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“Portugal é o meu território”

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Em declarações exclusivas ao Expresso, o vice-presidente sénior da Sony Computer Entertainment para o sul da Europa dá a conhecer os seus planos para Portugal e o que espera da evolução dos videojogos

James Armstrong responde pelo mercado português

James Armstrong responde pelo mercado português

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Encontrámos James Armstrong satisfeito. A sua apresentação enquanto vice-presidente sénior da Sony Computer Entertainment para o sul da Europa tinha sido recebida com entusiasmo pelo público. Numa altura em que a indústria dos videjogos tem cada vez mais diversidade e as possibilidades tecnológicas abrem questões relativamente ao caminho a seguir, falámos com o responsável máximo pelo mercado espanhol e português no início da Madrid Games Week para perceber o que esperar para o futuro e o papel que Portugal pode desempenhar neste meio.

Qual é a sua expectativa para este tipo de eventos?
Quero sempre que sejam um sucesso. Que ajudem a indústria a crescer, não só aqui mas também em Portugal, porque o que fazemos é para toda a Península Ibérica. Já estamos a olhar para a Lisbon Games Week daqui a umas semanas. Queremos que os videojogos e a marca Playstation continuem a crescer nestes países.

O que espera que crie mais expectativa junto do público?
Apresentamos uma série de desenvolvimentos com os quais estamos muito satisfeitos. Produtos de software como o Uncharted 4 e o lançamento dos anteriores jogos da série para a Playstation 4. Quero destacar também a introdução do Playstation Talents, uma plataforma única que pretende dar um salto qualitativo no desenvolvimento de jogos, através da junção de futuros talentos, formação académica, prémios, incubadora e alianças com estúdios mais pequenos. Vamos lançar agora em Espanha e que pretendemos alargar para Portugal com um programa semelhante. É algo em que estamos muito focados. Sem esquecer a Liga Playstation, a nossa competição online que já movimenta milhares de pessoas também em Portugal.

Sempre que tem possibilidade, afirma que Portugal "é o melhor mercado do mundo" para a Sony. Porquê?
Não é exatamente o melhor mercado, porque a população é pequena para que se consiga ter uma grande relevância a nível global. Mas é o mercado onde a Sony e a Playstation têm o melhor valor de marca de qualquer sitio do mundo. É o meu território, estou muito orgulhoso, é incrível que aí tenhamos atingido níveis de apreciação, valorização e domínio de mercado como não temos em mais nenhum lado do mundo. É excecional. Mesmo com o impacto da crise, as vendas de PS4, por exemplo, são significativas para a dimensão.

Qual é a razão deste domínio?
O sucesso em Portugal está relacionado com o perfil do consumidor. Levámos práticas aplicadas inicialmente em Espanha, mas que em Portugal resultaram melhor. É uma população mais jovem que compra os nossos produtos, ao contrário do que acontece na maioria dos países. Dá para apelar mais às famílias e a outro tipo de valores. E isso dá-nos mais possibilidades. A lealdade à marca é muito grande e isso dá-nos uma quota de mercado muito superior.

Como olha para os resultados de venda da Playstation 4 na Península Ibérica?
A Playstation 4 em Portugal e em Espanha tem crescido mais 40% este ano em comparação com o anterior. O nosso objetivo é que os donos da PS3 troquem mais depressa para a PS4 e acho que estamos a conseguir fazer isso melhor. Por exemplo, o ano passado tinhamos 60% de vendas do FIFA para PS3 e este ano já desceu para 20%. Começa a ser cada vez mais provável essa mudança.

Que mudanças vê entre o passado e o presente da indústria?
A maior diferença sente-se no consumidor. Nos países do sul da Europa sente-se isso claramente. Há 20 anos o público era menos informado. Atualmente, uma pessoa em Lisboa sabe tanto como alguém em Nova Iorque, isso é algo essencial e reflete-se na comunicação que fazemos e na crescente importância que a nossa indústria tem assumido.

Como olha para a evolução do setor dos videojogos?
A indústria está a crescer numa série de países. Tendo em conta as dificuldades que a venda de outro tipo de software vive, a indústria está a dar sinais de força, com a própria Península Ibérica a mostrar números muito interessantes. Há muita gente a mudar e a interessar-se mais. Temos que perceber como aproveitar este crescimento.

O que o entusiasma mais para o futuro?
Estou ansioso pelo que as novas funções da PS4 podem oferecer e, em grande parte, pela Playstation VR (realidade virtual). Mas o que estou mais interessado é ver a Playstation ser a plataforma mais inovadora no tipo de experiências que os consumidores querem e vão querer.

Já esteve na sétima arte e agora trabalha neste sector. Como foi essa mudança?
Durante muito tempo trabalhei no cinema e nos videojogos ao mesmo tempo, algo que deixei de fazer há seis anos. Mas não tenho dúvidas de que a oportunidade que tive de desenvolver e consolidar a marca neste território foi a melhor experiência da minha vida e algo que me tem dado imensa satisfação.

E jogar é algo que aprecia?
Gosto de jogar. Claro que as pessas às vezes esquecem-se de que tenho mais de 60 anos e falta-me a disposição de anos passados. Mas, de vez em quando, ainda gosto de me divertir um pouco, sobretudo com jogos de desporto. E quando tenho tempo aprecio jogar com o meu filho.

[O Expresso viajou para Madrid a convite da Sony Computer Entertainment]