Os líderes do CDS-PP e do BE sublinharam hoje as diferenças entre direita e esquerda, divergindo em matérias como as nacionalizações, o código de trabalho, imigração e segurança, num debate onde os ataques ao PS foram pontuais.
As nacionalizações foram o primeiro ponto de discórdia no frente-a-frente transmitido pela RTP, com o líder do CDS-PP, Paulo Portas, a defender que "o que o país mais precisa é de confiança" e que "nacionalizar a torto e direito gera desconfiança a quem quer investir.
O líder do BE, Francisco Louçã, contrapôs, defendendo a nacionalização de empresas de sectores estratégicos, como a GALP e a EDP, pois está em causa "principalmente uma questão de soberania".
"Não são precisas nacionalizações, mas mais concorrência", replicou Portas.
Relativamente ao Código do Trabalho, CDS-PP e BE marcaram igualmente as suas "divergência de fundo", com Louçã a apontar a "espécie de tragédia" que existe no domínio do emprego.
"Quanto mais aumenta o desemprego, mais temos leis que facilitam os despedimentos", acusou, trazendo ao debate um texto publicado no 'site' do CDS-PP onde é defendido o fim do Salário Mínimo Nacional.
Portas de imediato esclareceu que se trata de um artigo de um militante da Juventude Popular, dando origem ao primeiro momento, repetido depois ao longo do debate, em que os dois adversários se 'atropelaram' um ao outro, falando ao mesmo tempo.
Ainda relativamente ao Código do Trabalho, Portas insistiu na necessidade de proteger as Pequenas e Médias Empresas, "que são quem dá trabalho em Portugal".
Em matéria de imigração, Louçã lembrou casos de imigrantes de sucesso como Francis Obikwelo, defendeu a entrega de autorizações de residência a quem tem contrato de trabalho.
"A imigração precisa de ser regulada", refutou Portas, recusando que o CDS-PP seja "xenófobo".
A admissão de mais efectivos na PSP e na GNR foi igualmente destacada pelo líder do CDS-PP, que tem a segurança como uma das principais 'bandeiras'.
"Precisamos de uma sociedade mais segura, não mais vigiada", contestou Louçã.