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Saúde

Tuberculose já mata mais do que a sida

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Francisco George, diretor-geral da Saúde, reconhece que "a luta não pode abrandar", porque os distritos do Porto e de Lisboa continuam a ter incidências de tuberculose "superiores à média nacional"

Spencer Platt/Getty Images

A tuberculose, uma doença curável, supera a sida como doença infecciosa fatal. Mas outra co-epidemia está em evolução: tuberculose e diabetes

Quase todos os casos de tuberculose têm tratamento, mas esta continua a ser uma doença letal em todo o mundo. Segundo os dados da Organização Mundial da Saúde, divulgados hoje no Relatório Global sobre Tuberculose, cerca de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo foram mortas em 2014 por esta doença (das quais 400 mil pessoas eram portadoras do vírus de imunodeficiência humana, HIV). A doença matou mais homens (890 mil) do que mulheres (480 mil), tendo sido mortal também em crianças (140 mil).

A tuberculose é assim uma das doenças infecciosas mais mortais no mundo, acima da sida, que no ano passado matou 1,2 milhões de pessoas (das quais 400 mil eram doentes de tuberculose). Em todo o mundo, 9,6 milhões de pessoas ficaram doentes por causa da tuberculose durante o ano passado.

Os números pioraram assim em 2014. Apesar disso, são muito menores do que eram há poucos anos, depois da incidência de tuberculose cair a uma taxa média de 1,5% ao ano desde 2000: hoje é 18% inferior ao que era então. Também a mortalidade tem vindo a reduzir-se, sendo hoje de menos 47% do que era há 25 anos. A Organização Mundial da Saúde estima que tenham sido salvas desde 2000 um total de 43 milhões de vidas por causa de diagnóstico e tratamento corretos.

Para reduzir este fardo, diz a OMS, a deteção e o tratamento são fundamentais, sendo necessário mais fundos e novas ferramentas de combate. A maioria dos casos de tuberculose é tratável com medicação durante seis meses, desde que detetada no momento adequado. “Há 4.400 mortes por dia, o que é inaceitável para uma doença curável”, afirma a OMS.

No futuro, perspetiva-se uma nova co-epidemia, alerta o relatório, depois da tuberculose e sida: a tuberculose e diabetes, doença que também afeta o sistema imunitário e faz triplicar o risco de infeção de tuberculose. Há 387 milhões em todo o mundo com diabetes, que tem maior taxa de incidência em países de baixos rendimentos, o que também acontece com a tuberculose.