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Legislativas 2015

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Madeira. Coligação perde dois deputados

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Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira, a votar este domingo

HOMEM DE GOUVEIA/ Lusa

PSD é o vencedor, o Bloco de Esquerda a grande surpresa. O maior derrotado da noite: o CDS que deixa a Assembleia da República, o líder regional demitiu-se

Marta Caires

Jornalista

3,2,1. É esta a chave da Madeira nestas eleições legislativas nacionais. Dos seis deputados do círculo eleitoral, três são do PSD, dois do PS e um do Bloco de Esquerda. Os resultados retiram dois deputados à coligação e já levaram o líder regional do CDS a apresentar a demissão e anunciar que deixa a vida partidária. No Bloco de Esquerda, fala-se de um “milagre”, de uma votação histórica e nunca vista na Madeira. Os socialistas festejam o regresso a segundo partido mais votado.

Miguel Albuquerque foi o primeiro a falar da vitória, o PSD voltou a ganhar umas eleições na Madeira, mas por uma margem mais curta e com menos um deputado. Desta vez, os sociais-democratas elegeram apenas três deputados contra os quatro alcançados em 2011. Os resultados podem não estar ao nível dos alcançados por Jardim, ainda assim são suficientes para o líder madeirense deixar claro: os seus três deputados na Assembleia da República estão ao serviço dos interesses da autonomia e da Madeira. “É o nosso compromisso”.

Embora tenha repetido que prefere o diálogo e assumido estar disposto a colaborar com o governo da coligação, a tónica foi a defesa dos interesses dos madeirenses em assuntos como o novo regime fiscal próprio cujas negociações poderão ser duras. Apesar da vitória, o PSD ganhou em 10 dos 11 concelhos da Madeira, a verdade é que os ventos que sopraram do continente chegaram à Região. O PS subiu a votação, voltou a ser o segundo partido mais votado e Carlos Pereira, líder e cabeça de lista, tem razões para sorrir.

Os socialistas recuperaram votos, têm mais um deputado e inverteram a tendência de descida que começou há 10 anos. Carlos Pereira tem também mais uma razão para sorrir: a sua estratégia resultou mesmo contra a vontade da direção nacional do partido. António Costa quis impor um cabeça de lista, a situação quase levou o corte de relações. O secretário-geral do PS acabou por vir à Madeira durante a pré-campanha e o assunto parece enterrado. Carlos Pereira pensa agora nas autárquicas de 2017 e nas regionais de 2019. “A tendência começou a inverter-se”, disse.

Quem já esteve “morto e enterrado” foi o Bloco de Esquerda na Madeira quando perdeu a representação parlamentar na Assembleia Legislativa. Talvez por isso e para não sonhar muito, o líder regional não quis acreditar, chegou a confessar que “só por milagre” o candidato seria eleito. Por brincadeira, quando começaram a chegar os primeiros resultados e se percebeu que o 'efeito Catarina' estava a dar frutos na Madeira. A meio da noite, Roberto Almada brincava e dizia a Paulino Ascensão, o cabeça de lista, para procurar viagens baratas para Lisboa já que podia ser eleito.

O “milagre” aconteceu. O BE teve o melhor resultado de sempre nas eleições nacionais e elegeu um deputado, um feito nunca visto nem no tempo da UDP. Paulino Ascensão já anunciou que vai para a Assembleia da República bater-se pela renegociação da dívida pública regional. A festa, bem a festa foi breve, segunda-feira é dia de trabalho. “E estes rapazes têm escola”.

O grande derrotado das eleições foi o CDS, que perdeu o deputado em São Bento, passou de segunda força mais votada a quinto partido mais votado na Madeira, atrás do JPP. Perante estes resultados, o líder regional dos centristas apresentou a demissão e anunciou a sua saída da vida partidária. José Manuel Rodrigues, antigo jornalista, lançou-se na vida política nas eleições legislativas nacionais de 1995. 20 anos depois deixa a vida política e partidária com uma pesada derrota. O CDS não foi além dos 6% , metade do que teve em 2011.

O JPP, o partido sensação das eleições regionais, falhou a eleição de um deputado, que era o grande objetivo. No total, teve menos votos do que em Março e não ganhou o concelho de origem, Santa Cruz.