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Legislativas 2015

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PAN, um partido de causas íntimas

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Aos 39 anos, André Silva é o líder do PAN

TIAGO PETINGA / Lusa

Pessoas, Animais, Natureza é a surpresa do momento. Partido elegeu um deputado com propostas curiosas como os pombais contracetivos e os copos menstruais. Mas quem são os defensores da única legenda que não é antropocêntrica?

Não é fácil entender o PAN - Pessoas, Animais, Natureza. Na página oficial da internet escrevem muito, explicam-se em textos longos e detalhados. Logo no documento dedicado a pormenorizar a "filosofia e missão" do partido, começa-se por afirmar que "o paradigma da civilização hoje globalizada baseia-se no mito da separação entre o eu e o outro, o ser humano, os demais seres vivos e a natureza como um todo. Esse paradigma é desmentido pela sabedoria tradicional das culturas planetárias e pela ciência contemporânea, que nos mostram a interconexão de todos os seres vivos no grande ecossistema planetário, mas converteu-se na irrefletida base do comportamento predominante da humanidade em relação a si mesma, aos outros seres e à Terra". Percebeu? Pois... Palavra de PAN.

André Silva é o líder do partido, cabeça de lista por Lisboa e o deputado eleito. O homem do momento. Com 39 anos, quer criar o estatuto jurídico do animal, acabar com a exibição de animais em espetáculos, criminalizar os atos sexuais com animais, proibir o cultuivo de organismo geneticamente modificados e passar o horário de trabalho para 30 horas semanais. Ah, e aumentar o salário mínimo para 600 euros. Portugal passará a ser avaliado pelo indicador da Felicidade Interna Bruta e pelo Progresso Genuíno. O homem que queria eleger dois deputados pela sigla política, considerou "um presságio" a coincidência de as eleições se realizarem no Dia do Animal.

O partido arrancou há quatro anos e, na página oficial, diz-se que pretende "ser a voz e o braço políticos dos movimentos cívicos, das associações e das ONG que buscam suprir e superar os limites das políticas estatais e institucionais, e promover uma consciência ativamente solidária nas causas humanitária, animal e ecológica, bem como de todos os indivíduos, associações e movimentos que nas várias esferas - espiritual, cultural, educativa, social, terapêutica, alimentar, etc. - procuram desde já efetuar a transição para uma sociedade alternativa e um mundo novo".

Se o PAN é de esquerda ou de direita? André Silva diz que esta classificação está obsoleta. Mas, afinal, como responder se não são antopocêntricos? "O antropocentrismo e o especismo dominantes na história da civilização, aliados ao egocentrismo individual e coletivo e acentuados e potenciados no mundo moderno e contemporâneo pelo poder tecnológico, com a exploração desenfrada dos recursos naturais e a instrumentalização dos animais não-humanos para fins alimentares, científicos, de trabalho, vestuário e divertimento, sem qualquer consideração pela sua qualidade de seres vivos e sencientes, tem vindo a causar um grande desequilíbrio ecológico, uma diminuição crescente da biodiversidade e um enorme sofrimento".

E então? Bem, as propostas do PAN passam pela criação de pombais contracetivos com ovos de gesso para enganar as aves ou os copos menstruais, mais ecológicos dos que os pensos higiénicos.E deixam o aviso: "O PAN é uma associação política que visa transformar a mentalidade e a sociedade portuguesa e contribuir para a transformação do mundo ".

Para quem votou sem ler, aqui vai um resumo e pronto: pin, pan, pum! e lá está um novo deputado - e em estreia absoluta - no Parlamento.