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Legislativas 2015

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Catarina: “Uma coligação de direita minoritária não será Governo. Pelo BE não será, seguramente”

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Nuno Botelho

No reação aos resultados, a líder do Bloco de Esquerda deixou claro que se oporá à formação de um Governo de direita sem maioria no Parlamento. E endossa a responsabilidade da viabilização desse Executivo ao PS

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

"Se a coligação de direita não tiver maioria, que fique bem claro que não será pelo Bloco de Esquerda que conseguirá formar Governo", disse esta noite Catarina Martins, num espaço do cinema São Jorge, em Lisboa, cheio de militantes bloquistas, alguns dos quais parecem estar quase nas nuvens com o resultado desta noite.

"O Bloco de Esquerda tem hoje o seu melhor resultado de sempre, com mais votos, mais mandatos e mais força do que nunca, a concretizarem-se as projeções", afirmou Catarina Martins, no início do discurso de reação aos resultados eleitorais deste domingo.

A líder do BE, que agradeceu a "confiança de mais de meio milhão de portugueses", disse: "Compreendemos o voto popular e aceitamos a responsabilidade que nos concederam".

Na leitura dos resultados e das suas consequências, Catarina Martins afirmou que a coligação de direita "perdeu votos e perdeu mandatos". Garantiu que o Bloco "vai cumprir a sua palavra" e foi taxativa: "Uma coligação de direita minoritária não será Governo. Pelo Bloco não será, seguramente"

A líder do Bloco, que no final da intervenção nomeou, um a um, os deputados bloquistas que agora saem do Parlamento, deixou um repto a Cavaco Silva: "Se o Presidente da República, por filiação partidária ou pouca atenção aos votos", optar por um Governo de direita minoritário, "saiba que o Bloco, como partido de palavra, vai rejeitar no Parlamento essa possibilidade".

Numa altura em que ainda se desconhecia qualquer reação de António Costa, Catarina Martins foi muito direta na transferência para o PS da responsabilidade da viabilização de um Governo de direita. "Esperamos agora a resposta dos outros partidos de esquerda. A do Bloco é clara."

Após o discurso, Catarina dirigiu-se para a zona do átrio do cinema onde se concentravam os militantes bloquistas e os jornalistas que acompanham esta noite eleitoral do Bloco.

Nuno Botelho

Bastante saudada, foi particularmente notado o forte abraço trocado com Francisco Louçã. Este assistiu ao discurso de Catarina de pé, atrás da última fila de cadeiras e das câmaras de televisão. Apesar de ser bastante alto, Louçã não conseguia ver o palco de onde discursava Catarina Martins, pelo que na maior parte do tempo acompanhava o discurso pelos ecrãs das televisões (no final da intervenção só a SIC fazia o direto da noite do Bloco de Esquerda).

Nuno Botelho

Depois de cumprimentar Louçã e quando se dirigia à zona do bar, onde permaneceu largos minutos, a sala do cinema São Jorge irrompeu no maior aplauso da noite, que foi crescendo à medida que mais pessoas se iam apercebendo do que estava em causa. A televisão dava a notícia, oficial, da eleição de um deputado na Madeira (Paulino Ascensão), o que nunca acontecera ao Bloco de Esquerda.