26/05/2012 atualizado às 1:56
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Lufthansa, IAG, Qatar Airways e Gol na rota da TAP

Lufthansa, IAG (BA/Iberia), Qatar Airways, Singapore Airlines, TAM e Gol poderão avançar com propostas de compra.

Margarida Fiúza (www.expresso.pt)
10:00 Quarta feira, 2 de fevereiro de 2011
Aviões, rotas, acordos bilaterais com o Brasil e Angola e o novo aeroporto de Lisboa podem fazer da TAP um alvo atrativo
Aviões, rotas, acordos bilaterais com o Brasil e Angola e o novo aeroporto de Lisboa podem fazer da TAP um alvo atrativo

A Lufthansa e o recém-criado grupo IAG - International Consolidated Airlines Group, que resulta da fusão entre a Iberia e a British Airways, são apontados como potenciais candidatos à privatização da TAP .

Apesar de as duas empresas não comentarem esta aproximação, o Expresso sabe que ambas terão manifestado interesse na companhia de aviação portuguesa, nas últimas semanas. Mas nem a TAP nem o Governo confirmam esta informação.

Também a brasileira Gol poderá estar interessada em participar no processo de privatização da TAP, segundo o jornal brasileiro "DCI". Incomodada com a associação entre sua grande rival, a TAM, e a chilena LAN, a Gol Linhas Aéreas estuda adquirir a empresa portuguesa de aviação, refere hoje aquela publicação.

Segundo fontes da própria Gol, a família Constantino, que controla a companhia, tem mantido contatos com o presidente da TAP, Fernando Pinto, com a intenção de adquirir a transportadora aérea portuguesa com fundos de capital de risco, noticia o "DCI". 

Fontes do sector acreditam que o futuro da aviação na Europa passará pela consolidação em torno de três grandes companhias correspondentes às três alianças: Lufthansa (Star Alliance), Air France/KLM (SkyTeam) e IAG (Oneworld). Nesse sentido, e como a TAP faz parte da Star Alliance, a integração com a Lufhansa seria mais fácil. Tal não obrigaria a alterações de rede e permitiria que se mantivessem as atuais sinergias. Ainda assim, Gavin Eccles, associado da consultora Neoturis, defende que "a TAP é pouco interessante para a Lufthansa enquanto companhia de aviação, porque a alemã não precisa de mais voos europeus". Mas pelo preço certo, adianta, poderá interessar-se, complementando a sua aposta no segmento de negócios no Brasil e em África.

Para João Moutinho, professor de ciências aeronáuticas no ISEG, Lufthansa, Air France/KLM e IAG apenas estarão interessadas na TAP numa perspetiva de não deixarem a companhia fugir para a concorrência. Nesse sentido, a Lufthansa poderá querer defender o seu território, lutando pelo trunfo que é a TAP.

A Air France/KLM "está a sofrer com resultados líquidos horrendos, por isso não tenho a certeza de que teria força financeira para tomar outra companhia", nota Gavin Eccles. Tudo indica que a companhia está agora focada num reforço na Alitalia, da qual já tem 25%.

O interesse no Brasil

É por isso que a venda da TAP parece fazer mais sentido em relação ao grupo IAG. O consultor da Neoturis recorda que, "durante anos, a Iberia deixou o Brasil em paz, apesar de estar presente na América Latina. Só recentemente é que a companhia começou a aumentar os voos de Madrid para São Paulo e Rio de Janeiro". A TAP pode ser atrativa para dominar o eixo Atlântico Sul, que já é estratégico para a Iberia.

A preocupação surge em relação ao novo aeroporto de Lisboa, que "deixaria de ser necessário. O aeroporto de Madrid tem um movimento de 50 milhões de passageiros por ano, mas tem capacidade para chegar aos 90 milhões. O IAG pode, pois, estar interessado em comprar a TAP, mas não precisará de um novo aeroporto - já tem Madrid", alerta o consultor.

Fora da Europa, e de acordo com a SIC Notícias, a Qatar Airways poderá ser o candidato mais recente à privatização da TAP. As negociações entre os governos dos dois países já estarão a decorrer, depois de o primeiro-ministro, José Sócrates, ter estado em visita oficial ao Qatar, para apresentar o plano de privatizações e reforçar a presença das empresas portuguesas naquele país do Golfo Pérsico. A companhia de bandeira do Qatar não comenta o assunto e fontes contactadas pelo Expresso acreditam que se trata de um falso alarme.

Contudo, para Gavin Eccles, "a TAP é muito interessante para a Qatar Airways, já que não tem parcerias nem na Star Aliance, nem na Oneworld, e quer posicionar-se no mapa global". Além de que "o Qatar tem as maiores reservas de gás do mundo, é muito rico em petróleo e há grandes ligações no Brasil na área do gás. É óbvio que precisa de ligações massivas ao Brasil, logo, uma companhia com mais de 70 ligações semanais para aquele país, como a TAP, torna-se atrativa".

Também a Singapore Airlines e a brasileira TAM são dadas como potenciais investidoras na TAP. A primeira poderá estar interessada em criar uma plataforma giratória (hub) intermédia entre o Médio Oriente e o outro lado do Atlântico. A companhia "tem 51% da Virgin Atlantic e quer comprar a totalidade para ligar Singapura à América do Norte. Nesse trajeto, entretanto, será preciso fazer uma paragem em algum lugar. Lisboa podia ser esse lugar. Tudo depende do que a Singapore quiser fazer com a Virgin", contextualiza Gavin Eccles.

A TAM poderá ser uma das surpresas neste processo. A companhia aérea brasileira, integrada na Star Alliance, está a preparar a fusão com a chilena LAN (que pertence à Oneworld). Se as duas se juntarem, o novo grupo terá de decidir em que aliança se manterá. "Se a TAP deixasse de voar para o Brasil, o país parava. A TAP é completamente dominante naquele mercado", afirma o consultor, que, por isso, realça o interesse da companhia brasileira na portuguesa.

Qual o modelo de privatização?

É no modelo de privatização que as fontes do sector contactadas pelo Expresso mais divergem. Apesar de alguns defenderem que apenas uma posição estratégica, mas não maioritária, na companhia deve ser privatizada, mantendo e reforçando o hub da TAP em Lisboa, outros são a favor da privatização a 100% do negócio do transporte aéreo, que inclui as rotas, os aviões e os acordos bilaterais com o Brasil e Angola.

Mas o modelo de privatização da TAP pode ser mais abrangente e contemplar uma participação no novo aeroporto de Lisboa. Pode haver investidores que se interessem pela TAP numa perspetiva de, mais tarde, concorrer à privatização da operadora aeroportuária ANA e ganhar concessões para a construção do novo aeroporto. Tudo depende do processo de privatização que o Governo vier a lançar e se o modelo adotado servir para privilegiar um investimento mais estratégico ou puramente financeiro.

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