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Legislativas 2015

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Costa assegura: o PS não deixará “cair o país no caos”

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FOTO Rui Duarte Silva

Contra a coligação de direita que acena com o fantasma da instabilidade que um Governo PS traria ao país, o líder socialista respondeu esta noite em Santa Maria da Feira: “Eles estão é preocupados com a estabilidadezinha deles”

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

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Jornalista da secção Política

Já não há muito de novo a dizer. A quatro dias das eleições, com a voz a acusar a exigência da reta final da campanha, António Costa dirigiu-se ao auditório que o ouvia em Santa Maria da Feira com uma mensagem em mente: voltar a desmentir a ideia, alimentada pela coligação PSD/CDS, que votar PS é dar carta branca à instabilidade, quando instabilidade foi o que marcou os quatro anos da governação da direita. “Eles agora falam muito em estabilidade, mas não se preocuparam com a instabilidade que trouxeram (aos funcionários públicos, aos reformados e pensionistas, aos desempregados e aos jovens que tiveram de emigrar). Estão preocupados agora é com a estabilidadezinha deles”. Garantiu que se o PS ganhar, “como é necessário que ganhe”, com maioria absoluta, “não sacrificaremos nem o diálogo social nem o diálogo político”. E assegurou que, “se por alguma razão”, não tiver essa maioria absoluta, “não deixaremos o país cair no caos”.

“Eles bem tentam agora vir assustar as pessoas. Tentar meter medo. Mas eu que ando por aí na rua, a falar olhos nos olhos com os portugueses, sinto que não há medo em Portugal. Só tem medo a coligação de direita, porque tem medo da derrota que vai ter no domingo”, disse o líder socialista, fazendo por ignorar as sondagens do dia que voltam a dar a PàF à frente nas intenções de voto.

A plateia estava composta, mas longe, bem longe, das 6000 pessoas que a coligação conseguiu juntar no Europarque, ali mesmo em Santa Maria da Feira, na semana passada. É certo que a capacidade de mobilização não é sinónimo de votos (há quatro anos, exatamente no mesmo local, José Sócrates reuniu mais gente e não foi por isso que deixou de perder as legislativas). Mas a comparação com os adversários - que a mudança do local do comício, inicialmente agendado também para o Europarque, procurou evitar - foi mesmo... inevitável. Com clara desvantagem para o “grande comício” socialista.

Pedro Nuno Santos: “Nunca o PS tinha apresentado um candidato tão bem preparado”

Antes de Costa, falara o presidente da Federação do PS de Aveiro, e cabeça de lista pelo distrito, Pedro Nuno Santos. O antigo líder da JS, que tem ambições de um dia chegar ele próprio à liderança do partido, fez um retrato hagiográfico do secretário-geral, que considerou o melhor candidato a primeiro-ministro que o PS, ou mesmo qualquer outro partido, alguma vez apresentou. Seria “um erro trágico” não o aproveitar, “desperdiçar a oportunidade de o ter primeiro-ministro”, disse.

Muito crítico para o Governo, a quem aponta “desfaçatez, descaramento, falta de vergonha”, acusou Passos Coelho, o “Michael Phelps do desemprego”, de “ao cair do pano da campanha, começar todos os dias a fazer promessas”. E discordando dos que afirmam que a direita tem um programa escondido, afirmou: “O programa da direita é muito claro e já começaram em 2011”: em primeiro lugar, “privatizar tudo o que mexe”; depois “empobrecer o país”.

Sobre o desafio que o PS tem pela frente nos poucos dias que faltam para 4 de outubro, reconheceu: “Esta é uma tarefa difícil, mas é mesmo a batalha das nossas vidas”. E terminou com uma nota de otimismo: “Inventem o que quiserem, as sondagens que quiserem; o quase milhão de pessoas que saiu à rua a 15 de setembro de 2012 (para protestar contra o Governo que queria aumentar a TSU dos trabalhadores) também vai sair à rua dia 4 para mudar Portugal”.