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Legislativas 2015

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PSD compara Passos a Cavaco

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Luis Barra

Viseu deu o pretexto e o PSD agarrou-o. Tirou Cavaco do pedestal e pôs lá Passos Coelho, o novo homem providencial. No passistão também sonham com duas maiorias absolutas. O próprio avisou: “segunda-feira é tarde”

Ângela Silva

Ângela Silva

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Jornalista

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

Primeiro foi o presidente da câmara de Lamego, Francisco Lopes, que no almoço na cidade resolveu lançar o slogan: “o cavaquistão passou a passistão”. Não parecendo nada de bombástico é uma fratura na história dos “laranjinhas”. Subitamente, o PSD tem um novo homem providencial.

O cavaquistão, recorde-se, nasceu das duas maiorias absolutas que Cavaco Silva deu ao partido e para as quais Viseu contribuiu em larga escala. E Passos é o homem que tirou o país da bancarrota, que uniu a direita e que surge, contra todas as previsões, em condições de ser reeleito com margem que pode chegar à maioria absoluta.

O próprio não tem pedido outra coisa e voltou a fazê-lo, sempre sem chegar a pronunciar a frase, num “mega, mega, mega” ( a expressão é de Paulo Portas) jantar em Viseu, com cerca de quatro mil pessoas. O líder do PSD insistiu “não haver nada de mal em votar no que deu certo”, e chamou à atenção para o risco de um Governo ser eleito e, se não tiver maioria, “estar a ser preparado um outro Governo que não respeite a vontade popular”.

Por isso, “é melhor serem os portugueses a escolherem com clareza o Governo que querem”, afirmou. Viseu aplaudiu. Passos garantiu-lhes que se conseguir um Governo que se baste a si próprio não haverá mais resgates para Portugal.

Coube a António Leitão Amaro, cabeça de lista pelo distrito e secretário de estado de Passos, aproveitar o mega jantar para recuperar o slogan do almoço. “Bem-vindos ao passistão” gritou do palco, e a sala irrompeu em aplausos. Passos havia de agradecer a Leitão Amaro, que considerou “um dos que mais promete na nova geração do PSD”.

Paulo Portas voltou a chamar a si os ataques aos socialistas: “a relação do PS com o sucesso do país é muito difícil”, afirmou, lembrando os números do Eurostat que dão nova queda do desemprego. “E o PS o que disse? Nadinha!”, criticou Portas. Garantindo que com uma maioria estável da atual coligação, e com “os pés assentes no chão, vai ser possível dar com uma mão rigor nas contas e com a outra recuperação dos rendimentos para contribuintes e pensionistas”.

Rematou com uma frase para ficar no ouvido: “A questão, no domingo, não é entre esquerda e direita. É entre passado e futuro”. O apelo para que todos votem foi engrossado no passistão. “Segunda-feira é tarde”, avisou o primeiro-ministro.