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Legislativas 2015

CDU

Jerónimo solta os adágios em noite de festa

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Marcos Borga

Perante o “maior comício de sempre” da CDU em Faro, o líder comunista mostrou estar “confiante num bom resultado”. Arrasou a política de saúde de PS, PSD e CDS, num discurso onde esteve no seu melhor, recorrendo à arte dos ditos populares

O auditório municipal de Faro, ou Teatro das Figuras como dizia no programa de campanha, estava completo. Lotação esgotada de mais de 700 pessoas, animadas e de bandeiras ao alto. Jerónimo não escondeu a sua satisfação e isso notou-se nas 'buchas' que foi metendo no seu discurso. A ideia era falar da Saúde, para, mais uma vez traçar as linhas vermelhas entre a CDU e os “outros”. Ou seja, entre a coligação de esquerda e os partidos de direita, PS incluído.

O líder comunista arrasou a “política de destruição do SNS” defendida pelos maiores partidos e não poupou nas palavras. “É uma política assassina que atira para a morte antecipada milhares de portugueses.” A CDU promete mudar. Quer revogar as taxas moderadoras, quer dar um médico de família e um enfermeiro de família para todos. Quer estabelecer o estatuto do doente crónico e, claro, acabar com as parcerias público/privado.

A mensagem estava dada, mas Jerónimo quis falar dos dados da execução orçamental e da potencial devolução da sobretaxa de IRS. “Em desespero eleitoral, PSD e CDS prometem tudo e um par de botas”, disse, usando a primeira expressão popular. “Mas essa sobretaxa, que era para ser extraordinária, começa cada vez mais a ser ordinária.”

As palmas e os risos começaram a varrer o auditório. Jerónimo embalou, resumindo que a potencial devolução de uma parcela da sobretaxa é a mesma coisa que “roubar um porco e querer dar um chouriço”. Mas os adágios não ficaram por aqui. Houve tempo ainda para dizer que “o mundo não acaba no dia 4 de outubro” e que o povo, seja ele algarvio ou nortenho, conta sempre com a CDU. “Aqui não vêem ninguém que vos vire as costas. Teremos sempre a cara virada para o mau tempo.” Na noite eleitoral se ficará a saber melhor qual será o estado do tempo, na política nacional.