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Legislativas 2015

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Catarina pergunta a PSD e CDS que novos impostos “andaram a negociar com Bruxelas”

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FOTO Nuno Botelho

A porta-voz do Bloco de Esquerda aproveitou o relatório de Bruxelas que admite haver margem para subir impostos em Portugal para pedir explicações ao Governo. Mas o ponto alto do comício de Coimbra foi o regresso de Francisco Louçã – em grande forma, lançando na campanha o “homo troikensis”

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

Fotografias

Fotojornalista

A líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, exigiu nesta noite de segunda-feira, no comício de Coimbra, que o Governo abra o jogo sobre alegadas garantias dadas a Bruxelas relativas a um eventual aumento da fiscal.

A partir de um relatório da União Europeia que coloca Portugal no grupo de países com “margem para subir impostos” – “desta vez não foi a Maria Luís Albuquerque que se descoseu, foi a Comissão Europeia” -, a porta-voz nacional do Bloco de Esquerda dirigiu uma pergunta a PSD e CDS. Uma questão a que aqueles dois partidos “têm de responder antes das eleições”, exigiu Catarina Martins: “Quais são os impostos que andaram a negociar com Bruxelas? Mostrem-nos a conta”.

Para Catarina Martins, fica saber-se através do relatório das instituições comunitárias é que “há um novo programa escondido” por parte da direita.

O “homo troikensis” aterrou em Coimbra

O comício do Bloco foi o primeiro desta campanha com a participação de Francisco Louçã. O ex-coordenador do Bloco de Esquerda estivera no almoço de domingo, na Meo Arena, em Lisboa, mas apenas como militante de base, sem ter usado da palavra no palco.

Se havia expectativas em relação ao discurso de Louçã, elas não foram defraudadas. O antigo coordenador do Bloco alertou para os “perigos” de uma nova espécie, o “homo troikensis”.

“Há pessoas que perderam um subsídio, é uma festa para o ‘homo troikensis’”, ironizou Louçã; “Há cinco famílias que perdem a casa todos os dias, sucesso, champanhe para o ‘homo troikensis’”, prosseguiu no mesmo tom.

Mais a sério, Louçã disse que entre o PS e o PSD/CDS todos apostam em lançar o pânico. “A resposta que nos dão é o medo. Pedro Passos Coelho diz: votem em mim por medo de António Costa. António Costa diz: votem em mim por medo de Pedro Passos Coelho”. Até aqui a assistência ouvia sem se manifestar, quando Francisco Louçã fez o remate que soltou gargalhadas e aplausos: “E os dois têm medo de Paulo Portas”.

Em relação aos três, “todos querem o poder absoluto. E o poder absoluto chama-se Merkel”, afirmou.

Os três alvos principais do Bloco

Com o dia das eleições já em pano de fundo, as diversas forças vão multiplicando os apelos ao voto, com indicação concreta dos destinatários do pedido.

De um modo explícito, como ainda não fora feito em qualquer ação do Bloco de Esquerda nesta campanha, Francisco Loução elegeu os “três votos decisivos” que o BE tem de conquistar: “o voto de quem se abstém”; “o voto dos socialistas que não percebem o que o seu partido quer”; e “o voto daqueles que foram enganados por PSD e CDS”.

Mas mais do ”reforçar-se”, o BE “precisa sobretudo de marcar uma viragem neste país”, disse Louçã, que garantiu ser já hoje o Bloco “um partido muito mais forte” do que o CDS.

Aplauso emocionado a João Semedo

A noite do Bloco em Coimbra - da qual saiu a primeira palavra de ordem fora do alinhamento, “Chegou o momento, Pureza ao Parlamento - ficou também marcada pela homenagem espontânea a João Semedo.

O antigo dirigente do BE, que até ao ano passado partilhou a liderança bicéfala com Catarina Martins, já estivera presente em diversos eventos desta campanha. Mas só na noite desta segunda-feira, no Pátio da Inquisição, o local onde nos últimos anos Coimbra tem celebrado o 25 de abril, é que o seu nome foi evocado no palco. Tal aconteceu por iniciativa de José Manuel Pureza, o cabeça de lista do BE pelo distrito, que iniciou o discurso com uma alusão ao “querido camarada” presente na tenda onde se realizou o comício.

“Um exemplo de firmeza, de verticalidade, de competência, de cultura de partido. O Bloco deve muito a João Semedo”, disse Pureza. As cerca de 300 pessoas presentes, de modo emocionado, aplaudiram Semedo de pé.