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Legislativas 2015

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“Isto está mesmo a correr bem”

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Marcos Borga

Jerónimo dixit. E repetiu. A CDU está contente com o decorrer da campanha e mesmo as críticas do PS não afetam o ânimo do secretário geral do PCP. Antes pelo contrário, volta à carga e responde diretamente a Carlos César e a António Costa e diz que até compreende "a inquietação e o nervosismo" dos socialistas

A noite da campanha eleitoral da CDU acabou na Voz do Operário, num jantar comício que encheu o maior espaço da velha instituição. Jerónimo fez as honras da casa. E falou diretamente aqueles que, nos últimos dias, mais o criticam: os socialistas que, pela voz do presidente ou do secretário geral, acusaram o líder comunista de estar a fazer o jogo da direita.

“Foi com surpresa que ouvimos Carlos César dizer que votar na CDU é votar na direita”, disse Jerónimo, acrescentando que depois, “mais comedido, António Costa dizia que está sozinho contra a direita, criticando, naturalmente, a CDU”. O perigo de fuga de votos na CDU para o voto útil no PS é, desde o primeiro dia da campanha, o bombo da festa dos comunistas. E, desta vez, as diretas dos adversários obrigaram a uma resposta ainda mais veemente. Jerónimo foi direto à responsabilidades socialistas na assinatura do memorando com s troika, essa “mancha indelével” na história do PS que a CDU não apaga, nem esquece.

Depois, foram as “ausências” dos socialistas no combate ao atual governo. “Ficamos muitas vezes sozinhos na luta”, lembra Jerónimo, que recorda ainda as cumplicidades programáticas entre o PS e a coligação de direita. Como em relação ao tratado orçamental, onde “o PS tem uma proposta igualzinha à do PSD e CDS”. Para concluir que “foram sempre os votos dados ao PS que encheram a política de direita, para retirar direitos e salários, para privatizar as principais empresas do país ou para aumentar as taxas moderadoras”.

Contas feitas, a linha vermelha traçada perante o PS é para ficar. “Deixem-se de tanta hipocrisia. Tenham pudor, acabem com as mentiras”, disse dirigindo-se ao quartel general socialista que, aliás, mereceu as maiores vaias da noite.

Sublinhando “as divergências de fundo que temos como PS”, Jerónimo ganha espaço eleitoral e, confiante, num bom resultado no dia 4 de outubro até se permite alguma complacência com o adversário. “Percebemos a inquietação e o nervosismo do PS que agora sente que a coligação pode ganhar”. Mas devolve as culpas a quem “em nada contribuiu para o enfraquecimento deste Governo”.

Já a CDU puxa pelos galões dos quatro anos de combate direto e promete continuar. “Seja qual for o protagonista do governo, não desistiremos do combate necessário para uma política patriótica e de esquerda”. O recado ficou dado. A luta é mesmo para continuar.