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Legislativas 2015

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“Os políticos deviam decidir não ser sociopatas”

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O que é que os políticos nunca dizem mas deviam dizer? Em “Dito por não dito”, e agora que estamos na última semana de campanha eleitoral, o Expresso coloca a questão a personalidades de vários sectores da sociedade portuguesa - e ainda outras duas perguntas: o que é os políticos deviam saber e não sabem e o que é que deviam fazer e não fazem? Gil Costa, neurocientista, responde esta quinta-feira

Há uma piada sobre números que diz que um especialista em estatística é aquele que nos avisa que se temos a cabeça no frigorífico e os pés no forno estamos - a julgar pela média - numa posição confortável. Para Gil Costa, doutorado em neurociências, os políticos estão sempre a arder nos números. Isto é, "hoje em dia os governantes usam cada vez mais a estatística, mas em vez de falarem apenas com consultores que muitas vezes só dizem aquilo que os políticos querem ouvir, deviam rodear-se de bons especialistas para contextualizar os números".

Há oito anos a trabalhar em Lisboa, Gil considera que os políticos podiam partilhar alguns dos princípios que norteiam a comunidade científica, tais como o rigor e a transparência. "Cada vez que publicamos um artigo científico temos de dizer quais são os nossos conflitos de interesse. Por exemplo, se eu estiver a coordenar um artigo em que digo que há uma molécula maravilhosa que cura determinada doença e, ao mesmo tempo, for diretor de uma farmacêutica que produz essa molécula, tenho de deixar isso claro no artigo, senão a minha carreira científica está arruinada. Podíamos aplicar o mesmo à política."

Ao contrário de muitos bolseiros de investigação, que vivem sob constante pressão para conseguir financiamento, Gil não tem planos para deixar o país. Aos 31 anos integra o gabinete de comunicação da Fundação Champalimaud, onde trata de tudo o que é grafismo e design de artigos sobre ciência. O desafio é conseguir transmitir conteúdos científicos à população e também facilitar a comunicação entre investigadores. Licenciou-se em Biologia na Universidade de Coimbra e fez doutoramento em neurociências com uma bolsa na Fundação Champalimaud. Entretanto esteve um ano nos Estados Unidos a colaborar com um cientista e considera que, apesar de muitos dos "cérebros" portugueses "terem fugido" para o estrangeiro, os políticos poderiam recorrer regularmente à sua ajuda - "estão todos à distância de um e-mail".

O edifício onde este jovem neurocientista trabalha diariamente ainda cheira a novo. Está cheio de corredores brancos e de janelas com muita luz. É em Lisboa, mas podia ser em qualquer cidade desenvolvida do mundo. Os investigadores trabalham em grandes salas cheias de bancadas corridas e falam entre si em inglês. O ambiente é propício a tecnologia de ponta e a descobertas científicas e Gil gostaria de ver mais políticos a passarem por lá "sem comitivas nem jornalistas", para terem contacto com aquela realidade. "Porque é isso: vemos os debates parlamentares e parecem meros joguinhos de retórica. Eles são muito bons na retórica, mas falta-lhes contacto com a realidade."

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