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Legislativas 2015

Legislativas 2015

Entre a vontade de ficar e o desejo de regressar

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A população estrangeira residente em Portugal também desceu nos últimos anos, à semelhança da quebra nas remessas dos imigrantes

Paulo Alexandrino

Nisalda Pereira veio de Bissau para Coimbra para se licenciar em Direito e, ainda este ano, quer partir de volta para a cidade onde nasceu. Gao Hengyu veio da China há 15 anos e tem acompanhado a evolução da comunidade chinesa a residir no país. O número de estrangeiros a viver em Portugal tem vindo a diminuir e agora representa 3,8% do total da população residente. Este é o último artigo da série “30 Retratos” que o Expresso publicou diariamente durante o último mês. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que é Portugal em vésperas de eleições. Hoje falamos de imigração

Raquel Albuquerque

Raquel Albuquerque

Texto

Jornalista

Sofia Miguel Rosa

Sofia Miguel Rosa

Infografia

Jornalista infográfica

Quando em 1998 a Guiné-Bissau passava por uma guerra civil, os pais de Nisalda quiseram garantir que a filha continuaria a conseguir ir à escola todos os dias. Já tinham família a viver em Portugal, portanto trouxeram-na para junto de uma tia, a morar em Aveiro.

Nisalda tinha então 11 anos. Nem tudo lhe era estranho em Portugal, mas sentiu dificuldades quando entrou na escola. Teve de repetir o 5.º ano, o que hoje vê como uma boa opção. “Foi muito bom ter repetido. O currículo da escola era muito diferente”, recorda Nisalda Pereira, aos 28 anos. Quando chegou ao secundário, partiu novamente para Bissau regressando já só para fazer o 12.º ano cá.

Foi em Portugal que estudou Direito na Universidade de Coimbra e hoje tem um objetivo concreto: “Sei que vou voltar à Guiné. Algumas pessoas guineenses foram sempre perguntando: ‘E quando terminares o curso, voltas?’ Claro que volto. A felicidade completa, plena, só consigo sentir lá. Um lugar que sei que é a minha casa. E nunca mudei de opinião: casa e família vêm primeiro.”

A ideia é regressar a Bissau antes do final deste ano com o intuito de contribuir para o país. “Passamos períodos de incertezas na Guiné. Aquilo nunca está bem, mas se eu não for para perceber por que é que não está bem, nunca vou saber. Tenho formação para contribuir para o nosso país.”

A comunidade guineense sofreu um ligeiro aumento em Portugal, entre 2013 e 2014, ainda que inferior a 1%, segundo as estatísticas do último relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Os guineenses continuam a ser uma das dez nacionalidades em maior número em Portugal – é o sétimo país de origem de mais estrangeiros (17.981 em 2014).

Porém, os números do SEF mostram que, no ano passado, se consolidou a tendência de decréscimo do número de estrangeiros a residir em Portugal, totalizando 395.195 cidadãos (-1,5% que em 2013), representando 3,8% da população residente no país.

Entre as histórias que vai ouvindo e os guineenses que vai conhecendo, Nisalda tem a perceção de que “muitas pessoas têm o projeto de voltar à Guiné-Bissau e há alguns que têm voltado.” Porém, também existem situações de casais guineenses que vieram há uns anos para Portugal e depois foram buscar os filhos e os pais.

Comunidade brasileira sofre a maior queda, segundo o SEF

A representatividade da população estrangeira com origem em países de língua oficial portuguesa reduziu-se em 2014 e representa cerca de 45,4% do total. A nacionalidade brasileira mantém-se como a principal comunidade estrangeira – mas foi também a que mais desceu entre 2013 e 2014 (com uma quebra de 75,5%).

Segundo o SEF, a aquisição da nacionalidade portuguesa, a alteração de fluxos migratórios e o impacto da atual crise económica no mercado laboral são os fatores explicativos dessa quebra.

Desde 1992, a Casa do Brasil, em Lisboa, associação fundada por brasileiros residentes em Portugal, dá apoio jurídico, apoio no emprego e outro tipo de informações a cidadãos brasileiros que estejam a residir no país ou que queiram vir para cá. Tendo em conta a informação que lhes chega e o contacto que têm com a comunidade, Rita Alho, que trabalha na associação, diz não lhe parece correto falar de diminuição.

