Siga-nos

Perfil

Legislativas 2015

Legislativas 2015

Alemanha e Eurogrupo veem nas eleições o reconhecimento das políticas de austeridade

  • 333

Wolfgang Schäuble conversa com o comissário europeu Pierre Moscovici, vendo-se mais atrás o presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem, durante a reunião desta segunda-feira dos ministros das Finanças da moeda única

ERIC VIDAL / Reuters

O ministro alemão das Finanças e o presidente do Eurogrupo estão de acordo: a vitória de um Governo que aplicou medidas duras mostra que a austeridade pode ser uma política com sucesso

Wolfgang Schäuble vê nos resultados eleitorais o reconhecimento de uma receita que ajudou a prescrever e que continua a defender. “Isto mostra que uma política pode ter sucesso, e ser apoiada por uma maioria, mesmo que imponha medidas duras à população”, disse esta tarde, à entrada para a reunião do Eurogrupo, no Luxemburgo.

Para o ministro alemão das Finanças, o dia de domingo foi “um grande sucesso” para o Governo português. E Schäuble vai ainda mais longe ao dizer que se trata de um “encorajamento à política que tem sido seguida em Portugal, mesmo que as relações da maioria (no Parlamento) possam agora ser um pouco complexas”.

A visão do presidente do Eurogrupo não é muito diferente. “De alguma forma, são boas notícias que um Governo possa ganhar eleições depois de implementar medidas duras que eram necessárias”, disse também Jeroen Dijsselbloem.

A ausência de uma maioria absoluta na Assembleia da República por parte da coligação Portugal à Frente deixa ao político holandês, no entanto, algumas dúvidas. “O resultado das eleições ainda é para mim ambíguo”, disse Dijsselbloem, afirmando que a estabilidade política é importante em todo o lado. “Mas existe a democracia e a democracia nem sempre traz estabilidade. Vamos ver o que acontece”, rematou.

Contudo, seja qual for o Governo que venha a ser indigitado por Cavaco Silva, para Dijsselbloem não há grande espaço para experimentar outras estratégias políticas.

“A situação financeira não muda de um dia para o outro por causa de eleições. Um novo Governo tem sempre de lidar com os velhos problemas”, respondeu quando questionado sobre um possível alívio ou espaço de manobra às políticas de consolidação e austeridade.

“Não acho que haja razão para uma grande mudança de políticas atualmente”, concluiu.