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Legislativas 2015

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Jorge Coelho ataca a coligação: depois de tudo o que fizeram, “agora querem que as pessoas sejam PàF?”

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Rui Duarte Silva

O histórico dirigente socialista voltou ao distrito por onde foi, em tempos, cabeça-de-lista, para dar uma mão a António Costa e dizer que as sondagens estão enganadas: “Vamos ter uma enorme vitória”. Quanto ao líder do partido, fez um pedido aos partidos à esquerda: “Não desperdicem energias no ataque ao PS”

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

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Jornalista da secção Política

Jorge Coelho deixou-se da política ativa (será mesmo?), mas ainda assim não diz "não" sempre que lhe pedem ajuda. Esta terça-feira tirou o dia para acompanhar António Costa e intervir no almoço-comício em Setúbal, o quarto maior distrito (em número de deputados), por onde ele próprio foi em tempos cabeça-de-lista.

O homem que o partido conheceu em tempos como o "bulldozer", o ex-ministro de Guterres a que muitos chamavam o "bombeiro" (tantos os "fogos" a que era chamado para os apagar), não recuperou o jargão "quem se mete com o PS leva", mas deu quanto pôde na cabeça da coligação de direita.

Acusou-a de querer "fazer esquecer que foram eles próprios que conduziram o país a esta situação", ao chamar à coligação PàF para ocultar o facto de serem o PSD e o PP, ao não ter cartazes com os rostos de Passos Coelho e de Portas, ao "não apresentar programa nenhum". Mas, garantiu, "os portugueses têm memória e não se vão esquecer": As pessoas desempregadas, as que estão no limiar de pobreza, "agora querem que eles se esqueçam que foram o PSD e o PP que os conduziram aqui e querem que sejam PàF?! Não acredito". "Centenas de milhares de jovens que tiveram de emigrar e agora pedem-lhes que sejam PàF?!"

Arriscando prever "uma enorme vitória" para os socialistas nas eleições de domingo ("cada dia que passa há mais razões para termos confiança"), Coelho frisou que "o tempo é de combate" e que, depois de ter lutado pela liberdade, pelas liberdades, pela democracia, agora é hora de "lutar pela dignidade das pessoas ou tudo o que foram conquistas do passado ficam em causa ". Resumiu "o momento que estamos a viver": "É hora do ajuste de contas".

Rui Duarte Silva

Costa pede às esquerdas que “não desperdicem energias no ataque ao PS”

Depois falou Costa. O secretário-geral do PS atacou o Governo que vive "na técnica do engano" e que ainda esta terça-feira voltou a ser apanhado "num truque para disfarçar as contas de 2012".

E depois de repetir um alerta que tem feito sempre que pode - as eleições de domingo são "uma oportunidade única de escolha (...), quem perder ou ganhar perde ou ganha para quatro anos" -, fez um inédito apelo às outras forças políticas de esquerda: "Não se enganem no adversário". "Estamos sozinhos contra a direita toda. O mínimo que se pede às outras forças políticas é que não desperdicem as suas energias no ataque ao PS."

A senhora que quebrou o protocolo

Rui Duarte Silva

O speaker já chamava Jorge Coelho ao palco para a última intervenção antes de António Costa, esta terça-feira, no almoço-comício em Setúbal. Mas o púlpito tinha sido tomado e Coelho não teve outro remédio senão esperar que a senhora, que não quis identificar-se, dissesse ao que vinha.

A organização do evento ficou inquieta, ainda se esboçaram gestos para retirar a "intrusa" do palco, mas Coelho tranquilizou-os e a senhora pôde falar. Pedindo desculpa por "quebrar o protocolo", começou por tirar o telemóvel da mala, queria que os presentes ouvissem a canção de Pedro Abrunhosa que fala dos emigrantes ("para os braços da minha mãe"), mas o som não era audível. E ela, de improviso, mas sabendo bem o que queria dizer - sendo, aliás, bem mais eloquente do que muitos dos oradores oficiais que se tem ouvido ao longo da campanha -, falou do filho emigrado em Pequim. Apoiante socialista, como pronto deixou perceber, apelou a todos os que têm filhos ou familiares emigrados: "vão votar, não hesitem", dizendo ver na candidatura do PS "uma oportunidade de fazer uma mudança", mesmo sabendo que "o António Costa não me vai trazer o meu filho amanhã". Para concluir: "Espero que o nosso país deixe para trás este síndrome de Estocolmo - como é que podem dizer que vão continuar a votar Passos Coelho e Paulo Portas?!!".

Costa foi ao palco abraçá-la. É a segunda vez que o palco de um comício é tomado por um "convidado" inesperado (a primeira foi no Porto, no sábado, com o jovem que queria "pôr os políticos todos a limpar as florestas"). Haverá terceira?