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Liberdade na Internet de novo sob ataque

Agora querem "escutas" e listas negras no mundo online.

Daniel Zacarias (www.expresso.pt)
11:45 Segunda feira, 11 de outubro de 2010
Atirador de Bitytes

Como se não bastasse o ataque à neutralidade da rede , chegam novas investidas do Governo e Congresso dos Estados Unidos à liberdade na Internet.

Também querem "escutas" na Internet


Membros do executivo Obama estão a tentar forçar nova legislação para poder ter a figura de "escutas" de conteúdo transmitido na Net. A ideia é simples, mas as consequências podem ser nefastas ao nível técnico e ético.

O que pretendem é o seguinte: forçar a todos os fornecedores de comunicações online que usem canais cifrados, a criação de mecanismos para abrir esses mesmos canais, a pedido do Governo. O raciocínio seguido pelos intervenientes estatais é o de que não estarão a criar novos poderes, simplesmente estariam a transpor os que já têm noutras áreas (ao nível das comunicações voz, por exemplo) para o mundo da Internet. Eis os requisitos-chave:

  • Serviços de comunicação que cifrem mensagens, têm de ter um mecanismo para as decifrar.
  • Fornecedores estrangeiros que façam negócio nos EUA devem ter um escritório nesse país, capaz de efetuar as escutas.
  • Criadores de software peer-to-peer devem redesenhar os serviços para permitir a interceção.

O cumprimento destas regras parece-me altamente improvável a vários níveis. No entanto, suponhamos que todos os players da Internet decidiam respeitá-las. Tecnicamente, isto implica uma mudança radical da maneira como as coisas são desenvolvidas na Net.

Primeiro, criar "portas de acesso" para cumprir com a regulação pretendida é praticamente convidar a todo um mundo novo de problemas de segurança. No passado, "experiências" do género têm corrido terrivelmente mal .

Segundo, a dificuldade de implementação acrescida que os engenheiros que desenvolvem estes sistemas teriam de enfrentar significaria uma redução do tempo disponível para a inovação.

Finalmente, numa coisa que ainda não está totalmente clara, exatamente quem seria responsável por assegurar o cumprimento destas regras? Se forem os ISPs , fornecedores de infra-estrutura de alojamento ou outros players que não os criadores das aplicações, a legislação implica de certa maneira alterar a estrutura descentralizada que tão bem tem servido a Net. Mais uma vez, isto criaria atritos e limitações à inovação, para além de que transferiria poder dos responsáveis pelas aplicações aos fornecedores de infra-estrutura.

E um bocadinho de censura para rematar


A outra novidade vinda dos EUA é que apesar de condenarem as práticas chinesas sobre a Internet, com a desculpa de protegerem alguns interesses económicos, também querem ter a sua dose de censura disponível . Com o intuito de proteger os criadores de conteúdos da pirataria online, os legisladores pretendem criar um mecanismo para tornar inacessíveis potenciais sítios "piratas".

A ideia é criar uma "lista negra" de endereços Internet que os fornecedores de acesso dos EUA teriam de bloquear. Aliás, são propostas duas listas. Uma de bloqueio obrigatório, preenchida por ordens judiciais. Outra, de bloqueio opcional, preenchida pelo Procurador Geral, onde os fornecedores presumivelmente teriam algum tipo de "gratidão" por parte do governo Americano.

É fácil conceber cenários onde estas listas fossem usadas para além do bloqueio a conteúdos que infringem direitos de autor. Argumentos de luta ao terrorismo, proteção da "decência" ou similares poderiam levar o Procurador Geral do momento à remoção de sítios com outros conteúdos.

Felizmente, pelo menos esta ação despertou a preocupação de inúmeros engenheiros de renome e personalidades da Internet , para além de uma campanha online . Quando a legislação das "escutas" se concretizar, espero que também surjam campanhas similares.

No entanto, mesmo que estas iniciativas não avancem, o preocupante aqui são as tendências cada vez mais Orwellianas dos líderes mundiais.


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Palavras-chave  Blogues, Ciência
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O proverbial sistema chinês de interferência
Rio Grande (seguir utilizador), 2 pontos , 22:44 | Segunda feira, 11 de outubro de 2010
é um produto que, como tenho afirmado, será adaptado no Ocidente para, coibir a liberdade que existe no meio "on line", inclusive na forma de censura. As nações poderosas do Ocidente, em nome disso ou daquilo, mas na realidade para criar um ambiente bovino, vai adotar e melhorar o sistema de vigia que a China usa, para vetar assuntos e remover "blogs", deter e processar pessoas por delitos de opinião. E não vai demorar. Rio Grande
 
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... e viva a democracia!
ViraLatasNaEuropa (seguir utilizador), 1 ponto , 13:45 | Segunda feira, 11 de outubro de 2010
nada mais a acrescentar...
 
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Paranoia
Péricles Pinto (seguir utilizador), 1 ponto , 16:18 | Segunda feira, 11 de outubro de 2010
Desde o 9/11 que os americanos andam paranóicos com tudo a que se possa chamar terrorismo...

Já houve um senador que propôs com toda a seriedade que todos, reparem bem, TODOS os contentores marítimos que entram nos USA fossem passados no Raio-X.

Querer controlar a net é um desejo digamos que "apenas natural"...
...
http://muitosuave.blogspo...
 
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Português
jonhcod (seguir utilizador), 1 ponto , 9:54 | Terça feira, 12 de outubro de 2010
Não tendo directamente a ver com o tema mas sim com a redacção do mesmo.
De uma notícia de hoje relativa ao "juridiquês" que o governo pretende alterar, ..."Estrangeirismos ficam também de fora, sendo apenas admissível "quando não exista termo correspondente na língua portuguesa". "Players" são actores. Outros termos serão mais técnicos apesar de passíveis de tradução. "Software" - aplicação ou programa e não aplicativo à brasileira, "peer-to-peer" - ponto a ponto ou mais literalmente porto a porto. "Player" não é um termo técnico. Vejam-se os franceses que não abdicam da utilização da sua língua. Exemplos - "ordinateur", "logiciel", "octet", etc.
 
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