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Legislativas 2015

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Catarina Martins: “Era bom que o PS dissesse qualquer coisa de esquerda”

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Nuno Botelho

Em resposta às críticas de António Costa, a líder do Bloco de Esquerda lembrou que ofereceu ao PS “uma solução para salvar o país”, mas não teve ainda qualquer resposta

Joana Pereira Bastos

Joana Pereira Bastos

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Jornalista

Paulo Paixão

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Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

No comício da noite desta terça-feira em Santa Maria da Feira, Catarina Martins deu finalmente troco às críticas de António Costa, que pela hora de almoço acusou o Bloco e a CDU de “desperdiçarem energias” ao atacar o PS.

A líder do Bloco devolveu a acusação: “Confesso alguma estranheza quando hoje percebo que António Costa decidiu passar o dia a atacar o Bloco de Esquerda. Seria melhor que o PS se concentrasse a apresentar propostas concretas para o país”.

De seguida, Catarina Martins lembrou o seu debate televisivo com o secretário-geral socialista, sublinhando que nessa ocasião propôs condições para um entendimento com o PS, de forma a que “Portugal tivesse um futuro condigno”.

No comício com que a campanha do BE diz adeus ao distrito de Aveiro, Catarina Martins elencou as três propostas em cima da mesa: fim do congelamento de pensões, abandono da figura do despedimento conciliatório e a não descida da TSU das empresas.

“Perguntei a António Costa se estava disponível para conversar sobre uma solução para salvar o país em que o emprego fosse protegido e não houvesse mais flexibilização dos despedimentos (...). Perguntei se estava disposto a encontrar uma outra solução que não implicasse o corte de 1660 milhões com o congelamento das pensões. E perguntei se estava disponível para abandonar a proposta de baixar a TSU”, afirmou Catarina Martins.

A nenhuma destas questões António Costa respondeu: “Não disse nada”, sublinhou a porta-voz do Bloco. “Por isso, o BE não está nesta campanha para atacar o PS, mas para propor soluções que rompam com a austeridade”, frisou a líder bloquista, antes de deixar um claro desafio aos socialistas: “O que era mesmo bom era que o PS dissesse qualquer coisa de esquerda”.

Passos e o amigo da Tecnoforma

Se António Costa foi visado na intervenção de Catarina Martins, como ainda não acontecera nesta campanha, também Pedro Passos Coelho foi alvo de críticas.

A líder do Bloco voltou a falar da alteração das contas da Parvalorem, como forma de disfarçar o efeito do buraco do BPN no défice. Catarina Martins denunciou a intervenção da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que acusou de ter mandado “alterar contas que já estavam fechadas e auditadas”, tratando “uma empresa pública como se fosse o seu quintal”.

Além da ministra das Finanças, Catarina Martins denunciou também o envolvimento do primeiro-ministro: "Quem estava à frente da Parvalorem foi o amigo que Pedro Passos Coelho trouxe da Tecnoforma".

“Acordos marcianos” à vista

O comício de Santa Maria da Feira contou também, entre outros, com a participação de Luís Fazenda, um dos fundadores do BE, que assim marca a sua entrada na primeira linha da campanha.

Fazenda, que pela primeira vez não é candidato a deputado, denunciou o envolvimento conjunto de PSD, CDS e PS na aprovação do Tratado Orçamental, que classificou como a “Bíblia da política de austeridade”.

Lembrando que Costa afirmou que só faria um entendimento com a coligação de direita “se os marcianos viessem à Terra”, Fazenda disse suspeitar que esse cenário venha mesmo a concretizar-se após as eleições.

“Mais tarde ou mais cedo, vamos ter acordos marcianos para viabilizar as políticas do Tratado Orçamental”, disse o antigo vice-presidente do Parlamento. “Tudo o resto é stress de campanha eleitoral”, sublinhou.

  • “Maria Luís Albuquerque é tão confiável nas contas como as emissões de gases da Volkswagen”

    A propósito do caso do dia - a Antena 1 avançou que a ministra das Finanças deu ordem para esconder os prejuízos do BPN -, a líder do Bloco de Esquerda critica as contas de Maria Luís e deixa ainda uma observação dirigida a Passos Coelho: “O primeiro-ministro ficou incomodado com os jornalistas [devido a perguntas sobre o caso], mas talvez fosse bom explicar-lhe que isto é uma democracia”. E Catarina Martins deixou Costa sem resposta - o líder socialista pediu à esquerda para não desperdiçar energia a atacar o PS