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Legislativas 2015

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Passos joga tudo: crucifixo no bolso, Nossa Senhora e “muita fé nas pessoas”

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MIGUEL A. LOPES / Lusa

Só faltou o bispo. Criancinhas, velhinhos, Nossa Senhora de Fátima, beijos aos “que mais precisam”. Passos anda de crucifixo no bolso. E mostra-o. Mais macio do que nunca, dá o tudo por tudo pela maioria absoluta

Está em marcha a arrancada final para pescar os votos do centro direita que fugiram. Enquanto Paulo Portas dava uma entrevista à Rádio Renascença em que admitia aliviar a carga fiscal, Pedro Passos Coelho retirava do bolso um crucifixo que lhe ofereceram em Leiria e que confessa trazer no bolso até "chegar a casa na sexta-feira".

"Tenho muita fé nas pessoas", afirmou aos jornalistas, com o crucifixo na mão a ser filmado pelas TV. O "cenário" que o esperava num dos quartos do lar que visitou - precisamente um crucifixo e uma Nossa Senhora de Fátima - deu o pretexto. "Tem fé nos resultados?", pergunta o repórter. Passos agarra a chance e vai ao bolso. Exibe. A cruz. A direita gosta disto.

É o tudo por tudo na estratégia de pesca à linha dos tais 500 mil eleitores que se zangaram com o Governo em que votaram. A reconciliação está em marcha, acreditam os dirigentes da coligação Portugal à Frente (PàF). Mas "há muito trabalho ainda por fazer", diz o candidato.

MIGUEL A. LOPES / Lusa

O que Passos fez esta manhã foi clarinho como água: lançou-se literalmente nos ombros dos velhinhos, com tempo, pachorra e afeto. E deu corda às criancinhas que gritavam em coro, no recreio da escola: "Passos Coelho! Passos Coelho!".

"Sabes que ontem o Porto ganhou ao Chelsea?" Passos parece solto e tranquilo. As sondagens animam, mas é preciso pacificar, pacificar e agregar, agregar: "Mas olha que Sporting também é um grande clube!".

António Amaro Leitão, secretário de Estado com o pelouro das autarquias e cabeça-de-lista por Viseu, conhece o terreno e diz que não tem dúvidas:" Nunca vi uma mudança tão grande na rua em tão pouco tempo", diz ao Expresso.

O cavaquistão é terreno seguro. Mas os tempos de Passos não são os de Cavaco, em que em vez de troika havia vacas gordas. A PàF tem três dias para conseguir bastar-se a si própria. Se for verdade o que parecem dar como certo: que a vitória está no papo.

  • “O cavaquistão passou a passistão.” Portas prefere “PàFistão”

    Foi o primeiro cheirinho a ciúme desta campanha. O presidente da Câmara de Lamego, do PSD, disse que “o cavaquistão (Viseu) passou a passistão” (de Passos). Portas espera que no domingo “possamos ter o PàFistão” (de PàF, de Portugal à Frente). Passos segue na sua: “O país simples percebe porque é que estamos à frente”