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LLoret de Mar

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A experiência de Lloret enriquece nada, porque ali há nada. Minto. Há apartamentos, hotéis, bares, discotecas, que estariam devolutos não fosse a imberbe alma lusa. E há música electrónica, álcool, "chamon", sexo, desvario à solta.

A estância de turismo Lloret de Mar, na Catalunha espanhola, é bem conhecida de dezenas de milhar de jovens portugueses que todos os anos na Páscoa partem em romaria. Não entram na Isglesia Parroquial de Sant Romà para pagar promessas. Vão fazer uma espécie de via sacra pagã. Quem paga é a família. Às vezes algumas câmaras municipais, muito ou pouco endividadas, dão uma ajudinha à despesa.

A via sacra não é, para a maioria deles, mais do que um noviciado intensivo, em álcoois, pedras, ácidos, bases, sais. Ao contrário dos peregrinos, os álcoois são bem graduados. As pedras batem forte sem necessidade de fisga. Os ácidos são bem compostos em balanças de precisão. E se se ouve lá em casa "não sais para Lloret", da parte de pais assertivos, há drama de baba e ranho para finalista.

E o drama real é que, volta e meia, há mesmo finalistas. Acabam ali, à beira do Mediterrâneo, a viagem da sua vida. Foi o que aconteceu agora ao Vítor Mota, de 17 anos.

Não sabemos se foi acidente ou suicídio. O que sabemos - e pais, educadores ignoram, ou fingem ignorar, há muito - é que, e por esta ordem, aquelas são as primeiras causas de morte na adolescência.

Antes de terem conhecimento se terminam com sucesso o 12º ano, para prosseguirem estudos superiores ou entrarem no mundo do desemprego, os progenitores já lhe garantem um prémio. E com a aquiescência das escolas. Na esmagadora maioria dos casos, curada a ressaca e o estafanço, o prémio não é gordo. Mas foi divertido.

A experiência enriquece nada, porque ali há nada. Minto. Há apartamentos, hotéis, bares, discotecas, que estariam devolutos não fosse a imberbe alma lusa. E há música electrónica, álcool, "chamon", sexo, desvario à solta. Também deve haver bandos de jovens menos fogosos.

Barcelona, que está perto, não deixa de ser um tédio para gente novíssima que não vem de longe para ver, à pressa, um museu, uma catedral, ou um qualquer mono saído do lápis de Antoni Gaudi. Não há pachorra.

Em Lloret nunca sai a sorte grande. E infelizmente, não raro, sai o azar grande, voo incidental ou acidental de um 5º andar qualquer para o vazio.Muitos pais alegremente empenham coiro e cabelo para custear o devaneio. E, como agora em Castro Verde, o vazio ali fica num quarto onde dormia e estudava um filho que não terá futuro.

Não é fácil entender várias coisas. A maior parte dos jovens vão entregues a si próprios sem professores a acompanhá-los. E devidamente aprovisionados para estarem uma semana a beber até ao intestino, regurgitar, ouvir música tonitruante, engolir o que lhes agitar a mona até ao mais recôndito neurónio.

Aos 17 anos, ou menos, um jovem não tem maturidade psicológica e emocional para recusar excessos, sobretudo quando é o grupo a pressioná-lo. Dificilmente é capaz de dizer não a delírios.

E, não poucos, gostam de roçar a imortalidade. Sobretudo se tiverem quem assista e aplauda ébrios arrojos. Às vezes conseguem.

Para o ano há mais. E gente ávida de manchetes embebidas em sangue. Lloret de Mar vende na época baixa, no mínimo, notícias tristes.


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Falta de Castigo? isso é falta de EDUCAÇÃO
Tinha 15 anos e andava no 10º ano quando me juntei a um grupo de amigos e fui a Lloret na viagem de finalistas deles, 16 quando fui a Palma de Mallorca e 17 quando acabei o 12º e fui a Ibiza.
Em todas as viagens assisti a mesma coisa, crianças super protegidas mas sem educação e uma noção minima de valores, que vêm a oportunidade de se libertar!! Em Lloret por acaso o nosso grupo era "5 estrelas" e fizemos lá a mesma coisa que já faziamos em Cascais, tambem fomos ao PortVentura e a Barcelona (relembro sempre com um sorriso nos lábios a nossa insana busca pela Sagrada Famillia... giramos a cidade toda e quando lá chegamos... hora de ir embora!) Cinco putos completamente perdidos pelas ruas de Barcelona... para mim... mágico!
O que quero dizer é, a senhora não sabe do que está a falar! Esta a generalizar, e isto é feio... dai nasce a ignorância que cada vez mais nos caracteriza lá fora. Ignorância, falta de cultura, de informação, de educação foi isso que matou este jovem! Lloret? É apenas mais uma cidade.
Re: Falta de Castigo? isso é falta de EDUCAÇÃO
Ser Pai ou Mãe não é uma democracia
É cumprir um dever e ter autoridade para dizer "Não".

