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Legislativas 2015

O primeiro-ministro, as mulheres e a melhor resposta do ano

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Esta semana o controverso Justin Trudeau foi eleito primeiro-ministro do Canadá, mas já nos últimos meses tinha conquistado o primeiro lugar no que toca a admiração feminina um pouco por todo o mundo. E uma coisa é certa: não foi por causa do seu belo palminho de cara e boa disposição

Foram muitas as discussões idiotas que envolveram a sua candidatura: começando pelo facto de ter “apenas” 43 anos, o que poderia comprometer a imagem de seriedade de um líder (a idade continua a ser um posto), depois também foi criticado por no passado ter usado cabelo comprido (um escândalo, ao que parece) e ainda por ter uma tatuagem no braço (uuuuuhhhh... de certeza que é pior político por ter uma tatuagem). Há escrutínios que são incompreensíveis, como se a competência de alguém estivesse dependente de miudezas como estas que nada têm a ver com profissionalismo.

Mas aquilo que tanto agradou às mulheres e que realmente fez correr muita tinta de jornal foram as declarações do candidato liberal sobre as questões sexistas: crítico feroz da “misoginia que prolifera na cultura pop”, não só assume que tem muito orgulho em ser feminista, como não tem problemas em afirmar publicamente que a educação que a mãe lhe deu em relação às mulheres (quanto ao pai já não diz o mesmo) teve muita influência na forma como encara a discriminação de género nos tempos de hoje.

Ministros de Trudeau: 15 homens, 15 mulheres

Claro que numa era em que questões como estas estão totalmente em cima da mesa, isto até poderia parecer um cliché, em jeito de angariação de votos. Mas convenhamos: não há lá grandes exemplos de políticos que se assumam como feministas publicamente, nem muito menos que levem a sério as questões de paridade quando a chega a hora de formarem os seus governos. Goste-se da cor política de Trudeau ou não, uma coisa é certa: venceu as eleições canadianas e chega a primeiro-ministro com um gabinete composto por 15 mulheres e 15 homens.

Claro que quando se escolhe um ministro, em primeiro lugar devem vir as suas competências e não o género. Mas com esta atitude, Trudeau vem demonstrar que embora a larga maioria dos cargos de poder continuem a ser dominados por homens, o que não faltam são mulheres com iguais ou melhores capacidades. E que estas não devem ser, à partida, postas de lado por serem mulheres. Quer gostemos de assumi-lo, quer não, quando se trata de escolher um homem para um cargo de chefia ninguém põe em causa o seu género. Já ao contrário, a conversa é demasiadas vezes outra.

Há dois dias, depois de ter tomado posse, Trudeau respondeu a algumas perguntas da imprensa. Uma delas foi: “Por que é as questões de paridade de género entre os seus ministros são tão importantes para si?”. A resposta que deu a esta questão - por si só tão reveladora - é de uma simplicidade certeira (e desarmante) que merece vénia. Convido-vos a verem o vídeo e a ouvirem-na pela boca do próprio Justin Trudeau. Ideal para uma reflexão de fim de semana.