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Legislativas 2015

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Costa em Lisboa: “Eu gosto da minha maneira de fazer campanha”

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Rui Duarte Silva

Casa cheia no pavilhão da Feira Internacional de Lisboa. António Costa voltou ao lugar onde, em novembro, foi consagrado secretário-geral do PS. E, na cidade a cujos destinos presidiu nos últimos sete anos, respondeu aos que lhe criticam o modo como tem feito campanha

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

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Jornalista da secção Política

António Costa jogava “em casa” e o comício de Lisboa - que, desta vez, ineditamente, não fecha a campanha; o encerramento será em Almada, na sexta-feira - foi prova disso, com uma boa mobilização de socialistas para o pavilhão da Feira Internacional de Lisboa, o mesmo onde, em novembro, Costa fora consagrado secretário-geral.

Aos milhares de militantes e apoiantes que se deslocaram à zona da Expo, na capital, Costa aproveitou para puxar pelos galões da sua experiência enquanto presidente da Câmara e que pretende replicar caso seja eleito primeiro-ministro. Não sem antes responder a todos quantos lhe criticam a forma como tem vindo a fazer campanha: “Dizem que as campanhas se fazem distribuindo promessas e q.b. de demagogia. Não é assim que eu faço. Se calhar teria sido mais fácil fazer como eles fazem: não apresentava programa, ninguém me pedia contas (como, aliás, não lhes pedem a eles) e tudo passava de mansinho. Não é assim que eu faço campanha. Os portugueses têm direito a exigir aos políticos que digam com clareza ao que vão e como se propõem cumprir. Se calhar há outros que gostam mais deste estilo - eu gosto mais da minha maneira de fazer política e acho que foi por isso que, em Lisboa, ganhei cada eleição com mais votos do que na anterior. Porque em cada mandato fiz sempre mais do que tinha prometido”.

Rui Duarte Silva

Marcos Perestrello: “O PSD e o CDS são muito bons em campanha eleitoral”

Já antes o presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa do PS, Marcos Perestrello, tinha abordado o tema da eficácia da campanha - que tem dominado as análises e os comentários políticos -, para reconhecer que “o PSD e o CDS são muito bons em campanha eleitoral”.

“Fazem campanha como se nada se tivesse passado, como se não tivessem governado fazendo exatamente o contrário do que prometeram na campanha de 2011”, disse o responsável socialista, pondo ainda os pontos noutros "is": “O que está em jogo (nas eleições de domingo) não é a avaliação das últimas semanas de campanha eleitoral, mas os últimos quatro anos de Governo”.

“Não é por acaso que ninguém fala das promessas e do programa do Governo, porque ninguém acredita nas promessas e o programa não existe”, disse ainda, pedindo às pessoas, “quando forem votar, tenham memória destes quatro anos”.

Manuel Alegre: “O PS não tem medo, não cede a chantagens nem a sondagens”

Precedendo António Costa na ordem das intervenções, Manuel Alegre subiu ao palco para um discurso emotivo e vibrante, várias vezes interrompido por aplausos. O histórico socialista interrogou-se (perante as sondagens que têm sistematicamente dado vantagem à coligação) se “estaremos todos enganados?”. “Eles dizem que está tudo bem, que os portugueses estão contentes, que o que é bom é esta evolução na continuidade, que tudo fique na mesma”. Para alertar: “O problema é que não fica tudo na mesma. Fica tudo muito pior porque eles não têm emenda”.

Manuel Alegre, Ferro Rodrigues e António Costa

Manuel Alegre, Ferro Rodrigues e António Costa

Rui Duarte Silva

O futuro com a coligação, afirmou, é de meter medo: “Esta direita fundamentalista quer fazer o ajuste de contas final com o Estado social”. “Eles são a instabilidade e a insensibilidade social (...). Para desfazerem o que falta desfazer, eles vão fazer novos cortes nos salários e pensões; eles vão privatizar a segurança social; eles vão trazer a mentira e a ocultação”. O inimigo, qualificou, é maior do que se julga: “Não estamos apenas a lutar contra a coligação, mas contra poderosíssimos interesses económicos, financeiros e mediáticos”. “Há infelizmente na Europa uma constituição económica não escrita que favorece tudo o que é privado”.

Alegre denunciou ainda: “Estamos a assistir a uma manipulação como nunca se tinha visto em 40 anos de democracia: é preciso abater o PS, o António Costa, o Governo do PS que está disposto a mudar o país (...) O PS não tem bancos, televisões, jornais, empresas de sondagens. (E, por isso) o António Costa apanha de todas as direções”.

Teve uma palavra ainda para os outros partidos de esquerda - em termos muito idênticos aos que Costa usara também esta terça-feira ao almoço, em Setúbal. Para lamentar: “infelizmente há várias esquerdas mais apostadas em atacar o PS do que a direita (...) Para alguns o PS é o inimigo principal. Tenho de dizer que o que eles estão a fazer é um grande frete à direita”. E terminou dirigindo um apelo “a todos os que respeitam a democracia e o Estado Social: não desperdicem votos”. No fim, deixou a garantia: “O PS não tem medo, não cede a chantagens nem a sondagens”.