Desde meados deste ano, tem vindo a aumentar o número de telefonemas e emails que a associação tem recebido com pedidos de informação. “São perguntas de quem tem a intenção de emigrar. Em julho tivemos um pico de pedidos. São sobretudo casais jovens e qualificados, como médicos, jornalistas, especialistas em marketing, entre outros, que querem estabelecer vida aqui. Muitos tinham trabalho no Brasil e deixaram o emprego, outros meteram uma licença sem vencimento para vir tentar a vida em Portugal.”

Quanto ao regresso de brasileiros ao seu país, Rita sublinha que o pico se deu em 2011. “Tem muito a ver com a economia do Brasil. Havia o eco de que a economia estava em expansão, sobretudo antes do Mundial. Houve quem deixasse o trabalho cá para voltar para lá.”

A mudança da comunidade chinesa

Entre as dez nacionalidades mais representativas em Portugal, registou-se um aumento de cidadãos vindos da China, Espanha, Reino Unido e Guiné-Bissau. E ainda que os franceses não estejam entre essas dez nacionalidades, também registaram um aumento nos novos títulos de residência emitidos.

Entre as dez nacionailidades com mais pessoas, foi a chinesa que registou a maior subida (14,8%) e os números mostram que, em 2014, a CHina passou a ser o quinto país de origem de mais imigrantes em Portugal (21.402), suplantando Angola (19.710).

Gao Hengyu tem assistido a esse aumento. Veio para Portugal há 15 anos, com uma bolsa da Fundação Oriente, para estudar a língua e a cultura portuguesas na Universidade de Coimbra.

Passou o primeiro ano em Coimbra e depois disso foi para Lisboa. Gao, hoje com 42 anos, é trabalhadora independente. Dá aulas de mandarim, faz traduções e locuções. Atualmente dá um curso de mandarim para negócios, numa colaboração entre o Centro de Estudos de Gestão do Instituto Superior de Economia e Gestão (CEGE/ISEG) e a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa. E tem ainda um workshop de mandarim no Museu do Oriente.

A procura da língua tem vindo a aumentar, tanto por portugueses a trabalhar em empresas adquiridas por chineses, como pelas empresas portuguesas que se querem estender à China.

Já os pedidos de traduções para mandarim passam por áreas variadas: da informação turística, a sites de empresas e apresentações para feiras e exposições internacionais ou à informação na área alimentar, para exportação de produtos para a China. Gao garante que quem fala mandarim neste momento, “em Portugal e no resto do mundo”, está cheio de trabalho. “É uma língua para o futuro.”

As mudanças dos últimos quatro anos

Tiago Miranda

Apesar da situação económica do país nos últimos anos, Gao conta ter sempre tido oportunidades de trabalho. Quando olha para o tempo em que chegou a Portugal, há 15 anos, os chineses que entravam no país eram diferentes dos que vêm hoje. “Era raro haver algum chinês a estudar a língua e a cultura portuguesas. Agora há mais jovens em intercâmbios com universidades chinesas. É diferente.”

Nos últimos quatro anos, Gao tem visto a imigração chinesa mudar, refletida sobretudo na quantidade de pessoas que vêm investir para Portugal, em áreas como o imobiliário, turismo (através de hotéis), educação, desporto, entre outros. Essa realidade está também associada à concessão dos vistos Gold – um regime especial de autorização de residência para atividade de investimento. Segundo o SEF, foram emitidos 1.405 títulos de residência a investidores e 1.922 a familiares em 2014, no total, independentemente das nacionalidades.

Gao Hengyu conta que, ao longo do tempo, algo tem sido transversal à imigração chinesa, em vários países do mundo: a ligação à família e o desejo de regressar à China no final da vida. O que se diz é que quando se é novo, sai-se do país, quando se é velho, volta-se à terra.

“É como uma árvore: quando a folha cai, volta à terra. Se os filhos e os netos estiverem aqui em Portugal, talvez as pessoas fiquem. Se não estiverem, voltam para a China para perto da família.”

