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Legislativas 2015

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“Maria Luís Albuquerque é tão confiável nas contas como as emissões de gases da Volkswagen”

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Líder do Bloco visitou a fábrica de calçado Bemicar, em Santa Maria da Feira, uma empresa que o BE aponta como exemplo para a economia: aumentou em 6% os salários dos quase 40 trabalhadores para compensar o efeito da sobretaxa do IRS no bolso dos funcionários

Nuno Botelho

A propósito do caso do dia - a Antena 1 avançou que a ministra das Finanças deu ordem para esconder os prejuízos do BPN -, a líder do Bloco de Esquerda critica as contas de Maria Luís e deixa ainda uma observação dirigida a Passos Coelho: “O primeiro-ministro ficou incomodado com os jornalistas [devido a perguntas sobre o caso], mas talvez fosse bom explicar-lhe que isto é uma democracia”. E Catarina Martins deixou Costa sem resposta - o líder socialista pediu à esquerda para não desperdiçar energia a atacar o PS

Joana Pereira Bastos

Joana Pereira Bastos

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Jornalista

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

A líder do Bloco de Esquerda (BE) acusou esta terça-feira o Governo de querer esconder o verdadeiro buraco do BPN no défice, martelando as contas da Parvalorem tal como a Volkswagen manipulou os dados das emissões de gases nos carros a gasóleo.

“As contas da Parvalorem foram marteladas para disfarçar o efeito do buraco do BPN no défice. Maria Luís Albuquerque é tão confiável nas contas como as emissões de gases da Volkswagen”, criticou.

Foi desta forma que Catarina Martins comentou a notícia avançada esta terça-feira pela Antena 1, que revelou que a atual ministra das Finanças mandou, em 2013, alterar as contas da Parvalorem, a empresa pública que absorveu os activos tóxicos do ex-BPN, para que os prejuízos fossem menores do que eram na realidade.

O primeiro-ministro negou, entretanto, que as contas tenham sido manipuladas, mas admitiu que Maria Luís Albuquerque, na altura secretária de Estado do Tesouro, pediu à Parvalorem que as revisse “porque lhe pareceu que a estimativa que estava a ser avançada era demasiado pessimista”. Passos Coelho não escondeu alguma irritação relativamente à noticia, questionando as intenções do jornalista.

“O primeiro-ministro ficou incomodado com os jornalistas, mas talvez fosse bom explicar-lhe que isto é uma democracia”, reagiu Catarina Martins.

Nuno Botelho

COSTA SEM RESPOSTA

Na mesma ocasião, a líder do BE deixou o secretário-geral do PS a falar sozinho, por enquanto, relativamente às declarações de António Costa, que acusou o Bloco de Esquerda e a CDU de estarem “a desperdiçar energia a atacar o PS”.

“Estamos sozinhos contra a direita toda unida, a disputar palmo a palmo a vitória nestas eleições. O mínimo que se pede a essas forças políticas é que, ao menos, concentrem a sua energia, o seu discurso, o seu ataque, na direita e não desperdicem energia a atacar o PS”, disse Costa, num almoço em Setúbal.

Instada pelos jornalistas a comentar estas palavras, Catarina Martins fugiu à questão. Ante a insistência para responder, acabou por afirmar: “Por agora, (não digo) nada”.

As declarações foram feitas no final de uma visita à fábrica de calçado Bemicar, em Santa Maria da Feira, uma empresa que o BE aponta como exemplo para a economia.

Em contraciclo, a pequena empresa familiar que produz calcado ortopédico, quase integralmente para exportação, cresceu 25% nos últimos quatro anos e em janeiro aumentou em 6% os salários dos quase 40 trabalhadores para compensar o efeito da sobretaxa do IRS no bolso dos funcionários.

“É um exemplo do melhor que a nossa economia produz – um produto especializado de grande qualidade e feito por trabalhadores que são respeitados. Aqui sabem bem que não se pode ter um trabalho de qualidade à custa dos salários dos trabalhadores”, elogiou a líder bloquista, criticando uma vez mais a proposta da coligação PSD/CDS de baixar a TSU às empresas.

A visita à fabrica de calcado acabou por ser a única ação do BE na tarde desta terça-feira, pois o contacto com os trabalhadores da Yazaki Saltano, em Ovar, acabaria por ser cancelado. A lider do Bloco deu esta terça-feira uma entrevista ao Porto Canal, que ditou “atrasos na agenda “.

Como o programa da ida à fabrica da multinacional japonesa de componentes elétricos para automóveis tinha hora marcada (16h50, dez minutos antes do fim de um turno), a campanha do Bloco ficou assim sem “picar o ponto”.

Nuno Botelho