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Legislativas 2015

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Costa rompe de vez com o PS de Sócrates: “Não temos um programa assente no relançamento de grandes obras públicas”

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Rui Duarte Silva

Num almoço em Abrantes, o líder socialista dramatizou no apelo aos abstencionistas: “Ficando em casa não resolvem nada”. E garantiu que o seu programa não tem nada que ver com o do PS em 2011

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

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Jornalista da secção Política

Limpinho e sem espinhas, mesmo para maus entendedores perceberem: "A situação, hoje, é bem distinta da de 2011. Não temos um programa assente no relançamento de grandes obras públicas, no grande investimento público, no aumento da despesa pública. Mas um programa assente na reposição do rendimento das famílias e na criação de condições de investimento para as empresas. E esta diferença faz toda a diferença".

O secretário-geral socialista distanciava-se assim, e de vez (já o vinha fazendo, mas nunca de forma tão explícita), do PS liderado por José Sócrates. Falando num almoço em Abrantes (autarquia socialista), dirigiu-se Passos e Portas para deixar claras as diferenças entre o PS de 2011 e o de 2015: "É preciso não ter vergonha para confundirem diminuição da sobretaxa com a construção do TGV; é preciso ter um grande descaramento para confundirem reposição do Complemento Solidário para Idosos com a construção de um novo aeroporto".

FOTO Rui Duarte Silva

Acordar na 2ª feira e dizer “ai se eu soubesse”

Depois de ter passado na terça-feira uma mensagem muito focada nos potenciais eleitores de esquerda, Costa chegou a terras do Ribatejo e moderou o discurso: "Não pomos o Estado a puxar pela economia, mas a economia a puxar pelo saneamento das finanças públicas do Estado". Até um artigo de jornal (está certo que estrangeiro, o Financial Times) citou para garantir: "Somos um partido moderado, antiausteridade. Não somos um partido de rutura e confonto, mas um partido do diálogo e da concórdia nacional".

Se, "infelizmente", o PS não obtiver maioria absoluta no próximo domingo, o líder socialista assegura: "Seremos os únicos capazes de fazer pontes e assegurar condições de estabilidade".

Terminou a intervenção dirigindo-se, desta vez, aos abstencionistas: "Temos bem consciência que os portugueses sofreram muito estes anos e se interrogam sobre se vale sequer a pena sair de casa no domingo para ir votar". "Ficando em casa não resolvem nada." E advertiu: "O pior que pode acontecer na 2ª feira de manhã é acordarem e dizerem 'ai se eu soubesse'". É que, sublinhou, "desta vez o disparate só tem emenda daqui a quatro anos".