Mas quando os Pais parecem reféns dos filhos, quando se sentem "culpados" se não apaparicarem os meninos e lhes fizerem as vontadinhas todas, os Pais abdicaram do seu papel.

Quando os Pais passam a "colegas" dos filhos e dizem que "sim" a tudo, estão a hipotecar-lhes o futuro, a minar-lhes a capacidade de resistir às decepções da vida.

Não culpo os Pais, porque penso que algo se passa de muito errado com esta geração de Pais demasiado permissivos e que parecem ter medo dos próprios filhos.
Chega-se ao cúmulo de ver cenas degradantes em público, com fedelhos de tenra idade, a exigir de uns Pais encabulados tudo o que lhes apetece.

Porquê?
De que se sentem culpados os Pais para não mandarem calar imediatamente um fedelho berrante, ou mandarem um adolescente de castigo para o quarto e sem internet-iPod-ijogos-e- ai-de-ti-que-me-desobedeças???

Muitos dos adolescentes são filhos de quem já esteve em Lloret del Mar. Como é possível que os deixem ir?

Legado da geração "Maio de 68" ?
chegam...
...os ardinas da desgraça, os imaculados seres que nunca cometeram excessos! O melhor mesmo é também não deixarem os seus filhos irem para a praia no Verão, pois parece que morrem entre 5 a 15 jovens nas praias portuguesas todos os anos... um pouquinho mais relativamente aos 2 que faleceram em Lloret nos últimos 15 anos. Ai, a praia antro de pecado...

http://barbarraridades.bl...
Re: chegam...
para terminar
Os filhos do Sr. Quaresma( se os tiver), nunca cometeram ou cometerão excessos ou erros, não por serem perfeitos, mas porque são filhos do Sr. Quaresma! Pai responsável, com mais discernimento que todos os outros.
Deveria expor os seus conhecimentos enquanto pai e educador para podermos tornar este mundo tão perfeito como o seu.
Educar para a liberdade (e para a respeito)
Talvez porque sou Castrense (de Castro Verde, portanto), não compreenda o clima que se instalou nos comentários a esta crónica, nem a própria crónica em si; porque sinto que quase todos falam de culpas e pouco de dor; e muito menos de bom senso. Morreu um jovem, um vizinho. Teria certamente os seus defeitos, como virtudes. Tem uma família... que certamente lhe procurou sempre dar o melhor que pode e soube! Morreu um rapaz... deixou uma família destroçada e amigos, que também são meus amigos, desnorteados, sem saber o que pensar (todos com o carrasco das "culpas" a pender sobre as suas cabeças); amigos esses que não sendo perfeitos, não são os diabretes nem têm pais diabretes como aqui se pintaram. Antes de mais, acho que todos mereciam mais respeito! Compreendo o teor e a necessidade da crónica. Sim é imperativo que se pense e fale sobre o assunto, mas chamar-lhe LLoret ou Barcelona, "Tropics" ou "Batló" é ridículo. Porque há miúdos que ficam em coma alcoólico, e em overdose; que engravidam e contraem doenças sexualmente transmissíveis, mesmo ao nosso lado. A questão que se devia estar a discutir é a da educação para a liberdade. Porque embora não conheça a Andreissa Emygdio duvido que ela seja perfeita... e esteve em Lloret. Porque embora eu tenha sobrevivido à adolescência, também tive comportamentos desadequados à vista dum adulto "educado". Sinto que Educar é hoje MAL valorizado; deveríamos todos fazer um esforço para nos tornarmos adultos que mostram caminhos e ...
Re: Educar para a liberdade (e para a respeito)
Re: Educar para a liberdade (e para a respeito)
pais perfeitos, filhos perfeitos
Muitos destes adolescentes, são responsáveis e filhos de pais responsáveis. Lá haverá um caso ou outro menos responsável, é verdade. Mas como evitar um erro de percurso? Fechamos os nossos filhos em casa? Sim, porque os excessos cometem-se em qualquer local a qualquer hora.
Muitos dos adolescentes que se encontram a festejar em espanha, não só festejam porque tiveram excelentes notas mas porque trabalharam bastante e porque querem divertir-se com musica, festas, praias, alegria, a alegria da juventude, que infelizmente muitos já se esqueceram do quanto é bom.
Esta história faz-me lembrar as meninas de Odivelas. Guardadas numa redoma, num colégio interno, supervigiadas em plena clausura( agora já não). Pais, professores e directores da escola, pensaram durante anos que estavam a criar as pessoas perfeitas; mas pensavam mal porque afinal eram simples jovens adolescentes que cometiam os mesmos erros que as outras jovens. É sabido o que acontecia quando escapavam ao severo policiamento. A vida é assim mesmo.
Um adolescente quer divertir-se, aproveitar agora, enquanto pode.
O Sr. Quaresma culpa os pais deste jovem, mas ainda nem sequer sabe as causas da morte. Foi suicidio? Uma situação totalmente imprevisível nos jovens. Nunca saberemos quando é que isso pode acontecer, com quem e em que momento. Não seria preciso estar em espanha. Acidente? os acidentes ocorrem, falta saber que tipo de acidente( uma brincadeira parva, uma distracção?). ...
Live a little
Parei na primeira frase. Sexo, música e desvario não enriquecem a vida? Tá bem. Não sabia que tinha acabado de entrar no cantinho do lar sénior.

(aliás, acho que nem num bom lar sénior o ambiente é tão deprimente)
Saia um Óscar para a Sta padroeira (o) da
Educar para a liberdade 2
(continuação) as suas consequências; adultos que ajudam a compreender este mundo complexo e a tomar decisões; adultos que estão presentes quando as coisas correm bem (reforçando) e quando correm mal (para cuidar as feridas - primeiro; para ajudar a refletir e mudar comportamentos - segundo; para castigar ou repreender - terceiro).
Aos pais deste rapaz deixo o meu silêncio e empatia pela perda. Aos amigos, deixo a força possível e os votos de que se tornem adultos melhores do que eu.
O que tem a escola a ver com isto?
Sobre este assunto, a primeira questão que quereria abordar é a referência, quási sempre semi-indignada, a que "não vão acompanhados de professores...", como se a escola e as funções que esta serve tivessem, ainda que remotamente, algo a ver com estes circuitos delirantes alcandorados já ao estatuto de praxe. Posto isto, a tolerância social,quasi criminosa, com que este tipo de assuntos são abordados entre nós, nomeadamente pelos órgãos de comunicação social, é confrangedora - tudo empurrando pais e familiares, porventura já propensos a excessos de permissividade, tão presentes no ar do tempo, para contemporizarem mais ou menos apreensivos, com tais aventuras. E depois, quando ocorrem dramas como este, que não há-de ser o último, vimos todos lamentar o ocorrido, de autarcas a público em geral, acompanhando protocolarmente a dor sem nome das famílias, continuando sem cuidar de modificar o caldo de cultura em que tudo isto ocorre, sem cuidar de ajudar os pais a manterem-se firmes, saberem dizer não quando é preciso, distrinçarem entre bons e maus hábitos e formas de recreio. Porque será que guardo a sensação de que um conjunto de interesses materiais -turísticos, comerciais, etc., não são estranhos a tais cumplicidades?
Nunca fui a esse sítio!
Nem levo muito a sério aquilo que vejo nas TVs acerca dos comportamentos "excitados" dos adolescentes.
O que preocupa é, como diz o vizinho de cima Francisco pp, é que "há miúdos que ficam em coma alcoólico, e em overdose; que engravidam e contraem doenças sexualmente transmissíveis,,,"!
Ora estas coisas, independentemente das mortes por acidente ou suicídio, são "acidentes" que estragam muitas vezes o futuro desses jovens.
Saber o que leva estes jovens com formação a correr riscos graves com consequências muitas vezes irreparáveis sobre as suas vidas, é o que nos deve levar a meditar sem entrarmos em acusações sobre "excessos".
E aí a responsabilidade dos pais é total pois parece-me que ainda não mudou a regra da natureza de serem os pais os primeiros a terem o dever de proteger e preparar os filhos contra as armadilhas da vida!

Moralidade balofa
Sem desrespeito para o rapaz que morreu e a sua família, acho que este texto nao diz nada e o que diz é daquela moralidade balofa de vir com soluçoes e criticismos depois das coisas acontecerem.

Se calhar os > deviam ser escoltados pelos pais até aos trinta.
L LORET DE MAR
PARABÉNS PELA DENÚNCIA ...SE É QUE AINDA HAVIA ALGUÉM COM DÚVIDAS !...
A APRTIR DAQUI SERÃO OS PAIS E PROFESSORES E TODOS OS QUE FINANCIAM ESTA INICIAÇÃO NA MARGINALIDADE, QUE DEVERÃO SER RESPONSABILIZADOS PELAS MORTES QUE VIEREM A OCORRER !
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