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Legislativas 2015

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Cavaco e sondagens à entrada do último dia de campanha

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EUA. Cavaco Silva, aqui fotografado a visitar o MoMA em Nova Iorque, falou sobre as eleições portuguesas

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Esta quinta-feira foi o penúltimo dia de campanha eleitoral. Com os partidos a dar tudo por tudo na estrada para tentar ainda convencer os últimos eleitores. Dois temas marcaram as últimas horas: as várias sondagens e as afirmações de Cavaco Silva dizendo que já sabe bem o que fazer na próxima segunda-feira

Martim Silva

Martim Silva

Diretor-Executivo

Com os partidos a queimarem os últimos cartuchos e a palmilharem os últimos quilómetros nesta campanha eleitoral, as últimas 24 horas foram claramente marcadas pelas declarações de Cavaco Silva, interrompendo o seu silêncio e dizendo que sabe muito bem o que vai fazer no pós-eleições. E ainda pelo surgimento das últimas sondagens, cada vez mais apontando no sentido de um cavar da vantagem da coligação PàF face ao PS (tendência que tem sido sentida nas últimas semanas).

Já lá vamos a Cavaco Silva e à suas declarações proferidas à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, que se realiza em Nova Iorque, e que são o prato forte de hoje.

Primeiro as sondagens. Ontem, três estudos de opinião, da Eurosondagem, Marktest e Intercampus, foram publicados e noticiados. E todos com o mesmo sentido: a vitória da coligação PàF, com uma diferença face ao PS que e cifra entre os 4 e os 6 pontos percentuais. De qualquer forma, nenhuma das sondagens aponta para a possibilidade de uma maioria absoluta saída das eleições do próximo domingo.

Mas as declarações de Cavaco Silva dominaram as atenções do ponto de vista mediático durante boa parte do dia. Que fará o Presidente da República depois de 4 de outubro? A quem dará posse?

O chefe do Estado pronunciou-se, ainda que de forma algo criptada e enigmática, sobre essa questão. Citado pela Lusa, afirmou:

"Quanto ao dia 5, eu estou com muita tranquilidade, sei muito bem aquilo que irei fazer e todos sabem que eu sou totalmente insensível a quaisquer pressões, venham elas de onde vierem. Decidirei nos termos dos meus poderes constitucionais e colocando sempre em primeiro lugar o superior interesse nacional".

Mais: "a forma como irei decidir, embora já esteja na minha cabeça, eu não irei revelar nem um centímetro". E ainda: "não quero avançar absolutamente mais nada, segui o princípio de nunca fazer nenhuma afirmação que pudesse ser entendida como interferência na campanha eleitoral".

Cavaco falou, disse que não se mete na campanha, mas as suas afirmações estão a marcar... a campanha. Recorde-se aqui que ainda há duas semanas o Expresso afirmava, a propósito da querela mais votos ou mais mandatos, quem deve governar, que no entendimento presidencial o que prevalece é a obtenção de mais mandatos na Assembleia da República.

Como reagiram então os partidos?

Vejamos o que disse Jerónimo de Sousa, sabendo-se como se sabe que os comunistas têm sido ultra-críticos a atuação presidencial: "Para o Presidente da República as eleições são o que são e ele já decidiu. Pode ser que o povo português decida em contrário daquilo que ele já tem na cabeça". E acrescentou uma acusação a Cavaco, dizendo que "demonstrou um certo desprezo em relação aquele que vai decidir o futuro do nosso país no plano político, aparecendo já com respostas prontas independentemente do facto de a votação ser no dia 4 de outubro".

Já António Costa, secretário-geral do PS, afirmou sobre o tema ser necessário "convencer um a um aqueles que estão propensos a votar em outras forças políticas. Desta vez cada voto vai mesmo ser absolutamente essencial para garantir um resultado absolutamente inequívoco, uma maioria absoluta que não dê pretextos a ninguém para não nomear na segunda-feira um novo Governo do PS para governar Portugal nos próximos quatro anos".

No plano oposto, e também como era inteiramente de esperar, Passos veio secundar as palavras de Cavaco. "O facto de ele não ter sido mais explícito a mim não me gera nenhum desconforto. Antes pelo contrário, tenho toda a confiança naquilo que será a metodologia que ele irá seguir para a formação do Governo, atento, como diz a Constituição, aos resultados eleitorais. Portanto, o Presidente da República disse aquilo que se espera de um Presidente da República. que está preparado e que sabe muito bem como proceder nestas circunstâncias. E eu não tenho nenhuma dúvida de que o senhor Presidente da República sabe como proceder no dia a seguir às eleições".

Além das afirmações de Cavaco, o facto de ter feito saber que na segunda-feira não vai participar nas habituais comemorações do 5 de outubro, precisamente por calharem um dia depois das eleições, motivou muitos comentários e críticas por parte da oposição. O Presidente argumenta que a delicadeza do cenário pós-eleitoral, em que uma intervenção presidencial pode ser decisiva, justifica a necessidade de algum resguardo público.

Hoje, sexta-feira, é mesmo o último dia de campanha. Com as também habituais descidas do Chiado, tanto do PS (que convidou os ex-líderes e ex-presidentes do partido a estarem presentes), como do PàF, como da CDU. Talvez não seja o melhor dia para ir passear para aquela zona, digo eu, se não quer ser atropelado por uma comitiva partidária ou ter de dar uma bacalhauzada a um dos líderes.

Segue-se, no sábado, o habitual dia de reflexão.

E no domingo, um domingo em que vai haver chuva (e também com o inédito de Sporting, Benfica e Porto jogarem para o campeonato) é a vez dos 9 682 369 cidadãos eleitores inscritos nos cadernos de recenseamento decidirem a composição do próximo Parlamento. E quem é que vai governar Portugal nos próximos quatro anos. Ou pelo menos nos tempos mais próximos...