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Legislativas 2015

CDU

Jerónimo endurece o discurso : “O PS não tem moral nenhuma para pedir votos aos portugueses”

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Marcos Borga

Líder comunista reitera que PS, PSD e CDS são o pai, a mãe e o padrinho do “pacto de agressão” que trouxe a troika ao país

Jerónimo de Sousa reforçou segunda-feira à noite as críticas ao PS, frisando que o partido é tão responsável pelo estado do país como o Governo de direita e que há mais semelhanças do que diferenças entre António Costa e Passos Coelho.

Num comício em Santa Maria da Feira, o líder da Coligação Democrática Unitária (CDU) sublinhou que o "pacto de agressão" que representou o memorando de entendimento assinado com a troika "não é filho de pai incógnito", como os socialistas e o Governo querem fazer crer: tem no PS, no PSD e no CDS o seu pai, mãe e padrinho. "Não podem acusar-se uns aos outros porque as responsabilidades são comuns", reiterou.

Em mais uma tentativa de combater o voto útil à esquerda, Jerónimo endureceu as críticas em relação ao PS, acusando o partido de ter abandonado o combate político ao Governo nos ultimos quatro anos.

"Muitos desertaram do combate, designadamente o PS, que mais parecia um perú em vésperas de Natal, com aquela tristeza e as abstenções violentas às moções de censura apresentadas pelo PCP (...) O que é estranho é o PS não se lembrar que não esteve em nenhum destes combates", criticou.

Para o secretário-geral do PCP, os dois frente a frente entre Antonio Costa e Passos Coelho permitiram concluir que "as semelhanças são muito mais do que as diferenças", nomeadamente em matérias como a reforma da segurança social, o tratado orçamental ou o congelamento das reformas.

Por isso, sublinhou Jerónimo, "por tudo aquilo que fez e não fez, o PS não tem moral nenhuma para estar a apelar ao voto dos portugueses".

O líder comunista chegou confiante ao comício de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, onde as sondagens indicam que a CDU tem possibilidade de eleger um deputado, o que não acontece há 30 anos. A possibilidade anima Jeronimo, que repetiu por duas vezes que "as coisas estão a correr bem " nesta campanha eleitoral.

"A possibilidade de aumentar o número de votos e o número de mandatos não é apenas um desejo, mas uma realidade cada vez mais próxima", garantiu.

O contacto directo com a população - que "uns não têm condições para fazer pelo mal que fizeram aos portugueses e outros não fazem porque acham uma chatice ir para a rua" - tem animado as hostes comunistas, que se dizem impressionadas pela boa receção, como a registada esta segunda-feira à tarde em Gondomar, onde a CDU está longe de jogar em casa. Ainda assim, foram muitos os que não quiseram perder a oportunidade de cumprimentar Jerónimo de Sousa.

Mas o mais inesperado voto de confiança do dia veio de uma criança de cinco anos, que esta tarde esteve no encontro da CDU na Cooperativa Árvore, no Porto. Filipe, que ainda não está no primeiro ciclo mas já sabe o nome de todos os líderes políticos, disse a Jeronimo que quer ser primeiro-ministro quando for grande. "Pela CDU porque não quero mentir e os outros (partidos) mentem", contou.

  • As críticas de Jerónimo: a retórica de Costa, o ‘atrevimento’ de Passos e a fiscalidade de Bruxelas

    CDU quer dar à Cultura pelo menos 1% do PIB. Por isso, critica o que o Governo (não) deu ao sector, mas também o que António Costa disse (e não disse) sobre precisamente o mesmo sector (“mais importante que um Ministério é termos um Governo de cultura”, afirmou o socialista). E Jerónimo deixou reparos a Bruxelas, que sugeriu um aumento em Portugal dos impostos sobre o consumo, e ao facto de Passos ter dito que Costa deve demitir-se se perder no domingo