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Legislativas 2015

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“Não basta uma maioria relativa”, diz Fernando Nogueira

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Luis Barra

Ex-líder do PSD invoca experiência no primeiro Governo de Cavaco para defender a maioria absoluta. Faixa com essas palavras foi retirada antes do comício de Leiria

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

Fernando Nogueira, o homem que sucedeu a Cavaco Silva na liderança do PSD, depois de 10 anos no coração do poder cavaquista, invocou esta noite essa experiência governaria para apelar, ainda que indiretamente, à maioria absoluta. “Para um mundo tão instável temos de ter um governo estável, duradouro, seguro. Por isso não basta ganhar as eleições, não basta conferir uma maioria relativa à Pedro Passos Coelho e à coligação”, disse Nogueira, num vídeo de apoio projetado no início do jantar-comício desta segunda-feira, em Leiria.

Perante cerca de duas mil pessoas (números da organização), o homem que era ministro dos Assuntos Parlamentares no primeiro governo de Cavaco lembrou essa experiência para explicar as desvantagens de um Executivo minoritário. “Eu próprio já vivi uma experiência de Governo minoritário onde tinha posição relevante de negociação com os partidos da oposição, e a verdade é que muita da nossa energia e esforço eram usados para discutir problemas de lana caprina no dia a dia, desviando a nossa atenção dos problemas mais importante da sociedade e da governação.”

Mais uma vez o apelo à maioria absoluta não foi explícito, e a ordem é que a palavra “absoluta" seja banida. De tal forma que a direção de campanha obrigou a que fosse retirada da sala do jantar-comício uma faixa onde se lia a inscrição: “a luta pela maioria absoluta começa aqui”.

Quando ignorar Paulo Portas é uma boa notícia

Nogueira fez o elogio de Passos Coelho, por ter tomado medidas difíceis que “outro qualquer, sem a sua coragem, e com cedências fáceis ao populismo, não teria conseguido tomar”. “O resultado final retirou Portugal do precipício”, resumiu. E criticou o PS que propõe “um caminho alternativo assente em experiências não testadas, sem contornos definidos e das quais não se antecipa um resultado seguro”.

O antigo dirigente social-democrata referiu-se, no vídeo de apoio, apenas a Passos Coelho e à coligação, sem nunca referir Paulo Portas. Uma boa notícia, portanto, tendo em conta que há quatro anos, na campanha eleitoral, Nogueira surgiu em apoio de Passos, dizendo que Portas “está com tiques socráticos”. O antigo vice-primeiro-ministro foi uma das grandes vítimas de Portas no tempos de O Independente, mas, ao contrário de outros, nunca lhe perdoou as tropelias. Em 2011, nessa ação de campanha em que deu, ao vivo, apoio a Passos, fez uma previsão cortante sobre a hipótese de uma coligação PSD-CDS: “Pode funcionar, desde que o Dr. Paulo Portas tenha um pouco mais de modéstia e quando se olha ao espelho não esteja a ver o primeiro-ministro que só ele vê naquele espelho”...