Leilão em Madrid corre mal, com juros mais altos
O Tesouro Público espanhol realizou esta manhã três emissões de dívida pública que os analistas em Madrid já consideraram ter corrido mal. Não só teve de aceitar pagar juros muito mais elevados do que nas operações similares anteriores como a procura por parte dos investidores baixou significativamente. No mercado secundário da dívida soberana a primeira reação a este fracasso no mercado primário foi a subida das yields das obrigações espanholas a 10 anos para valores acima de 7%.
O Tesouro Público arrecadou 2,98 mil milhões de euros, ligeiramente abaixo do teto máximo de 3 mil milhões pretendido, em 3 colocações de dívida a 2, a 5 e a 7 anos.
Na emissão a 2 anos, colocou 1359 milhões de euros e teve de aceitar pagar uma taxa média de juro de 5,204% contra 4,335% na operação similar anterior. A cobertura caiu de 4,26 vezes na operação anterior para 1,9 vezes. Uma quebra de interesse dos investidores espetacular.
Na emissão a 5 anos, o Tesouro colocou 1074 milhões de euros e aceitou pagar uma taxa média de 6,459% contra 6,072%. A cobertura caiu de 3,44 vezes na emissão anterior para 2,06 vezea hoje.
Na emissão a 7 anos, Madrid colocou 547 milhões de euros pagando uma taxa média de 6,701% contra 4,832% na emissão anterior similar. A cobertura caiu de 3,3 vezes para 2,9 vezes.
Abismo em relação a França
O contraste com a emissão de dívida em França é colossal. A Agência do Tesouro francês pagou hoje uma taxa média de 0,12% para uma emissão com maturidade em 2015 e 0,53% para outra com maturidade em 2016. Ou seja, o Tesouro francês paga juros próximos de 0% (em termos nominais) para se financiar, numa zona de prazos em que o Tesouro espanhol tem de pagar aos investidores mais de 5%.
A primeira reação no mercado secundário ao fracasso da emissão em Madrid foi a subida das yields (juros) das obrigações espanholas a 10 anos para valores acima de 7%.



