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Legislativas 2015

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O almoço em que Fernando Medina bateu na esquerda

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O almoço dos socialistas na Trindade foi marcado por um discurso contra as esquerdas de Fernando Medina e as gaffes de Carlos do Carmo

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Fernando Medina defendeu hoje durante o almoço na cervejaria Trindade que os socialistas deviam passar a mensagem de que não vale a pena votar PCP ou Bloco de Esquerda, porque só as propostas do PS são de "renovação e eficácia".

O sucessor de António Costa na Câmara de Lisboa foi o primeiro a falar e sugeriu que todos falassem com "os seus amigos de esquerda", que votam comunista, e lhes perguntassem se acham que "as propostas do PC de saída da moeda única lhes melhorariam a vida".

"Jerónimo de Sousa é uma pessoa encantadora, muito simpática e séria na vida política", disse Medina, afirmando ao mesmo tempo que a primeira medida de um hipotético governo do PC seria fazer um estudo para avaliar a saída do euro. "As vossas poupanças estariam bem protegidas", indagou.

Seguidamente, falando sobre o Bloco de Esquerda, assinalou a "simpatia da liderança" de Catarina Martins e Mariana Mortágua, mas perguntou se alguém acredita que a sua posição de defesa de uma rutura na Europa iria mudar para melhor a situação do país ou dos trabalhadores.

"É preciso discutir ideias e a verdade das opções políticas", disse Medina, apelando ao voto útil no PS. No almoço, intervieram também Isabel Moreira e Ferro Rodrigues.

As gafes de Carlos do Carmo

O almoço ficou também marcado pelas gafes de Carlos do Carmo, que estava sentado na mesa de honra e se apresentou como um "não antipatizante" do PS ("não sou militante nem simpatizante", disse).

"Foi uma campanha muito dura para António Costa", afirmou na sua curta intervenção: "um ex-primeiro-ministro preso, com camaradas do partido a darem sistematicamente entrevistas a deitá-lo abaixo e, com a minha franqueza habitual, nas costas do secretário-geral, a apresentar-se uma candidatura a Belém, que não me pareceu bem". Maria de Belém estava sentada na mesma mesa, à sua frente.

Todos presentes

António Costa conseguiu, no entanto, reunir neste almoço todos os ex-presidentes do partido e secretários-gerais, com exceção de António José Seguro que, como se esperava, não compareceu.

O próprio Mário Soares também acabou por comparecer, velhinho e alquebrado, já o almoço tinha começado, e não ficou até ao fim. António Costa tinha apelado à presença de todos os ex-secretários-gerais e presidentes do partido.

Ex-secretários-gerais, para além de Soares, estavam Ferro Rodrigues e Jorge Sampaio. E quanto a ex-presidentes, Almeida Santos e Maria de Belém, para além do atual, Carlos César. Sentado na mesa de honra, Manuel Alegre. E outras figuras socialistas, como Isabel Moreira ou Marcos Perestrello.

Nas salas a abarrotar, o ambiente era de grande entusiasmo mas, apesar da confiança ostentada ao jornalista, alguns têm dúvidas e tecem cenários sobre a possibilidade de a vitória da coligação ser apenas relativa, o que daria ao PS espaço de manobra.

Alguns consideram mesmo que, num cenário de moção de rejeição apresentada pelo PC ou o BE a um eventual Governo da coligação, o PS deve votar contra.