Liliane Bettencourt com a filha Françoise Bettencourt-Meyers
Reuters/Charles Platiau
Liliane Bettencourt, herdeira dos cosméticos L'Oréal e detentora da terceira maior fortuna de França, pode sofrer de Alzheimer e vai ser colocada sob tutela, o nível mais elevado de proteção judicial.
Os advogados da milionária recorreram da decisão, mas esta diligência não suspendeu a medida.
A milionária, que faz esta semana 89 anos, fica sob tutela do neto mais velho, Jean-Victor Meyers, os seus bens e património passam a ser tutelados pela filha, Françoise Bettencourt-Meyers, e pelos dois netos, indicaram os advogados das duas partes após uma audiência em Courbevoie, na região parisiense.
Françoise Bettencourt-Meyers disse que a tutela não vai ter consequências para o grupo L'Oréal.
Pouco antes do início da audiência, um relatório médico sobre o estado de Liliane Bettencourt foi revelado no 'site' do jornal "Le Monde". Segundo este relatório, a herdeira do império L'Oréal sofre de demência e "de doença de Alzheimer numa fase moderadamente grave" com um "processo degenerativo cerebral lento".
Defesa pede anulação de perícia médica
Segundo fontes próximas da milionária, o relatório foi feito por médicos que acompanharam em junho um juiz à residência de Liliane Bettencourt, perto de Paris.
A defesa de Liliane Bettencourt pediu a anulação desta perícia médica e a justiça vai examinar o pedido a 10 de novembro.
Numa entrevista à publicação Le journal "du dimanche", Liliane Bettencourt ameaçou partir para o estrangeiro se a justiça decidisse colocá-la sob autoridade da filha. "Se isso acontecer, vou para o estrangeiro. Se a minha filha tomar conta de mim, vou sufocar", declarou, acrescentando que "o pior pesadelo seria depender de Françoise".
Escândalo político-fiscal
Há um ano, Liliane Bettencourt esteve no centro de um escândalo político-fiscal devido a um conflito com a sua única filha.
O diferendo teve origem num processo lançado por Françoise Bettencourt-Meyers contra o fotógrafo François-Marie Banier que acusou de ter abusado da fraqueza de Liliane para obter donativos da ordem dos mil milhões de euros entre 1990 e 2000.
O caso acabou por passar para terreno político, envolvendo o então ministro do Trabalho Eric Woerth e suspeitas de conflito de intereses e de financiamento ilegal.