ter sido eu a escrever isto e gostava de ter sido.
aberrante de facto
a postura deste tipo, porém a condizer com o estado em que nos pôs, ele e os amigos. Vejam lá a generosidade e patriotismo: fiquem com a cadeira, eu não a quero. Pois! Agora que é o salve-se quem puder, toca de se baldar.Patriotico e decente era nem ter ido para o governo ou ter de lá saído há dois anos. Quem trouxe os russos para a NATO não me merece uma pinga de respeito. Fica na cadeirinha, e colhe o que semeaste, assim é que é.
traidor
este quer ser 1º ministro,demita-se, óu cale-se é como o das obras publicas não sabe o que diz
Aberrante é o Cavaco ...
... vir dizer que a crise portuguesa nada tem a ver com a irlandesa, porque os bancos portugueses não se entupiram com o "lixo tóxico" dos hedge funds (gosto da palavra, ficou gravada na minha mente quando fiz o cursinho de finanças) e quejandos ...

Ou seja, por outras palavras, se a "crise" portuguesa não foi provocada pelo lixo tóxico, então foi provocada por quê? Pelo salvamento do BPP e BPN das suas maravilhosas incursões em África?
Aberrante
Aberrante, camarada, Aberrante,
Junta a tua à nossa voz!
Aberrante, camarada, Aberrante,
E o sol brilhará para todos nós!
Culpados
Os politicos que nos governam com os seus boys são os culpados do deficite e agora temos que pagar todos.Baixaram 10% o ordenados e subiram 20% as despesas de representação. Xico espertice na Républica dos Bananas.
Razão tem o povo.
Quando o navio se afunda os ratos são os primeiros a quererem abandoná-lo.
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Edição Diária 17.Abr.2014

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