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Legislativas 2015

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Dramatização final no último comício de Passos e Portas

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O último comício do PàF

José Carlos Carvalho

Campanha da coligação acabou na Praça da Figueira, em Lisboa, depois de uma grande arruada no Chiado. A dramatização da instabilidade voltou, e em força

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Texto

Jornalista da secção Política

José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

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Fotojornalista

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

No último comício da coligação, Paulo Portas foi buscar toda a artilharia que tinha para dramatizar as consequências de uma eventual vitória do PS. Acenou com o défice a disparar e a dívida a crescer, acenou com o risco de não ser possível devolver rendimentos às pessoas, falou no papão dos "Syrizas cá do sítio" chegarem ao Governo, agitou a hipótese de Portugal se meter em problemas na Europa e no euro. O caos. Mas com um antídoto: "Ao votar coligação estão com toda a probabilidade a votar em quem vai ganhar e a acrescentar estabilidade a essa vitória, essencial para podemos ter quatro anos melhores, tranquilos (...) Deem a Portugal um Governo estável, duradouro e coerente".

O número dois da coligação levou ao comício duas notícias do dia, que apresentou como prova de que as coisas estão a correr bem e como sinal daquilo que poderá estar em causa se vencer o PS. Por um lado, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, que tantas vezes faz previsões mais pessimistas do que o Governo, confirmou esta sexta-feira que está ao alcance o cumprimento de um défice abaixo dos 3%, conforme o Executivo tem dito. "O Governo tinha razão e temos condições para ter um défice abaixo dos 3%. Mas o défice disparará para cima de 3% se forem socialistas a vencer. Não é uma suspeita, é o programa que eles apresentaram", disparou Portas. Por outro lado, pegando na notícia de um novo investimento estrangeiro que poderá chegar aos mil milhões de euros, Portas perguntou à audiência: "Vamos dar cabo da confiança, vamos dar cabo do investimento, vamos dar cabo da criação de emprego? Não. Para isso é necessário ter maioria, estabilidade e confiança".

Em noite de gastar o resto das munições, Portas alertou ainda que "se os indecisos se aproximarem do PS, isso terá como consequência certamente abrir caminho à aproximação de partidos antieuro e antiEuropa da esfera do poder e isso não é desejável para Portugal. A escolha, por isso, será entre a coligação, que "governa ao centro", como acontece "nos países europeus", ou o PS, que "abriu portas aos Syrizas cá do sítio para se poderem aproximar do poder".

Foto panorâmica do último comício do PàF

Foto panorâmica do último comício do PàF

Luís Barra

Passos: não andar à procura de arranjinhos

A seguir a Portas, Pedro Passos Coelho, embora em tom mais conciliador, pegou na deixa e puxou pelos argumentos. Embalados pelas sondagens, a questão para a coligação não é a vitória, mas a sua dimensão. A preocupação de Passos e Portas foi sobre as condições que o vencedor terá ou não para governar. "O desejamos acima de tudo são quatro anos de estabilidade, esperança e confiança, para não andar à procura de arranjos e arranjinhos, para ver se temos orçamento, se temos governo, se temos crescimento e emprego", disse Passos. A solução para isso, assegurou, é "uma maioria no Parlamento que traga estabilidade ao governo e a Portugal" - nunca, na campanha, pronunciou maioria absoluta, mas nunca tirou daí o pensamento.

O risco de uma disputa constitucional no caso de a coligação ganhar por poucos - o que poderia deixar o PS com mais deputados do que o PSD, podendo os socialistas reclamar que seriam a maior bancada parlamentar - também serviu para carregar razões no apelo à maioria absoluta. "Temos no essencial dois candidatos a primeiro-ministro, eu e o dr. António Costa. Agora imaginem o que era os portugueses escolherem a coligação e a mim para primeiro-ministro e na segunda-feira acordarem com António Costa como primeiro-ministro. Fará sentido que alguém que tivesse perdido as eleições fizesse Governo no dia seguinte?", perguntou o líder do PSD, frisando que "deve formar governo quem ganhar as eleições."

O comício final visto da varanda

O comício final visto da varanda

José Carlos Carvalho

Ministros, Marcelo, Santana... e taxistas

A parte central da Praça da Figueira estava bem composta, mas havia muito mais praça além do espaço que a coligação preparou para o comício. A multidão foi mais impressionante enquanto descia do Largo do Chiado até ao Rossio - não pareciam tantos como o PS tinha juntado, duas horas antes, mas estavam bastante mais festivos e empolgados. As sondagens pesam...

O palco também estava composto. Os principais rostos do governo lá estavam ao lado de Passos e Portas, a começar pelos governantes mais zurzidos pela oposição: Maria Luís Albuquerque, a ministra da austeridade, Paulo Núncio, o homem dos impostos, Sérgio Monteiro e Pires de Lima, os homens das privatizações... E bastantes mais, que antes tinham feito com Passos e Portas a tradicional descida do Chiado: Paula Teixeira da Cruz, Assunção Cristas, Rui Machete, Luis Marques Guedes... Santana Lopes, que chegou à arruada com os dois líderes da coligação, ficou num sítio mais discreto do palco; já Marcelo Rebelo de Sousa, que concentrou todas as atenções no início desta ação de campanha, cumprimentou Passos à chegada, mas não esteve nem na arruada nem no comício (foi gravar a entrevista desta noite com Ricardo Araújo Pereira).

Ao fundo da Praça da Figueira, um grupo de taxistas protestava por causa do conflito com a Uber e tentava fazer-se ouvir durante os dois discursos, com assobios e gritos de "aldrabão". Mas as palavras de ordem lançadas pelos jotinhas que estavam ali concentrados sobrepunham-se sempre. Apesar disso, o líder da coligação referiu-se ao facto de haver ali quem protestasse como uma vitória da democracia. "Que grande lição de democracia e pluralismo demos nestes quatro anos", lançou para a plateia.

A arruada no Chiado

A arruada no Chiado

José Carlos Carvalho