26/05/2012 atualizado às 1:56
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Linha Saúde 24: Operador não cumpriu objectivos

Relatório da Direcção-Geral da Saúde refere que a empresa privada ficou 32% aquém dos objectivos definidos, mas esta semana o Ministério da Saúde renovou o contrato por mais um ano. Hoje, a Linha de Cuidados Saúde substituiu o administrador-executivo.

Vera Lúcia Arreigoso
16:27 Sexta feira, 29 de maio de 2009

A empresa que há dois anos assegura o funcionamento da Linha Saúde 24 não cumpriu os objectivos definidos no contrato assinado com o Estado, mas vai manter-se até 2011.

A decisão foi conhecida no início da semana e, um dia depois, a Linha de Cuidados Saúde (LCS) - do grupo Caixa Geral de Depósitos - despediu a enfermeira supervisora que há oito meses denunciou a existência de um "caos organizativo". O operador diz tratar-se de "uma coincidência de datas e prazos legais". Hoje,  foi a vez de afastar o administrador, requerido para outros projectos. 

O Ministério da Saúde justifica a prorrogação do contrato com a qualidade do serviço da LCS, atestada no último relatório de avaliação, de 18 de Maio, realizado pela Direcção-Geral da Saúde . Contudo, no mesmo documento - a que o Expresso teve acesso - , é referido que "nos primeiros dois anos de actividade, o operador facturou menos 32% do que seria expectável no caso base apresentado no âmbito do contrato".

A LCS recebeu perto de 16 dos 23 milhões de euros orçamentados. A factura cobrada ao Estado foi menor por que a actividade não chegou aos níveis inicialmente previstos. "É verdade. Demonstra que as projecções do concurso foram muito optimistas, no entanto, a empresa tem vindo a afectar campanhas de sensibilização de promoção do serviço, permitindo desta forma a penetração na sociedade como foi idealizada inicialmente como apoio do Serviço Nacional de Saúde", disse ao Expresso fonte da LCS.

O Ministério da Saúde não deu qualquer esclarecimento sobre este ponto do relatório, limitando-se a repetir os aspectos positivos: "A Linha Saúde 24 tem uma grande adesão por parte da população, com mais de dois mil contactos diários; a eficácia do atendimento está muito acima dos 85% contratualizados, possui uma grande qualidade no atendimento que presta - o que é monitorizado intensivamente pela DGS - , a satisfação dos utentes com os serviços prestados é elevada (o inquérito à satisfação realizado recentemente demonstra que 97%  dos utilizadores estão satisfeitos e que 98% recomendaria a Linha) e há equilíbrio na relação custo/benefício da Linha para o Estado".

Sobre os conflitos laborais, a empresa e a tutela acreditam estarem resolvidos. Contudo, a enfermeira agora despedida diz o contrário. "Vou para o Tribunal de Trabalho e escrever aos grupos parlamentares e à Ordem dos Enfermeiros", diz Ana Rita Cavaco. A enfermeira explica que não irá recorrer à ministra da Saúde ou ao director-geral da Saúde por que "eles conhecem bem o processo".

Ana Rita Cavaco integrou o grupo de nove enfermeiros supervisores que iniciaram a Linha Saúde 24 em Lisboa e que denunciaram a existência de um "caos organizativo" que levou à intervenção do próprio director-geral da Saúde, Francisco George, a uma inspecção da Autoridade para as Condições do Trabalho - ainda em curso - e de vários deputados do Parlamento.

O Bloco de Esquerda já fez saber que quer explicações da ministra Ana Jorge sobre este despedimento. Segundo a LCS, Ana Rita Cavaco foi dispensada por ter "violado de forma grave e reiterada os seus deveres contratuais e profissionais para com a empresa" e acrescenta: "Apesar da qualidade do serviço da empresa e da satisfação dos utentes ser comprovadamente excelente, a senhora enfermeira tem vindo constantemente a adulterar esta evidência".

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Estranho caso este...
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 0:59 | Sábado, 30 de maio de 2009
Contradições e mais contradições.

Operador não cumpre objectivos, mas a satisfação dos utentes com os serviços prestados é elevada...

Havia um "caos organizativo", mas "a eficácia do atendimento está muito acima dos 85% contratualizados..."

Á cautela, no meio das dúvidas e incertezas, despede-se o portador das más notícias, ou seja, a enfermeira supervisora que denunciou a existência de um "caos organizativo" .

Com 23 milhões de euros pagos pelo contribuinte, convinha que isto funcionasse bem e, de preferência, de forma transparente.

Realmente, a "ASAE" da saúde faz muita falta!
 
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