  • Nós, portugueses: retratos de um país que vai a eleições

    Durante o mês que antecedeu as legislativas, o Expresso publicou 30 retratos do que Portugal é hoje. Da natalidade ao envelhecimento, do desemprego jovem à criação de empresas, da pobreza ao desperdício alimentar, da agricultura às pescas, do cinema aos livros, do turismo ao ambiente, da emigração ao desporto, do talento à habitação. São 30 temas, 30 números e 30 histórias

  • É como fuligem que se deposita nas paredes da nossa cabeça

    "Fuligem", curta-metragem de David Doutel e Vasco Sá, resultou da vontade de explorar a questão do encerramento de linhas férreas e estações de comboio nos anos 80 em Portugal. Quando o filme foi lançado, em 2014, caiu nas boas graças do público e da crítica. Foi o grande vencedor do Cinanima, o mais importante festival português de cinema de animação, fazendo com que David e Vasco se tornassem os primeiros portugueses a ser distinguidos com o galardão máximo nesse festival - e venceram mais, incluindo lá fora. Este é o 29.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que é Portugal em vésperas de eleições. Hoje é sobre talento. Talento português

  • Do lixo para os palcos: “Os contentores são a minha enciclopédia”

    A sua obra parte do efémero. Procura o que os outros não querem. Vai ao lixo e pega em objetos deitados fora, criando novas experiências estéticas e sonoras. João Ricardo é um músico-escultor que encontra nos contentores a matéria-prima para a sua arte. Em 2013, a produção total de resíduos urbanos em Portugal rondou 4,4 milhões de toneladas, o que corresponde a uma queda de 4% face ao ano anterior. Este é o 28.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Desporto para todos?

    Quando António Botelho se iniciou no basquetebol em cadeira de rodas, não havia técnica, não havia federação, nem sequer treinadores especializados. Foi no meio de tanta informalidade que participou na estreia de Portugal nos Jogos Paralímpicos, em 1972. Hoje já muito mudou no desporto adaptado, mas há dificuldades que ainda resistem – num país onde o número de atletas federados tem vindo a diminuir drasticamente (eram 1.654 em 2014), bem como o financiamento. Este é o 27.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • A ideia é levar isto ao mundo todo

    Miguel não quis fazer uma tese que ficasse na prateleira de uma biblioteca e acabaria por ter uma ideia que já chegou a vários países: criar um código para os daltónicos identificarem as cores. Escolher roupa, ver as linhas do metro ou distinguir ecopontos são algumas das utilizações em que é útil. A ideia portuguesa já gerou 140 parcerias e o objetivo é chegar a 350 milhões de daltónicos no mundo. Este é 26.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Votar ou não votar?

    Carolina e João vivem na Bélgica e já compraram bilhete para vir votar a Portugal no dia 4 de outubro. Sabe-se que os portugueses votam cada vez menos. Mas porquê? Nos últimos quatro anos emigraram cerca de 350 mil portugueses: que impacto poderá ter isso na taxa de abstenção das próximas eleições legislativas? Este é o 25.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Um eixo e uma asa: uma história de cor verde, limpa

    Procurar soluções para um desenvolvimento sustentável é o objetivo de cada vez mais empresas portuguesas. É o caso da Omniflow, com sede no Porto, que fabrica sistemas inovadores que aproveitam a energia eólica e fotovoltaica. Em 2013, as energias renováveis representaram 25,7% do consumo energético em Portugal, segundo o Eurostat. Este é o 24.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Uma prestação com história

    A 13 de agosto de 1942 foi criado o abono de família em Portugal. “Centenas de milhares de empregados e operários virão a beneficiar das disposições deste decreto”, lê-se no decreto-lei de então. Portugal foi o 11.º país no mundo a criar o abono e muito mudou desde então – em 2013, a despesa do Estado com o abono recuou a níveis de 2002. Este é o 23.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Queria fazer mais e não consigo

    Há quem não esteja inscrito como desempregado mas não tenha um emprego regular. E as histórias que estão por trás dos números do desemprego são muito distintas – idades, habilitações, local de residência e experiência profissional condicionam o passo seguinte. A taxa de desemprego tem vindo a descer e no 2.º trimestre havia 620,4 mil desempregados - mas “os números do desemprego são cegos”. Este é o 22.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Um sabor a terra: o ouro branco da gastronomia

    Começou tudo há 30 anos. Heliodoro Joaquim emigrou para França e foi por lá que teve a oportunidade de provar o caviar de caracol. Gostou tanto que fez negócio da descoberta. Três décadas depois, e já de volta a Portugal, Heliodoro e o filho exportam a iguaria para Espanha e ainda China - Holanda e Emirados Árabes Unidos são já a seguir. E Espanha não é por acaso: as estatísticas mostram que as exportações de produtos portugueses para os vizinhos aqui do lado representaram a maior fatia (23,5%) - segue-se França e depois a Alemanha (11,7% para cada). Este é o 21.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Era o meu momento

