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Legislativas 2015

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A Barraca estava cheia e o Livre insiste na união. “Eles vão perder e Portugal vai ganhar”

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O dia era de união, mas o Livre/Tempo de Avançar não poupou nas críticas e desafios à esquerda. O último comício de campanha aconteceu esta noite em Lisboa e contou com a participação de Rui Tavares, Ricardo Sá Fernandes, Ana Drago, Isabel do Carmo e José Reis

A sala estava cheia e a lotação duplicava a permitida para uma noite de espetáculo. O Livre/Tempo de Avançar (L/TDA)—que ainda tem ações marcadas para esta sexta-feira — fez na última noite um comício. Foi no Teatro Cinearte A Barraca que tudo aconteceu. Rui Tavares, Ricardo Sá Fernandes, Ana Drago, Isabel do Carmo e José Reis tomaram a palavra.

A mensagem era de esperança, mas também de luta. Contra as políticas do governo, pela união da esquerda. O L/TDA reafirmou a mensagem deixada ao PS, CDU e Bloco de Esquerda, sem que isso o impedisse de criticar a forma como a esquerda se comportou nos últimos anos.

Pelo fim de uma esquerda “cheia de razões”, mas que “falha em soluções”, José Reis, cabeça de lista por Coimbra, apelou à união. Deixou críticas ao “ajuste de contas reacionário” do governo e insistiu na “dignidade e valor do trabalho”, no “resgate das pessoas” e de uma “segurança social pública sem nenhum plafonamento”. Neste ponto, o professor universitário não deixou de referir a forma “dúbia” como o tema surge no Programa do Partido Socialista.

Isabel do Carmo trouxe a falta de meios que o Livre teve durante a campanha para o palco e não deixou nada por dizer: “Somos um partido de tesos”. A cabeça de lista pelo círculo de Setúbal frisou “a enorme capacidade de nos aturarmos uns aos outros” e reforçou a necessidade de união daqui para a frente.

Ricardo Sá Fernandes, pelo Porto, trazia Passos Coelho, Paulo Portas e o restante governo na agenda. O advogado avaliou a reforma do Estado anunciada pelo vice-primeiro ministro e considera-a “uma folheca de generalidades inúteis”, à qual se junta “a destruição do Estado Social”. O cabeça de lista acredita nos eleitores e diz que no domingo a resposta será muito clara: “eles vão perder e Portugal vai ganhar”.

O brilho nos olhos de Ana Drago não enganava. Desde o início do comício que a ex-deputada bloquista se mostrava emocionada com a sala cheia e com as intervenções dos restantes candidatos. Quando chegou a sua vez, falou do estado do país. “Contra esta direita revanchista”, a dirigente do partido da papoila fala das ideias do L/TDA para a construção de uma nova maioria. “Fizemo-lo com toda a seriedade, como tem de ser”, diz. “Com um programa detalhado de cada área difícil da sociedade portuguesa”, dizem-se preparados "para avançar".

Ana Drago não se senta sem deixar algumas questões aos restantes partidos de esquerda. Ao Partido Socialista exige que diga antes das eleições “se está ou não disponível para conversar com os partidos à sua esquerda”, pois caso não o faça está “de alguma forma” a dizer que “viabilizará um governo de direita ou até um bloco central”.

O Bloco de Esquerda e a CDU também não ficam de fora. “Se o que disseram nestes últimos quatro anos é verdade, se o que disseram nesta campanha é mesmo a sua vontade política e querem mesmo correr com a direita, este é o momento”, desafia. A número dois por Lisboa não tem dúvidas que “não há uma segunda oportunidade de colocar a direita na rua”. Ana Drago é dura para com os dois partidos: “Podem ter bons resultados e até conseguir mais deputados na Assembleia” mas, caso isso não sirva “para defender as pessoas”, “não valem quase nada“.

O comício termina com a intervenção de Rui Tavares sobre a união que apresentou durante a tarde, à qual se seguiu a música 'Liberdade' de Sérgio Godinho. O cabeça de lista pelo círculo de Lisboa reforçou a mensagem de Ana Drago e revelou o que mais ouviu durante a campanha: “Entendam-se para os tirar de lá“.