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Legislativas 2015

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Em comício à americana, BE apela ao votos dos “desiludidos” e dos “enganados pela direita”

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Nuno Botelho

Na Incrível Almadense, com a casa cheia, o Bloco de Esquerda exalta a histórias das lutas operárias no distrito de Setúbal, para fixar o objetivo: “Combater a desistência”

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

"Apelam à desistência todos os que dizem que não há alternativa", afirmou a porta-voz nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, no comício na Incrível Almadense, com o que Bloco encerrou a campanha no Sul do país.

Aquela foi uma das ideias fortes do discurso da porta-voz do BE, que elegeu o combate à "desistência" como a missão dos bloquistas até domingo. E isso far-se-á pela conquista do voto dos "desiludidos" e dos "enganados pela direita", sejam professores, funcionários públicos ou a "geração quinhenteurista", disse.

Foi um dia com novidades na cartilha do Bloco. Com altas expectativas relativamente ao resultado de domingo - na véspera, Catarina Martins assumira pela primeira vez que o BE está empenhado em aumentar o número de deputados -, a candidata deu os primeiros passos na jornada de campanha com os pés bem elevados do chão.

Tratou-se de uma visita de helicóptero sobre a Arrábida, para ver e mostrar os crimes ambientais cometidos na serra, com a abertura de pedreiras, numa área equivalente a 320 campos de futebol.

Horas depois, ao final da tarde, numa arruada pelo Chiado, os pés tiveram de estar bem junto ao chão, para dar bom andamento e segurança ao concorrido desfile. Iniciado junto à Brasileira, desceu a Rua Garrett, para terminar na Rua Augusta. A mais concorrida (teve a presença de Francisco Louçã, Fernando Rosas e Luís Fazenda, entre outros), animada e barulhenta iniciativa do BE nesta campanha. Uma banda abria o cortejo, que chamou a atenção de muitos turistas, que aproveitaram para registar o momento em fotografias.
Já pela noite, com um horário flexível a acautelar a presença dos adeptos do futebol que viram na TV o Atlético de Madrid vs Benfica, a Incrível Almadense abriu as portas para o comício do Bloco.

Nuno Botelho

Na sessão, o mandatário em Setúbal, Fernando Rosas, começou por recordar o património de lutas operárias na cidade e em todo o distrito. Foi uma forma de apelar à união dos presentes, arregimentando-os para lutas já em curso e outras em via se iniciarem."O combate de hoje e de amanhã é o combate contra a mentira e o medo que a coligação de direita espalhou pelo país", disse.

Coube a Rosas, um dos quatro fundadores do Bloco, responder a críticas do socialista Carlos César, ouvidas por Rosas "sem surpresa, mas com perplexidade". César, o antigo presidente do Governo Regional dos Açores e hoje presidente do PS, afirma que "votar no BE é votar na direita".

"Não me admira tanto a acusação, mas a falta de pudor que ela reveste", disse Fernando Rosas. Mas a frase mais contundente estava para ser dita: "Não se enganem! A esquerda e o BE defendem a democracia com firmeza e sem falhas. O PS tem dias", afirmou.
Agora, a apenas dois dias do fim da campanha, o BE tenta passar a sua mensagem, por todas as formas e feitios: repetem-se com novas nuances muitas das fórmulas já debitadas nos últimos dias.

No caso de Almada, uma das novidades foi a troca do palco tradicional por uma espécie de estrado-passerelle. A estrutura fica rodeada de pessoas por todos os lados, pelo que o orador fala no meio delas, podendo deslocar-se na pequena plataforma. É como se Catarina Martins, Joana Mortágua ou Fernando Rosas, três dos intervenientes, estivessem rodeados por um mar de gente (na Incrível Almadense marcaram presença entre 400 e 500 pessoas, lotando por isso a sala).

A campanha do BE estará esta quinta-feira no Porto pelo final da manhã, para uma visita ao Teatro do Bolhão. A jornada culminará em Braga (com arruada ao fim da tarde e um comício à noite).