    João Viegas partiu para Espanha em 2011 e desde então está lá a trabalhar. Queria uma carreira no estrangeiro. “Fui porque à minha volta não via nada que me dissesse ‘fica, João, aqui há mais e melhor para ti!’.” E como o pai lhe dizia: filho de emigrante raramente fica no país onde nasce. Desde 2011 emigraram 395 mil portugueses, o que faz de Portugal um dos principais países de emigração do mundo. Este é o 20.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • A liberdade de ter tempo

    João nasceu com alma de viajante. Viajou sempre. Em 2008, largou tudo para sair à aventura pelo mundo. Participou em missões em Cuba, Moçambique e Guiné-Bissau. Hoje dedica-se a preparar expedições além-fronteiras com portugueses. No ano passado, 4,1 milhões de portugueses realizaram pelo menos uma viagem turística. Este é o 19.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Conhecer o crime: das estatísticas morais à construção social

    Há estatísticas de crimes em Portugal desde 1837, ainda que incialmente fossem pouco rigorosas. A partir do início do século XX começaram a ser mais sistemáticas e eram usadas para “ver como estava o país”. Os dados atuais mostram que a maioria dos crimes em Portugal é contra o património - e Lisboa, Porto e Setúbal registam metade da criminalidade total. Este é o 18.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O maravilhoso mundo dos computadores gigantes (e o traiçoeiro exercício de futurismo)

    Isto foi dito há umas décadas: “Não há nenhuma razão para que alguém queira ter um computador em casa”. Eram dias de computadores monstruosos - o futurismo, sempre traiçoeiro, não tinha como antever estes dias em que o mundo inteiro anda nos nossos bolsos, dentro de um telefone, ou em cima das nossas secretárias, em computadores cada vez mais pequenos. Estima-se que sejam vendidos 571 mil portáteis e três milhões de smartphones em Portugal este ano - o maior número de sempre. Este é o 17.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Vejo tudo negro

    José António viu arder os terrenos, as árvores e os animais em Sortelha, concelho de Sabugal, onde se deu o maior incêndio no país desde o início deste ano. Até ao final de agosto, os incêndios consumiram 53.951 hectares, mais do que no ano passado, mas menos do que a média anual na última década. Este é o 16.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Um país com menos livros e com menos jornais

    As vendas de livros e de jornais em banca continuam em queda e muitas livrarias fecharam (de 694 em 2004 para 562 contabilizadas em 2012). Será que o digital constitui realmente uma ameaça? Este é o 15.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • É isto que eles pagam

    Um em cada cinco trabalhadores (20%) leva hoje para casa o ordenado mínimo: €505, menos do que o salário real de 1974 indexado à atualidade. Clarice e Maria são duas mulheres, de histórias e vidas bastante diferentes, que o recebem todos os meses. Mas enquanto Maria descobriu este ano o primeiro emprego e tem ainda poucas despesas, Clarice já recebe o mínimo há duas décadas, tem uma casa para sustentar e todos os seus dias são uma luta pela sobrevivência. Este é o 14º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O que sobra a um é o que falta a outro

    Estima-se que um milhão de toneladas de alimentos seja desperdiçado por ano em Portugal. Para fazer a ponte entre o que sobra a um e falta a outro, há associações como a Refood, que já distribui cerca de 35 mil refeições por mês. Este é o 13.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • A dignidade de saber ler e escrever. E de compreender

    Aos 54 anos, Edna decidiu voltar a estudar. Começou a trabalhar aos nove e, por isso, as palavras que poderia ler e escrever ficaram pelo caminho – aprendeu-as na 1ª e 2ª classe mas acabou por esquecê-las, guardando na memória apenas o nome e algumas letras, soltas, desordenadas. Hoje, após dois anos de aulas, já não contribui para as estatísticas oficiais de analfabetos (eram 5,2% em 2011), mas tem pela frente a barreira da iliteracia - tal como muitos portugueses (eram 48% em 2005) que não conseguem compreender totalmente o que leem. Este é o 12º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Uma casa para o resto da vida

