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Legislativas 2015

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Ferreira Leite. “As sondagens ofuscaram o debate político”

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A antiga líder do PSD lembrou ainda que o partido que vença as eleições no domingo terá a grande responsabilidade de não desiludir as “expetativas das pessoas”

Manuela Ferreira Leite lamentou que “as sondagens” tenham ofuscado “o debate político” ao longo da campanha eleitoral. Esta quinta-feira à noite, no habitual espaço de comentário na TVI 24, a ex-ministra das Finanças disse não “estranhar” o facto das “sondagens apontarem para uma tendência” [vitória da coligação PSD/CDS], que inicialmente “as pessoas não esperariam”.

“Não acho estranho. As pessoas votam com um objetivo. Ou estão a sancionar o Governo ou estão a pensar no futuro. É uma questão de pensar no passado ou no futuro. (…) Estas eleições estão a ser marcadas pelas sondagens, que quase ofuscaram o debate político”, disse.

Ferreira Leite sublinhou ainda a importância do papel dos vencedores da eleição no próximo domingo: “O partido que ganhar vai ter uma grande responsabilidade. As pessoas estão descontentes. O partido vai com a carga das expetativas das pessoas que esperam que o que as aborreceu” seja resolvido.

Relativamente à ausência de Cavaco nas comemorações do 5 de Outubro - que coincide com dia seguinte às eleição -, a ex-líder do PSD acha “que na segunda-feira o Presidente da República não terá nada para dizer”, uma vez que deverá falar à nação no sábado - véspera do sufrágio. “Se isso não acontecer fico espantada. É costume o Presidente dirigir-se à nação na véspera das eleições”.

Na passada segunda-feira, a Comissão Europeia divulgou um relatório que diz existir em Portugal margem de manobra para fazer crescer alguns impostos e que considera a carga fiscal relativamente baixa. Paulo Portas disse que não passava de uma “mera opinião” de Bruxelas e Ferreira Leite acrescentou que tem “imensas dúvidas nessa análise” europeia.

“Não sei o que é o espaço para o aumento da carga fiscal. Tenho muito receio das opiniões de Bruxelas, das opiniões que passam a ordens”, afirmou.

Já quanto ao escândalo da Volkswagen - tema que também está na ordem do dia - Ferreira Leite diz-se impressionada pelo um “mundo sem valores e sem princípios”, onde se confortam com “o jogo das aparências”. “No caso do sector automóvel foram impostas regras que todos sabem que são inexequíveis, mas em vez de dizerem” fazem na mesma, mas às escondidas.