Siga-nos

Perfil

Legislativas 2015

Legislativas 2015

Jerónimo diz que PS “tem condições para formar governo”, mas não se compromete

  • 333

Marcos Borga

O líder comunista assume que derrubará no Parlamento um governo PSD/CDS e até diz que os socialistas têm “condições” para chegar ao poder. Mas, nem uma palavra sobre negociações, muito menos sobre se aprovará um programa ou um orçamento do PS. “A melhor prova do pudim, é comê-lo”, responde

Foi, talvez, a primeira vez que os comunistas não declararam terem tido uma vitória eleitoral. Nem grande, nem pequena. Jerónimo falou apenas num resultado que "confirma a expresso política da CDU e que aponta para um progresso na sua votação". E passou para os elogios a uma campanha feita com "tratamento desigual", com uma "intensa ofensiva" contra a coligação de esquerda e até com "chantagem e medo".

Os comunistas ficaram aquém das suas expectativas, mas não o confessam. Preferem salientar a derrota do PSD e CDS que ficaram sem "maioria absoluta" e sem hipótese de "continuarem com a política do quero, posso e mando".

Para Jerónimo de Sousa, este resultado torna "intolerável" que Cavaco dê posse a um Governo da coligação que venceu estas eleições. E para isso, promete que a CDU "rejeitará no Parlamento" qualquer tentativa nesse sentido que, só passará, "se o PS o viabilizar".

Os tempos que se aproximam são "de grande exigência" e o "novo quadro parlamentar criado" dá um papel à CDU que Jerónimo ainda não quer esclarecer bem qual será. O líder comunista assume que os socialistas "tem condições para formar governo", mas quando confrontado com a possibilidade de viabilizar um orçamento ou um programa socialista, foge à pergunta. "A melhor prova do pudim é comê-lo", disse.

Até lá, até ver que pudim o PS traz para a mesa, não se fala. Nem em negociações, nem em caderno de encargos. "A procissão ainda vai no adro", responde Jerónimo.

Na verdade, os comunistas avançam com "um conjunto de iniciativas legislativas" que testam, no parlamento, a disponibilidade do PS mudar de vida. Quer repor salários e pensões, quer abolir taxas moderadoras, reintroduzir os feriados e as prestações sociais perdidos, trazer mais médicos e enfermeiros para o SNS. Será esta a prova do algodão para o PS? Jerónimo não diz. Mas, seguramente, pensa...