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Legislativas 2015

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O 9.º dia de campanha: da cultura às bolas de Berlim

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CULTURA. O líder do PS almoçou com personalidades da Cultura, a quem prometeu “um Governo de cultura”

Rui Duarte silva

Em dia ameno de campanha eleitoral, ficam os ecos do fim de semana, com os grande partidos a pedir a maioria “grande e boa” à moda da coligação, ou “com todos os adjetivos”, à maneira PS. Mas as “tracking polls” continuam a marcar o distanciamento da PàF dos socialistas

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

No dia em que António Costa foi aos Açores bater-se por mais um deputado (o terceiro em cinco), a coligação PSD/CDS continuou a insistir nos recados de unidade nacional, desta feita em torno de bolos gigantes em forma de pera rocha e de morango com que festejou o aniversário de Assunção Cristas, a candidata do CDS pelo distrito de Leiria. Foi na manhã desta segunda-feira, numa exploração agrícola nas Caldas da Rainha. Jogo em casa, dir-se-ia, para quem é ministra da Agricultura...

Na festa também havia bolas de Berlim, mas Portas, segundo relata o Filipe Santos Costa, foi rápido em descartar-se a brindar com elas, não fosse alguém pensar que a dupla Passos Coelho/Portas era abençoada por Merkel.

A ideia agora, transmitida pelos dois líderes, é falar em Portugal em vez dos partidos, sendo que o voto é pedido para aquele e não para estes, o apelo é para Portugal e para os portugueses, porque isto de eleições não é uma guerra, é diálogo e estabilidade, porque “a estabilidade é que é boa para Portugal”. E a maioria que pede é “grande e boa” e é para a Portugal à Frente, não para o PSD e o CDS.

Ora bem, “absoluto” é uma palavra de que o primeiro-ministro não gosta de usar: “O que nós queremos não é o absoluto, é estabilidade para governar”, disse Passos Coelho, depois de no fim de semana o seu “amigo para sempre” ter apelado a uma maioria positiva – por contraponto, claro está, àquela que é supostamente “negativa”, a que apela o rival PS.

Uma festa de anos em plena campanha

Uma festa de anos em plena campanha

Luís Barra

Variações de maioria

É verdade que António Costa, nesta ponta final da campanha, na sua estratégia de bipolarização, não se tem escusado a ela. Num fim de semana que lhe correu bem em apoios e arruadas, também ele fala em estabilidade mas no sentido de que só com o PS ela é um seguro para pensionistas, famílias e empresários. Mas para tanto, repete, é preciso maioria: “Com todos os adjetivos, quer dizer, grande, extraordinária, inequívoca, absoluta”. Quem conta é a Cristina Figueiredo, que esteve lá a ouvir.

O líder socialista seguiu esta segunda-feira para os Açores, para participar num comício em São Miguel com o presidente do partido, Carlos César, cuja falta se tem feito sentir no continente. César é cabeça de lista do PS nas ilhas, que governou durante 16 anos. Espera-se que apareça agora, para o encerramento.

Antes, Costa marcou o dia em Lisboa, com um almoço com gentes da Cultura, artistas, atores, cantores, intelectuais, a quem, mais do que um ministério da Cultura, prometeu um Governo de Cultura. “Ao Estado e ao Governo não cabe ter política de gosto, mas é sua obrigação contribuir para que todos possam ter gosto pelo cultura e torná-la acessível a todos”, disse o líder socialista.

Já a líder do Bloco tirou o dia para ir até Fátima (quem diria?) mas a uma escola de Hotelaria, para ouvir os jovens menores de idade na sua maioria sobre os problema das do país. O Bloco tem posição firmada quanto a isso: se aos 16 anos já se pode trabalhar e ter responsabilidade criminal, porque não hão de ter também direito a voto? Diz o Paulo Paixão que a esta questão os jovens foram “pouco (de)votos”. Quer dizer, calaram-se.

Quanto ao PC, preferiu falar só lá para mais o fim do dia. O fim de semana foi gasto a bater na tecla já conhecida contra o PS – porque diálogo sim, mas cedências ou “jeitinhos” ao PS não. Até os burros de Soares (aqueles que não mudam de ideias) Jerónimo evocou!

Abstenção absoluta?

Mas a verdade é que as “tracking polls” continuam a assinalar, com variações, a vitória à coligação do atual Governo, com uma nuance: o aumento dos indecisos. À primeira vista, parece um contrassenso, logo agora que a campanha começou. Mas não. No sétimo inquérito do “Público”, publicado esdta segunda-feira, eles são agora 22,8%, quando, no princípio, eram 18,5%.

Diz quem sabe que os indecisos equivalem a abstencionistas, sendo que, tecnicamente falando, costumam ser cerca de metade da abstenção. Se assim for, dentro de seis dias, a abstenção há de ser superior aos 40%, o costume, portanto (e menos que a média europeia). Esperemos não ir a caminho, não de uma maioria mas de uma abstenção absoluta. O que só mostra que os dramáticos apelos a que todas as forças políticas se dedicam não resultam. Convencer é muito mais difícil que falar! O que aplica a tudo e a todos.

Entre uma coisa e outra, vai permanecer o mistério sobre se a Comissão Europeia decidiu entrar “inopinadamente” nas eleições portuguesas, como a acusa a oposição, a propósito das declarações... a propósito das metas do défice com o salto registado em 2014 devido ao adiamento da venda do Novo Banco.

Na manhã desta segunda-feira, em Bruxelas, o porta-voz voltou a dizer que a declaração do comissário Valdis Dombrovskis, desvalorizando o tema logo no dia a seguir a conhecer-se o número do défice divulgado pelo INE, “se referia apenas a factos”. Está bem. Mas... e quem solicitou a intervenção do comissário?