    Há mais pessoas a comprar casa e o sector da construção e do imobiliário tem sentido as melhorias. Filipa Vasconcelos e o marido tiveram um bebé no final do ano passado e decidiram, pela primeira vez, que fazia sentido comprar casa. “Claro que vamos ficar a pagar a prestação para o resto da vida, mas também pagaríamos uma renda.” Compraram um T4 com cinco assoalhadas por 75 mil euros. Este é o décimo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Estou aqui com uma ideia: devíamos fazer uma academia para ensinar desempregados a programar”

    Por um lado há vagas para programadores que ficam por preencher, por outro há jovens qualificados sem emprego. A Academia de Código é uma empresa criada em 2013 para juntar as duas coisas e já estendeu as aulas de código às escolas primárias. Desde o início deste ano, a criação de empresas já está 8,4% acima de 2014. Este é o 11º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Vencer o vício da prisão

    Até aos 44 anos, António passou o tempo a entrar e a sair da prisão. Mas algo foi diferente da última vez: quando chegou cá fora tinha algo a que se agarrar. Entre 2010 e 2014, o número de reclusos nas prisões aumentou 20,4% – e só no fim dos anos 1990 houve um número semelhante de presos. Este é o nono artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O problema mais sério ainda está para chegar

    O centro de saúde de Mogadouro já teve 18 mil utentes e 13 médicos, agora tem metade. A diretora do centro lembra que será um “problema grave” quando ali se reformarem os médicos mais velhos. Portugal tem uma das maiores disparidades da UE na distribuição de médicos no território: por 1000 habitantes, há 2,2 médicos em zonas rurais e 5,1 em zonas urbanas. Este é o oitavo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Treze mil dias de mar

    Carlos Alfaiate é pescador desde os 14 anos. Pescou na Mauritânia e em Marrocos, tem 36 anos e oito meses de mar no corpo, tirou chernes que valiam €1200. Passou décadas fora de Portugal e regressou em 2004, com arrependimentos e angústias. O sector de Carlos, que se fartou tantas vezes do mar, mudou nas últimas décadas e as 119.890 toneladas de peixe vendidas em 2014 são o valor mais baixo desde que há registos. Este é o sétimo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Minha querida agricultura

    António quis fugir da vida na terra que os pais e os irmãos levavam. Estudou engenharia, trabalhou como programador e aos 50 anos voltou à agricultura. Emociona-se no fim da conversa, ele que faz parte dos 6,5% de população agrícola familiar em Portugal, proporção que em 1989 era de 19,8%. Este é o sexto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Não estou a fazer sapatos nem salsichas - há mais qualquer coisa nisto.” O cinema independente não está morto

    O cinema já foi dado como morto várias vezes. O número de espectadores diminuiu 30% numa década, as receitas de bilheteira caíram 12% e houve várias salas que fecharam. Mas há duas histórias paralelas a esta, a do Cinema Nimas e a do Cinema Ideal, em Lisboa, que reabriu em agosto do ano passado. Este é o quinto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O “fator 30” traz mais bebés?

    Nos primeiros meses deste ano já nasceram mais bebés do que no mesmo período do ano anterior, embora ainda seja cedo para concluir que a natalidade vá aumentar em 2015, contrariando a tendência dos últimos anos. Até maio, nasceram 33.637 bebés em Portugal e Miguel Cruz é um deles. Este é o quarto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • É preciso aprender a envelhecer

    Virgínia tem 78 anos, caminha seis quilómetros por dia, viaja pelo mundo fora e ainda quer ir ao Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. “A velhice programa-se”, diz. Em 2030, Portugal poderá ser o país mais envelhecido do mundo. Este é o segundo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Os 44 anos de um carocha que custou 60 contos e 56 escudos

    Marcial comprou um carocha branco em 1971 que conseguiu manter até hoje. O mercado automóvel mudou nos anos 1980 e sofreu grandes perdas em 2012. Agora está a recuperar e em agosto deste ano as vendas aumentaram 24% em relação ao período homólogo. Este é o terceiro artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Porque hei de ir embora mais cedo para depois estar sozinho?”

    Há cerca de 70 pessoas, na sua maioria sem-abrigo, que todos os dias comem no único sítio em Lisboa que lhes dá mesas, cadeiras, talheres e copos para que pelo menos à hora das refeições tenham um sítio onde comer que não seja a rua. Os pedidos de apoio têm aumentado e é preciso um espaço maior. Atualmente, 19,5% dos portugueses estão em risco de pobreza e é preciso recuar a 2003 para encontrar uma taxa maior. Este é o primeiro artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições