26/05/2012 atualizado às 1:56
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Livro sobre Justiça junta Pinto Monteiro, Marinho Pinto, Carlos Cruz e Isaltino

Bastonário dos advogados critica Ministério Público durante o lançamento do livro "Justiça à Portuguesa", que traça um retrato negativo do sistema judicial e inclui entrevistas a dois arguidos famosos.

Micael Pereira (www.expresso.pt)
19:20 Quarta feira, 21 de outubro de 2009
Os irmãos Contumélias com Pinto Monteiro durante a apresentação do livro
Os irmãos Contumélias com Pinto Monteiro durante a apresentação do livro
Luiz Carvalho

Depois de "Polícia à Portuguesa", publicado no ano passado pela editora Livros d'Hoje (grupo Leya), os irmãos Mário e Fernando Contumélias pegaram na fórmula, adaptaram-na e escreveram "Justiça à Portuguesa".

O resultado é um conjunto coloquial e vivo de 22 entrevistas, que se lêem a grande velocidade, feitas a gente conhecida, uma parte dela com responsabilidades na matéria, mas a que se juntam algumas surpresas pelo meio, como o humorista Nilton, capaz de dizer coisas sérias: "A Justiça anda aliada ao país, sem uma Justiça decente não se consegue ter um país decente".

Na sessão de lançamento, terça-feira, numa sala do CCB chamada Amália Rodrigues, dois dos mais mediáticos entrevistados pelos irmãos Contumélias sentaram-se à mesma mesa para ajudarem na apresentação da obra.

Marinho Pinto e os métodos de Pinto Monteiro


Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, não se intimidou com a presença de Pinto Monteiro e voltou a criticar o recurso a buscas a escritórios de advocacia promovidas pelo Ministério Público, numa alusão às diligências realizadas para o processo-crime Freeport e, mais recentemente, no caso dos submarinos, dizendo que se trata de "uma perversão do Estado de direito democrático" porque violam o princípio de sigilo profissional entre advogados e clientes.

O livro em si, já se adivinhava, tem um tom muito negativo e crítico. "Temos uma Justiça assimétrica nos seus julgamentos; que julga (tantas vezes) em função da pressão exercida pelos meios de comunicação de massas, ou por cedência a diferentes poderes que se movem por entre as sombras, no poder", escreve Fernando Contumélias no prefácio.

Sistema judicial frágil


Todos se queixam, sobretudo do vizinho do lado. O caldo conseguido com o conjunto de entrevistas a procuradores, juízes, advogados, arguidos e outsiders é revelador da fragilidade e permeabilidade do sistema judicial, havendo um especial enfoque posto pelos autores em tentar perceber até onde vai a influência da imprensa e de organizações semi-secretas como a Opus Dei e a Maçonaria.

O que resultou nalgumas passagens engraçadas, como numa conversa com o coronel Oliveira Marques: "Perdoe a indiscrição, é maçon? 'O que espera que eu lhe responda? Se digo que não, o senhor olha para mim; se eu digo que sim, fica a olhar para mim da mesma maneira'".

E, depois, umas linhas à frente, olhando para o vizinho do lado: "Há membros da Opus Dei que tentam, a todo o custo, fazer integrar pessoal dentro das empresas; a Opus Dei não tem nada a ver com a atitude social da Igreja católica, a Opus Dei é o lucro, lucro, e mais lucro".

"A justiça não é para os poderosos"


Uma das entrevistas mais curiosas foi feita a Isaltino Morais, em que este fala da forma como se sentiu perseguido por Marques Mendes. Na altura, o presidente da Câmara de Oeiras ainda não tinha sido condenado a sete anos de prisão efectiva (nem tinha sido reeleito). Além de ter a experiência de arguido, Isaltino Morais também já foi procurador, o que faz de si o único entrevistado a conhecer por dentro os dois lados.

Contrariando a maioria dos restantes testemunhos, que falam de uma Justiça para os ricos e outra para os pobres, o autarca diz no livro que "a Justiça não é para os poderosos, isso não é verdade. Quando a Justiça trata de maneira diferente figuras mediáticas, obviamente que está a violar os direitos dessas pessoas".

E Isaltino Morais argumenta com o que se passou consigo: "Começaram por me condenar num julgamento popular em praça pública, sem direito a defesa. Depois disso, que margem restava aos tribunais para o exercício da isenção na avaliação do meu processo? Primeiro inventaram o monstro na comunicação social e depois justificaram a acusação por aquilo que os jornais diziam."

Justiça posta em causa


Para Carlos Cruz, arguido que ainda está a ser julgado pelo caso Casa Pia, um dos maiores problemas da Justiça em Portugal é esse: a produção de prova. "Quando estou a falar de provas, estou a falar de provas honestas, porque o número de falsos testemunhos a que assistimos é assustador. É assustador! Mas os juízes estão treinados para ver se a testemunha está a mentir ou não? Ok! Então, se estão treinados, se acham que ela está a mentir, há que avançar com um processo de perjúrio. Porém, tirando agora o caso das falsas alegações da Teresa Costa Macedo, em que o Ministério Público avançou, não conheço mais nenhum processo por perjúrio. E assisti a testemunhos absurdamente mentirosos".

A questão essencial é posta por Pinto Monteiro, num testemunho que tenta ser mais equilibrado (dizendo que, ainda assim, estamos melhor do que os espanhóis, franceses e italianos): "Neste momento, o cidadão não acredita na Justiça e esse é, digamos, o pior mal de que padece a Justiça". Um mal que também atravessa todo o livro.

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Até os criminosos dizem mal!
NãoHáInocentes (seguir utilizador), 2 pontos , 8:51 | Quinta feira, 22 de outubro de 2009
O que verdadeiramente dói não é o estado da Justiça. O que verdadeiramente dói é ver que até criminosos se acham suficientemente idóneos para criticar a Justiça e que a cambada de idiotas que constituem a opinião pública deste país ainda batem palmas!
Inacreditável!
 
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Livro sobre Justiça
crise (seguir utilizador), 1 ponto , 19:54 | Quarta feira, 21 de outubro de 2009
Balelas e tretas ... tudo na mesma...
 
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CRUZ
graçalbi (seguir utilizador), 1 ponto , 20:43 | Quarta feira, 21 de outubro de 2009
Ao carlos cruz das duas uma:ou NUNCA soube o que é honestidade ou,por se ter alistado no grupo daqueles que alguém designou por PILHA GALINHAS se esqueceu dessa referencia de vida.Mas quem é este tipo para vir AGORA falar de HONESTIDADE?
 
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    Re: CRUZ    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 23:23 | Quarta feira, 21 de outubro de 2009
A fina flor
Xelex (seguir utilizador), 1 ponto , 21:12 | Quarta feira, 21 de outubro de 2009
Dois têm a mania que são os arautos da pureza e da justiça, os outros dois são a pura da inocência.
Só falta um baralho de cartas, porque a equipa foi toda escolhida a dedo.
 
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UM REGIME PANTANOSO
DANAMONA (seguir utilizador), 1 ponto , 23:55 | Quarta feira, 21 de outubro de 2009
QUE SALADA RUSSA ANDA POR AQUI!!!

Este Portugal da ABRILADA!!!!!
 
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    Re: UM REGIME PANTANOSO    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 2:09 | Quinta feira, 22 de outubro de 2009
É preciso dizer mais?
Tito D'alva (seguir utilizador), 1 ponto , 0:07 | Quinta feira, 22 de outubro de 2009
"Neste momento, o cidadão não acredita na Justiça e esse é, digamos, o pior mal de que padece a Justiça(Portuguesa)"... E se, disser-mos que, a culpa é dos espanhóis, franceses e italianos, então?!!!
Somos todos, Bons Rapazes, heim?
 
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    Re: É preciso dizer mais?    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 2:07 | Quinta feira, 22 de outubro de 2009
Esqueceu-se do outro...
Melga007 (seguir utilizador), 1 ponto , 4:04 | Quinta feira, 22 de outubro de 2009
Esqueceu-se do procurador especialmente nomeado para o caso da queda da ponte de entre-os-rios...

 
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Tudo fica na mesma!!!!
costinha79 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:32 | Quinta feira, 22 de outubro de 2009
Eles falam, falam, escrevem, escrevem mas não os vejo a fazer nada de útil!!! É preciso é protagonismo, tempo de antena e atenção, para todos andarem felizes e contentes!!!!

No entanto, a ineficiência, a inércia e a burocracia do sistema judicial perdura e o zé povo é que sente na pele!!!!

Estes senhores não percebem é que, o modelo judicial actual afecta muito mais do que o zé povo, afecta a economia, a segurança. a viabilidade e a sustentabilidade futura deste país!!!!

Este país só se desenvolverá se conseguir crescer economicamente e para isso acontecer é preciso captar investimento nacional e estrangeiro com capacidade exportadora!!!!

Eu pergunto, que empresa está interessada em investir neste país com um sistema judicial destes??? Que segurança lhe garantem????

ASSIM NÃO VAMOS LÁ!!!!!
 
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Quando se assiste a isto
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:35 | Quinta feira, 22 de outubro de 2009
Não à mais palavras para qualificar esta élite.
 
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