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Legislativas 2015

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“A política devia ser como o desporto: falar menos e fazer mais”

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O que é que os políticos nunca dizem mas deviam dizer? Em “Dito por não dito”, e durante a última semana de campanha eleitoral, o Expresso colocou a questão a personalidades de vários sectores da sociedade portuguesa - e ainda outras duas perguntas: o que é os políticos deviam saber e não sabem e o que é que deviam fazer e não fazem? O último é Tomaz Morais, antigo selecionador nacional de râguebi

João Santos Duarte

João Santos Duarte

Texto e vídeo

Jornalista

João Roberto

João Roberto

Grafismo Vídeo

Motion designer

Minuto 47. Jogada de insistência junto à linha defensiva adversária. Inesperadamente, Rui Cordeiro consegue concretizar um ensaio contra uma das mais poderosas seleções de râguebi do mundo. O momento é festejado pelos portugueses no estádio como se de uma vitória se tratasse. Resultado final do encontro? 108-13. Portugal perdeu com a Nova Zelândia. Sem grandes surpresas.

Há duas formas de olhar para este resultado. Uma é olhar para as estatísticas e perceber que foi uma das derrotas mais pesadas de sempre sofridas por uma seleção na história dos mundiais de râguebi. Outra é olhar para aquele momento histórico do minuto 47 em que uma equipa constituída apenas por jogadores amadores marcou um ensaio frente aos todo poderosos “All Blacks”. Foi, aliás, a primeira selecção totalmente amadora a participar na fase final de um campeonato do mundo de râguebi de 15.

Quem estava à frente dessa equipa na altura e conseguiu o feito de qualificar os “Lobos” para o mundial de França foi Tomaz Morais. Hoje continua ligado ao râguebi, a sua paixão de sempre, como consultor da Federação Portuguesa, mas é também formador e dá palestras nas áreas de liderança e gestão de equipas. Um dos seus lemas é “a atitude faz a diferença”.

Quando olha para trás, prefere sempre realçar a importância daquele minuto 47. Portugal pode ter perdido esse jogo, como todo o mundo esperava. Mas mostrou essa atitude. E o futuro nunca se sabe. (Para se ter uma ideia, o Japão está no quadro das equipas que sofreram as derrotas mais pesadas em mundiais, com um 145-17 frente à Nova Zelândia em 1995. Vinte anos depois, a selecção japonesa causou surpresa mundial há poucos dias ao vencer a também poderosa África do Sul por 34-32, no mundial que decorre em Inglaterra, um resultou no qual ninguém apostava à partida).

“Um dos grande problemas do povo português é que acredita pouco”, afirma Tomaz Morais, e “os políticos pouco fazem para conseguir inverter essa mentalidade”. O antigo selecionador nacional de râguebi considera que “precisávamos de políticos que sejam uma referência, que tenham carisma, e que não sejam, apenas políticos por interesse”.

Considera que os portugueses estão fartos de palavras. “Tal como no desporto, os políticos têm de perceber que é na execução que a diferença se faz.” Gostaria de ver os políticos mais perto da realidade do dia a dia das pessoas, visitando com mais frequência escolas e hospitais, para terem uma noção real do que se passa nos sectores da educação e saúde. Mas garante ter esperança nos políticos mais jovens, e expressa um desejo: “Não se agarrem tanto a doutrinas e livros e interesses, e estejam mais próximo da realidade”.