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"A beleza dura 5 minutos"

Falámos com Monica Bellucci na véspera da actriz e um dos rostos da Dior soprar 45 velas. A diva italiana garante que se sente hoje muito mais bela do que há 20 anos. E mais feliz.

Katya Delimbeuf (www.expresso.pt)

Mónica Bellucci senta-se ao meu lado - à minha esquerda, para ser mais precisa. Não, não é um sonho, apesar da mulher o ser. A diva italiana, actriz de filmes como "A Paixão de Cristo" ou o polémico "Irreversível", está sentada na cadeira ao lado, numa mesa redonda de entrevistas, com meia dúzia de jornalistas internacionais, no Hotel Plaza Athenée. É mais magra e mais alta do que aparenta nas fotografias. O cabelo longo, esticado, e a franja compõem o visual desta mulher que guarda uma distância sem ser distante, e que se tem dificuldade em situar entre o reservado, o tímido ou o longínquo. Veste um elegante vestido cinza, justo na cintura, a evidenciar-lhe a linha, e garante que não faz "absolutamente nada" para a manter. Nem ginástica, nem dietas, já que detesta a ideia de uma vida formatada, cheia de regras e coletes de forças. Tyen, o director artístico da Dior, amigo de Mónica há 20 anos, sentado frente a ela, afiança que ela come pizza e chocolates sempre que lhe apetece. Que não há de ser assim tantas vezes, imagina-se, a fazer fé no corpo que revelam as fotografias desta mulher de 44 anos... Na verdade, 45. A conversa decorreu na véspera do seu aniversário. Bendita genética...

Por que aceitou, em 2006, ser um dos rostos da Dior, e como se sentiu?

Quando a Dior me convidou, senti-me muito honrada, porque além de ser actriz, sou mulher - e ainda por cima, já tinha 40 anos e tinha acabado de ser mãe. O facto de a Dior escolher uma mulher adulta para a representar fez-me admirar o conceito de beleza da marca. Acho a mensagem muito forte: é uma prova de respeito pelas mulheres, independentemente da sua idade.

O que é para si a beleza?

Vou parafrasear Óscar Wilde: a beleza dura cinco minutos. Se não houver algo forte por trás, não sobra muito. Nas fotografias, como nos filmes, gosto de me abandonar ao fotógrafo, não sou de controlar todo o processo, prefiro surpreender-me com o resultado. Há 20 anos que Tyen (o director artístico da Dior, fotógrafo e responsável pela maquilhagem da marca) e eu trabalhamos juntos - e não sei se ele conhece melhor a minha cara ou a minha alma.

Como lida com o envelhecimento, sendo uma figura pública conhecida pela sua beleza, com contratos de marcas de beleza?

A idade não é um problema para mim. No outro dia, olhando para fotografias minhas feitas pelo Tyen, há 20 anos, achei que estava muito melhor hoje. Pelo menos, sinto-me muito melhor. Mais feliz. Nos dias de hoje, ser uma mulher adulta é uma coisa maravilhosa. Se se tiver 40 anos, podem ter-se filhos, vê-los envelhecer... Esta obsessão pela juventude não me afecta.

Tem algum segredo de beleza? Faz ginástica, ioga, tem cuidado com a alimentação?

Não bebo nem fumo. Tento dormir bem. Mas não vou ao ginásio... Detesto controlar as coisas, ser um soldado com horas para tudo. Não acredito em nada disso.

Teve um ano profissional cheio. Acaba de filmar "The Private Lives of Pipa Lee", de Rebecca Miller, ao lado de Robin Wright Penn, e "O Aprendiz de Feiticeiro", de Jon Turteltaub, ao lado de Nicolas Cage. Para o ano, estreiam também "Get it at Goode's", uma comédia de Bruce Beresford, e "1:30 Train", de Joel Schumacher. Também já trabalhou com realizadores como Mel Gibson, na "Paixão de Cristo", com Giuseppe Tornatore, em "Malena". Que desafios ou que realizadores ainda a seduziriam?

Tenho tido sorte. Mas nunca telefonei a um realizador a dizer: 'Adorava entrar num filme seu'. Prefiro esperar que venham até mim. Tenho muitos projectos para o futuro, dos quais ainda não posso falar. Posso adiantar, no entanto, que comprei os direitos de um livro, que acho que poderá dar um belo filme.

O que a fascina, neste momento?

As crianças. Desde que fui mãe, tudo é mais belo e mais simples - porque o centro deixou de ser eu. Ter uma criança ajuda-te a crescer. E como mulher, dá-te equilíbrio. Desde que a minha filha existe, nunca mais estive triste.

Em que é que a vinda da sua filha alterou a sua rotina de trabalho?

A minha filha Deva viaja comigo para todo o lado. Fiz dela uma pequena cigana. Inclusivamente rodei um filme enquanto estava a amamentar. Já fala três línguas, adora maquilhagem e o 'set' de filmagens.

É uma mãe descontraída ou uma 'mamma' italiana, tradicional?

Muito tradicional. Quero que ela durma bem, que coma bem...

Por que decidiu dar um nome indiano à sua filha?

Não sabia que era um nome indiano (significa "criatura dos céus"). Achava que era um nome italiano antigo.

Pensa ter mais filhos?

Não sei, acho que isso não se planeia. Posso dizer que neste momento me sinto sortuda, porque tenho uma óptima família, tenho uma paixão, que é o meu trabalho... Sinto-me uma mulher completa, feliz.

Esteve em Portugal recentemente (há dois anos) a rodar um anúncio. O que achou do país?

Adoro Portugal. É selvagem. Sinto-me livre. A comida é óptima. E o meu marido (o actor Vincent Cassel, com quem é casada há dez anos) fala a língua.

Como gere a distância do seu marido durante longos períodos?

Estou habituada a essa dinâmica, de estar separada dele durante dois meses, a filmar noutro país, e depois de estarmos juntos durante outro período. É algo que fazemos desde sempre.

Que cor teria a sua vida actual, se tivesse que escolher?

Vermelha.