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Legislativas 2015

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Acabou a ditadura dos números, diz Passos. Agora é a política

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Luis Barra

Paulo Portas avisa que há “desespero” na oposição. PM diz que não anda “desembestado” a atacar os adversários

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

Luís Barra

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Fotojornalista

“Libertámo-nos da ditadura financeira e dos números”, chegou a hora da política, prometeu Pedro Passos Coelho esta terça-feira à noite, num jantar-comício em Coimbra. “Agora que a economia e as finanças estão em ordem, podemos voltar a dar plena dignidade à política, para fazer as escolhas que são necessárias”, garantiu o primeiro-ministro. Passos elencou as prioridades políticas para esta nova fase - combate às desigualdades sociais; políticas de incentivo à natalidade e proteção das famílias; maior competitividade, com a simplificação do Estado - e colocou a condição para que esse programa se concretize: “O que precisamos para atingir estes objetivos? Manter o nosso rumo”.

Passos apontou como “a pior coisa” num político o “não saber o que quer”. E socorreu-se, para ilustrar essa ideia, de uma frase que, segundo o primeiro-ministro, “se costuma dizer”: “Com o vento nas velas, de qualquer porto, sem saber para onde ir, vai para onde o vento o leva e pode-o levar mesmo para onde não se quer. Mas quem sabe para onde quer ir usa o vento que apanhar para andar mais depressa e para chegar mais seguro”.

“Desespero”, diz Portas

“Estabilidade” é o novo mantra da coligação. E virou sinónimo de maioria. “Para poder governar é preciso ter maioria no país”, disse Passos, desta vez sem a qualificar. Portas fê-lo. Voltou a assumir as despesas do ataque à oposição e frisou que “o povo só fica a salvo este aventureirismo [da oposição] dando ao país uma maioria estável e tranquila”.

Luis Barra

Se tal não acontecer, “as posições, que dificilmente se entendem para governar”, ameaçam “entender-se para derrubar, deixar o país sem governo e sem orçamento”. Daí o apelo com que Portas iniciou a sua intervenção, perante um pavilhão tão cheio que muita gente teve de jantar nas bancadas, sem conseguir sentar-se à mesa: “Deve imperar e contrastar a nossa moderação, face ao radicalismo que o desespero de outros está a provocar”.

“Não andamos desembestados”

Com as sondagens a convergir cada vez mais para uma vantagem confortável da direita, o número 2 da coligação apostou mesmo que, até às eleições, “a confiança que há na coligação vai gerar mais confiança, e o desespero da oposição vai gerar mais desespero”.

Também Passos se referiu aos ataques de que o Governo tem sido alvo, e também para marcar o contraste. “Não andamos desembestados a atacar toda a gente”, notou, acrescentando que “esta eleição não é uma desforra minha ou do dr. Paulo Portas”. “Isto não é um problema entre políticos”, assegurou Passos.