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Legislativas 2015

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Editoriais portugueses: do impasse à tempestade

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Enquanto Presidente da República, Cavaco Silva terá de fazer "muito mais" do que convidar a coligação a formar Governo, lê-se no editorial do "Diário de Notícias"

Alberto Frias

Editoriais dos principais jornais nacionais não ficam por meias tintas: alertam o país para a turbulência que aguarda os portugueses a partir desta segunda-feira

A avaliação sobre o resultado eleitoral difere conforme o título do jornal escolhido, mas todos concordam com a antevisão de tempos difíceis para o país. O "Público" diz "as eleições de ontem deixaram o país num impasse" e prefere chamar a atenção para a perda de "centenas de milhares de votos e muitos mandatos na Assembleia da República" por parte da coligação Portugal à Frente. E vaticina mesmo que PSD e CDS ficam "absolutamente manietados no cumprimento do seu programa, mesmo que por milagre o consiguissem fazer passar no Parlamento".

Quanto ao PS, o editorial do diário classifica como "dramáticos" os números alcançados por António Costa e projeta o futuro, dizendo que o líder socialista coloca-se "no epicentro de todas a soluções, seja para não derrubar de imediato um eventual Governo minoritário de direita, seja para liderar um Executivo à esquerda".

Assim, o "Público" destaca que "um dos aspetos mais assinaláveis destas eleições é justamente o peso que ganharam os dois partidos à esquerda do PS", que, afirma, "pela primeira vez, deixaram de ser dispensáveis na procura de uma solução de Governo estável e estarão, sem dúvida, no epicentro das conversações".

O "Diário de Notícias" sublinha a importância do Presidente da República, afirmando que terá de fazer "muito mais" do que convidar a coligação a formar Governo. "Deve tentar já procurar convencer Passos, Portas e Costa de que será necessário, aliás, obrigatório, que haja um acordo mínimo, mesmo que pontual e apenas ténue, para que o programa de Governo passa na Assembleia da República e abra então o caminho ao Orçamento de 2016", lê-se no matutino.

Para o "i", o drama que se segue é claro: "O país corre o risco de eficar ingovernável, já que a única maioria possível é, logicamente, inviável". Vítor Rainho, diretor, garante que "o grande facto das eleições é, sem qualquer margem para dúvida, a vitória da coligação" e conclui que "o que aí vem anuncia tempestade na vida dos portugueses".