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Legislativas 2015

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Jardim: “O PS vai fritar a coligação em lume brando durante um ano e meio”

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Octávio Passos

Jardim desfaz-se em elogios a Catarina Martins: “É fantástica. Tomara ter tido, enquanto estive nas lides políticas, uma mulher daquelas ao meu lado”

Marta Caires

Jornalista

Alberto João Jardim acredita que dentro de um ano, mais coisa, menos coisa, haverá eleições antecipadas. O antigo líder madeirense diz mesmo que o “PS vai fritar a coligação em lume brando durante um ano, um ano e meio”. Ou seja, os socialistas vão esperar pelo momento certo para dar o golpe de misericórdia no Governo sem maioria parlamentar.

Esta é a primeira ilação que o antigo presidente do PSD-Madeira tira das eleições deste domingo, onde a prestação do partido que liderou por quase 40 anos não foi a melhor. “Estou muito preocupado com estes resultados. Conseguimos eleger três deputados mas descemos quase 12% em relação a 2011”. E por isso é tempo de acabar com a “fracturação” entre novos e velhos. Só assim, explica, “é possível mobilizar a população e levar o PSD a resultados acima dos 50%”.

Depois de informar que ninguém o convidou para fazer campanha – diz que existe uma divisão no PSD entre novos e velhos -, não poupou nas palavras e classificou a lista do PSD-Madeira à Assembleia da República como muito fraca. A sorte foi que as outras eram ainda piores. “Ninguém ia votar no PS”. Quanto ao BE, Jardim não tem grande consideração pelos dirigentes locais. A eleição de um deputado foi o resultado da campanha eleitoral nacional do BE.

E claro, um efeito Catarina Martins. Aqui chegado, Jardim fez um enorme sorriso para elogiar a líder do Bloco de Esquerda: “É fantástica. Tomara ter tido, enquanto estive nas lides políticas, uma mulher daquelas a meu lado. Eu e qualquer líder partidário. Ela é uma líder, tem agora ter cuidado nas pessoas que escolhe para ter ao lado dela”. O antigo presidente do PSD-Madeira abriu até uma exceção na aversão aos “comunistas e à esquerda radical”. Desta vez, o BE foi menos comunista e mais Syriza.

O eleitorado do sul da Europa é muito sensível a esse discurso contra as medidas hediondas a favor do grande capital e contra a população. Foi contra a austeridade que as pessoas votaram no Bloco de Esquerda e retiraram a maioria absoluta à coligação. Foi por isso que até na Madeira o eleitorado penalizou o PSD e o CDS.