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Saúde

O que significa o envelhecimento para o tratamento da SIDA

António Vaz Carneiro, Teresa Branco, Gonçalo Lobo, Joaquim Oliveira e Miguel Gouveia no debate de apresentação do estudo "O impacto do envelhecimento nas pessoas com VIH - perspetivas presentes e desafios para o futuro"

Tiago Miranda

A apresentação de um estudo pioneiro em Portugal sobre o impacto do tratamento do VIH numa população alvo que envelhece da vez mais foi o mote de um debate na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa com o apoio do Expresso

Até 2020, estima-se que nos países de rendimento elevado o número de pessoas seropositivas chegue aos 2 milhões, mais do dobro que em 2010. É um dos números fortes do arranque do estudo que procura abrir o véu sobre o que podemos esperar para o tratamento da epidemia nos próximos anos, quando a transição de doença (só) letal para (na maior parte das vezes) crónica começa a surtir efeito.

Com o título de "O impacto do envelhecimento nas pessoas com VIH - perspetivas presentes e desafios para o futuro", o estudo foi apresentado esta manhã na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (em parceria com o Expresso) como um passo pioneiro em Portugal na prespetiva de perceber o que o tratamento da doença em idades mais avançadas, implica. "Quisemos combinar este lado científico com a evidência da vida real", contou um dos co-autores, António Vaz Carneiro.

O trabalho sustenta que à medida que a esperança média de vida das pessoas com SIDA aumenta, as doenças associadas vão aumentar em proporção maior ao que se verifica no resto da população, o que exige medidas por parte de todos os agentes ligados ao sector da saúde. Um campo onde o estigma ainda desempenha um papel fulcral que leva muitos doentes a não quererem ser identificados. Há "necessidade de normalizar esta doença para a tornar igual às outras", atira Teresa Branco, da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da SIDA.

Gonçalo Lobo, presidente da Abraço, acolheu com satisfação a realização e possível impacto do estudo e lembrou que "não pode haver uma solução única" para resolver os problemas levantados. Varia sempre de comunidade para comunidade, se bem que Joaquim Oliveira, do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra, deixou a ressalva que "a mobilização de recursos locais ainda é um obstáculo."

Para o outro co-autor do estudo, Miguel Gouveia, é preciso deixar bem explícito que "a maneira mais fácil para um mau gestor justificar aumento de custos é o envelhecimento" e que, mesmo com o que o tratamento do VIH significa, tal nunca pode ser desculpa. Desafios e obstáculos agora identificados para serem solucionados.