Siga-nos

Perfil

Legislativas 2015

Legislativas 2015

Bloco em apoteose na Rua de Santa Catarina (Martins)

  • 333

Nuno Botelho

Na última ação de rua, Catarina Martins foi engolida pela população que a quis beijar e abraçar na Rua de Santa Catarina, na Baixa do Porto. No fim da campanha, numa tarde com uma saída em ombros, uma farpa para Paulo Portas: “Devia ter vergonha na cara”

Paulo Paixão

Paulo Paixão

Texto

Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

Fotos

Fotojornalista

Foram necessários uns três quartos de hora para a arruada do Bloco de Esquerda descer a Rua de Santa Catarina, no Porto, ao final da tarde desta sexta-feira, na última ação de rua dos bloquistas.

Catarina Martins foi literalmente engolida pelas sucessivas vagas de pessoas com quem se cruzava ou se dirigiam ela de propósito, em busca de um beijo, de um abraço, de um sorriso, de uma simples palavra ânimo. O percurso do troço entre a Rua Fernandes Tomás e o Café Majestic, cerca de 270 metros, foi feito a passo de caracol. E por momento o caracol nem se mexia.

De início acompanhada de perto pelo ator António Capelo, que intervirá no comício de encerramento da campanha do Bloco, na Alfândega do Porto, Catarina Martins teve de dar autógrafos, ouviu palavras de incentivo (“São precisas muitas catarinas no Parlamento”), recebeu a solidariedade internacional (um espanhol desejou-lhe: “Suerte! A ganar!”) e ainda sorriu mais quando um apoiante mais arrebatado gritou “Até os comemos!”.

Nuno Botelho

Em alguns momentos, a líder do Bloco parecia nem acreditar nos apertos e encontrões que a massa de gente que lhe queria tocar provocava - com os jornalistas em enxame em redor dela a criarem por vezes um movimento contrário, o que a deixava, pequena e franzina, cercada e à mercê de dar um trambolhão.
Ante a confusão que em alguns momentos existiu, a improvisada logística do Bloco fazia o que podia para manter a segurança da candidata. Mas ninguém, da comitiva ou jornalistas, esperava por uma receção tão calorosa e anárquica a Catarina Martins.

A poucas horas do fim da campanha, com muitos bloquistas a não conseguirem disfarçar a confiança que foram ganhando de dia para dia, Catarina Martins vai gerindo a onda.

Nuno Botelho

Centra a mensagem no essencial. Em primeiro lugar, o apelo ao voto, chamando os abstencionistas. “No domingo é preciso quem ninguém fique em casa”. A quem lhe deseja sorte, adverte: “A sorte faz-se. Temos de ser muitos a votar no domingo”.
O conteúdo político é reduzido ao mínimo possível: “É possível ter esperança. Não podemos desistir de Portugal. Vamos deitar abaixo a direita”.

Francisco Louçã estava quase a chegar para se juntar ao cortejo (depois de abraçar Catarina Martins e outros membros da dianteira da arruada, resguardou-se rapidamente dentro do pelotão, numa segunda linha), quando Catarina Martins lançou o soundbite da tarde.

Questionada a comentar uma declaração de Paulo Portas, que disse ser necessário impedir o surgimento de Syrizas em Portugal, Catarina Martins recordou o tempo do CDS como “partido dos pensionistas e dos reformados”, para afirmar que Paulo Portas “devia ter vergonha na cara”.

Nuno Botelho